A Informática

A informática passou a ser responsável não apenas pelo controle do meio ambiente das estufas, mas também serve de sistema de segurança para seus proprietários. Utilizando-se de softwares apropriados, através de telefone um produtor pode entrar em contato com outro. Esta comunicação é feita por serviços de correios eletrônicos privados. Se a polícia invadir a estufa, sensores eletrônicos de movimento dão o alarme. Tanto o material de montagem da estufa quanto os programas de controle informatizados podem ser comprados por reembolso postal. Uma das principais vitrines para todos estes equipamentos é a revista americana High Times

 
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Maconha:
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Cannabis do futuro

As explosões de consumo, produção e qualidade da maconha americana são frutos de dois pilares dos anos 90: a cibernética e a engenharia-genética. É verdade que a nova marijuana também é filha bastarda da política governamental americana de combate às drogas. Os plantadores contemporâneos de cannabis não são mais humildes camponeses de países ensolarados tampouco hippies de comunidades papo-cabeça. Os fazendeiros de agora dependem menos do solo fértil e do sol e estão cada vez mais voltados para a tecnologia. São geneticistas, botânicos, analistas de computadores que montaram suas “fazendas” em pequenos apartamentos urbanos. Toda uma plantação cabe num espaço do tamanho de uma cama de casal. Dentro de um prosaico armário – equipado com lâmpadas de 600 watts, ventiladores, um sistema de irrigação automática, fertilizantes e um computador programado para cuidar de tudo – pode-se acomodar uma fazendinha com cerca de 100 pés de maconha. O faturamento obtido a partir deste armário high-tech será de US$ 180 mil por safra.

foto: andré grossmann

A nova maconha não se parece nada com a velha planta de folhas pontudas como uma estrela, e que atinge entre dois e cinco metros de altura. As espécies contemporâneas são pequeninas como “Bonsai” aquela árvore miniatura japonesa do tamanho de um anão de jardim. São peludas e oleosas, com folhas fechadas como punhos e agregadas em cachos, da cor de ferrugem e verde bem escuro. Estes mutantes são resultado de misturas de espécies desenvolvidas dentro de estufas para burlar a repressão policial exercida no cultivo ao ar livre. A mudança provocou intenso trabalho de pesquisa genética e tecnológica. Processos de criação seletiva possibilitaram a cópia dos melhores exemplares. Passou-se a manipular padrões de luz recebida pelo vegetal, a quantidade de dióxido de carbono no ar e as quantidades de nutrientes recebidas pelas raízes. Esses recursos fazem com que a planta complete um ciclo inteiro de floração com apenas dois meses.

As Estufas

Na estufa, um emaranhado de tubinhos de plástico automaticamente abastece as plantas com nutrientes líquidos, enquanto um tanque de dióxido de carbono exala eflúvios no ar. Durante 12 horas por dia, cerca de quatro lâmpadas de sódio de 600 watts de potência banham as cannabis com hiperluminosidade. As demais horas são passadas em absoluta escuridão. O controle de luz deve ser rigoroso, pois vai determinar a qualidade e quantidade de produção. Mas são as lâmpadas fortes que denunciam os horticultores à polícia. Os agentes do DEA (Drugs Enforcemente Agency) verificam que a conta de eletricidade de um determinado local está absurdamente alta. A partir disso, invadem o local e destroem a fazendinha, mas poucas vezes agarram o agricultor.

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