Curiosidade:
- A erva é plantada em covas, com
aproximadamente um metro de diâmetro. Em cada cova são
cultivados até quatro pés. Para a semente se desenvolver,
precisa ser irrigada duas vezes por dia, o que é feito
manualmente, com baldes. Quando se pretende obter uma erva de
qualidade superior, usa-se algum tipo de fertilizante. |
Curiosidade:
A maconha é uma exceção no circuito do narcotráfico.
Diferentemente da cocaína e da heroína que percorrem grandes
rotas do produto ao consumidor, o comércio da maconha é
abastecido basicamente por produções locais. As plantações
estão espalhadas e se localizam próximas aos mercados
consumidores.O Brasil é um clássico exemplo de país produtor e
consumidor, onde o tráfico é interno. |

Maconha:
verdades
&
mitos |
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Cabrobró: a
capital brasileira da maconha |
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A
568 Km de Recife, no centro do polígono das secas - a mais árida
e pobre região do país - no alto sertão pernambucano, fica a
cidade de Cabrobró. Ela, que já foi considerada a capital
pernambucana da cebola, hoje é considerada a capital brasileira
da maconha, sendo este produto até 15 vezes mais rentável que a
cebola. Essa realidade se repete em municípios como Orocó e Ibó.
Nessa região, onde o desemprego atinge até 50% da população
economicamente ativa, as plantações ilegais de maconha chegam a
gerar cerca de 25 mil empregos. |
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Com
a falta de uma política de incentivo e proteção ao pequeno
agricultor, a cada dia mais pessoas são empurradas para os
maconhais, aumentando o exército de trabalhadores clandestinos,
espécie de “guerrilheiros da maconha”. Eles raramente mostram
o rosto a forasteiros, omitem o sobrenome e só andam armados. Um
dia de trabalho num roçado de maconha rende R$ 30, quase 15 vezes
mais do que se pode ganhar numa lavoura de cebola. Para o produtor
de maconha o negócio também é muito rentável, por um saco de
60 Kg de feijão ele recebe R$ 30, exatamente o mesmo valor de um
único quilo de maconha. Um hectare da erva rende até 100 mil
reais, quantia equivalente a 257 hectares de feijão ou 146 de
tomate. |
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A
polícia local, despreparada e mal equipada, não tem acesso as
plantações. Quando a Polícia Federal (equipada com barcos e
helicópteros) é acionada, não consegue efetuar sequer uma prisão,
por conta da publicidade feita em cima da operação pelo Governo
Federal. A dificuldade de acesso as plantações, localizadas em
pequenas ilhas ao longo do rio São Francisco, também atrapalha o
trabalho dos policiais. Ainda assim, quando as operações são
bem sucedidas, as terras onde se cultiva a maconha não podem ser
usadas para a reforma agrária, pois o produtor (proprietário da
terra) nunca é preso em flagrante. |
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Plantador de
maconha:
colete e arma da polícia para
ir ao roçado. |
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Todas
as ilhas estão cadastradas na prefeitura e recebem o carnê de
impostos regularmente, mas a polícia não tem como provar que
seus proprietários sabiam o que estava sendo plantado em suas
terras.
A
cultura ilegal da maconha é considerada pela polícia como o
principal motivo do aumento da violência na região. Na cidade de
Cabrobró, antes tranqüila, agora quase todo mês aparece alguém
morto no meio do mato. Apesar dos riscos de se trabalhar nas
plantações de maconha, a população dessas regiões não tem
outra saída. Enquanto o governo não define uma política de
incentivos agrícolas para o sertão, plantar maconha continua
sendo o “barato do momento”. |
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