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| Visão Espírita | |||||
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Leia aqui entrevistas feitas com jovens espíritas de Salvador a respeito da sexualidade: Gabriela Santana, 19 anos Ecos do Além: O que você pensa sobre o casamento e o sexo? Gabriela: Eu aprendi que o sexo é uma coisa muito responsável. É uma atividade cármica que envolve muita energia e tem que ser feita com muita responsabilidade. Ecos : Você acha correto fazer sexo somente pelo prazer? Gabriela: Olha, eu acho que a pessoa que faz só pelo prazer não se valoriza, não valoriza seu corpo, nem a pessoa que está com ela; não valoriza o momento, apenas o prazer. Então tem que ser uma coisa pensada, tem que ser feito com amor. Ecos: No espiritismo, existe a regra de manter a virgindade antes do casamento? Gabriela: Não, parte da cabeça de cada pessoa. André Luís Rodrigues, 20 anos Ecos: Com relação à sexualidade, como você projeta sua vida sexual? Como você encara a questão do sexo, do relacionamento afetivo, o casamento..? André: Em primeiro lugar, eu queria falar sobre uma coisa.
O espiritismo quebrou a visão machista da vida, mostrando que o
mesmo espírito pode habitar tanto o corpo masculino quanto o feminino.
Então, os grandes machistas da vida podem não se considerar
tão homens assim, se a visão de homem deles for essa, material
somente. Outra coisa: Eu vejo que as relações afetivas,
primeiramente, são a origem da manutenção da vida
no próprio planeta. É um mecanismo natural. Portanto, é
um mecanismo Divino, já que a natureza é o resultado do
pensamento Divino. Então, não há nada de anormal
no sexo, só que o que temos hoje em dia é a banalização
do sexo, principalmente do corpo da mulher associado à cerveja,
a coisas que estimulam a libido, não é? E porque? E porque
esta estratégia de marketing? Se você associa dois vícios,
tanto a libido exagerada quanto a bebida, isso dá uma combinação
excelente para quem quer enriquecer à custa dos vícios das
pessoas. Então o sexo só se transforma em vício quando
a pessoa permite, quando a pessoa não consegue racionalizar o impulso
sexual, não consegue controlá-lo. Ecos: Esta é uma questão que está sendo muito tratada pelas revistas, não é? A Veja, a Istoé, quase sempre trazem reportagens sobre os problemas sexuais das pessoas em geral. André: As revistas, os meios de comunicação em geral, falam do sexo do ponto de vista físico, corporal. Falam do sexo como uma usina de substâncias, de hormônios que são despejados no corpo; como satisfação física, mas não falam do sexo como um meio de manutenção energética do ser. Dois seres que se comunicam sexualmente estão ligados energeticamente um ao outro. É como se passassem a ser um só. Não é. Há uma individualidade. Mas vamos supor um marido e uma mulher que já têm uma vida sexual comum entre os dois. Vamos supor que eles não se traem. Estes dois indivíduos se comunicam energeticamente. O marido doa suas energias para a esposa e reciprocamente. Então é um intercâmbio energético. Agora, quando ocorre um intercâmbio energético entre vários pólos, entre vários homens e várias mulheres, digamos que há um hiperdimensionamento da função sexual, causando desgaste. É exatamente isso que não satisfaz, é exatamente o cansaço, porque o sexo cansa mentalmente e espiritualmente. Existe um caso, que é célebre, de um imperador de Roma que falou assim para sua esposa: "Hoje você escolhe dez dos meus melhores homens e eu vou escolher dez das melhores mulheres. Você se diverte com eles durante todo o dia". E assim fizeram. E no final do dia ele interrogou a esposa: "Está satisfeita?" Ela falou: Não, estou muito cansada". Isso mostra que esse prazer excessivo através do sexo não satisfaz; muito pelo contrário: deixa lacunas. É por isso que o espiritismo nos apresenta uma visão mais dilatada a cerca do sexo, uma visão energética, de comunicação energética, de alimentação energética. Ecos: Então o sexo deve ser parte de um relacionamento estável, baseado no respeito mútuo e na afetividade, não é isso? Você acha, então, que o sexo não deve ser exercido fora do relacionamento. Você acha que não é saudável? André: Não é saudável ser promíscuo. Mas existem casos e casos e eu não posso querer ser a palmatória do mundo. A infidelidade é um caso que ocorre bastante no mundo inteiro. Muitas vezes ela está ligada também a casos reencarnatórios. Vamos supor que eu tive um relacionamento com uma pessoa na reencarnação passada, não muito bem sucedido. Nesta, reencarno, me caso com outra pessoa. Certo dia eu me encontro com aquela pessoa com a qual tive um relacionamento. Eu posso sentir as mesmas atrações, porque ficaram os liames energéticos atraindo um ao outro. Acontece isso. Como acontece também a banalização completa do sexo. Então eu não posso condenar a traição. Ecos: Então, essa questão da traição é relativa? André: Não é que seja relativa. No Livro
dos Espíritos, os Espíritos dizem que a monogamia foi um
avanço para a humanidade, porque a poligamia é uma manifestação
da paixão nos seres humanos. Percebe-se, em geral, na poligamia,
a satisfação dos desejos, dos prazeres, e pouco sentimento.
Enquanto que na monogamia, não. Pressupõe-se que os dois
seres possuem sentimentos elevados entre si, se amam. Se não se
amam ainda verdadeiramente, estão conquistando, estão galgando
este patamar de sentimento. Então a monogamia pressupõe
também o respeito. Por essas razões que é valorizada
pela Doutrina. Então, traição resulta em poligamia
e é recomendável evitá-la. Mas nem por isso deve-se
condenar diretamente a traição, porque esta é uma
questão pessoal que pode ter diversas causas e efeitos. Cada um
deve analisar de acordo com sua consciência. O espiritismo apenas
considera que é ideal manter uma relação estável
de respeito mútuo, pois o sexo deve ser encarado com responsabilidade. André: As pessoas que enveredam pelos caminhos do abuso sexual, do abuso da pulsão sexual, acabam por não se satisfazerem, porque a função sexual, em si, não é ela que completa a alma, mas sim os sentimentos dos parceiros somados à pulsão sexual. E aí, ao perceberem que a função heterossexual já não satisfaz, muitas pessoas pulam para a relação homossexual na esperança de se satisfazerem. Não estou dizendo que essa é a regra, mas pode acontecer.
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