Joana D'Arc: ervas para "ouvir vozes" 

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Maconha:
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A repressão à cannabis se deu em vários períodos da nossa história. No século XII o Santo Ofício baniu o consumo da maconha e outras ervas medicinais. Qualquer pessoa pega usando maconha era acusada de bruxaria, passando a ser perseguida. Joana D’Arc foi uma delas, acusada em 1430 de usar uma variedade de ervas, incluindo a maconha, para “ouvir vozes”. Na década de 30, um médico de Sergipe relacionou a maconha à prostituição, atribuindo à erva “a motivação para o comércio intersexual, pois sob seus efeitos as prostitutas se entregam ao deboche com furor e, sem fregueses ou parceiros, são capazes de praticar amor lésbico, para satisfazer as exigências da droga”. Mas a grande responsável pela repressão à maconha não foi a ciência, e sim a política.

Nos EUA, as hostilidades contra a maconha começaram a tomar forma a partir dos anos 20, quando a maioria dos americanos sequer sabia de sua existência. Apenas alguns noticiários informavam que a minoria da população, os considerados “desagradáveis”, estavam usando – mexicanos, hindus, latinos, negros e músicos de jazz. Seu consumo ainda não era considerado um problema social. Na década de 20, no entanto, a cadeia de jornais de William Randolph Hearst começou uma campanha para criminalizar o uso da maconha. Tornaram-se comuns as manchetes de acidentes de carros nos quais era encontrado um cigarro de maconha. A fim de vingar-se do governo mexicano, o qual lhe havia confiscado uma propriedade, Hearst também usou a droga para pintar um quadro mostrando os mexicanos como preguiçosos maconheiros.

As matérias também afirmavam que os negros que violentavam brancas também o faziam sob o efeito da cannabis. Reportagens retratavam negros e chicanos como bestas enlouquecidas sob a influência da maconha, que tocavam “uma música satânica” (jazz).

Levando esse medo ao nível seguinte, promoveu-se a idéia de que a maconha provocava um comportamento violento e deveria tornar-se ilegal. Em 1937, a maconha era proibida nos EUA e logo, quase todos os países do mundo fariam o mesmo. Por iniciativa dos EUA, Brasil, Venezuela e Gana, em 1945 a cannabis era inscrita na Carta das Nações Unidas como uma inimiga a ser combatida e seu consumo vedado nos países membros da organização.


foto: Annie Goudeneiche
O trompetista Dizzy
 Gillespie: "música
 satânica"

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