- Fumar durante a gravidez prejudica a criança.
 VERDADE 
  É uma das novidades mais assustadoras publicadas pelo relatório. "Usar a droga antes ou durante a gestação pode deixar as crianças mais suscetíveis a certos tipos de câncer." Entre os tumores observados está o da chamada leucemia não-linfoblástica, que contamina o sangue, e o do rabdomiosarcoma, que ataca os tecidos nervosos. Mas ainda não há certeza de que a canabis esteja mesmo associada a esses males porque, se existe alguma outra causa, as pesquisas já feitas não conseguiram detectar. O relatório da OMS  declara que é preciso investigar a hipótese mais a fundo. Um outro problema são as crianças que nascem pesando abaixo do normal devido ao contato prévio da mãe com a erva tóxica. Sobre esse ponto quase não restam dúvidas.
 
- Os homens produzem menos espermatozóides
 MENTIRA
  Caiu por terra o mito de que os homens que fumam a droga passam a produzir menor quantidade de hormônio testosterona. Também não fica mais de pé a suposição de que o número de espermatozóides diminui.
 
Curiosidade:
Reprimir não reduz o consumo. Legalizado em 1976 na Holanda, o consumo cresceu de 3% para 12% em 1991. Nos Estados Unidos, a repressão aumentou e o consumo subiu muito mais. Chegou a 50% dos alunos de segundo grau.
 
Curiosidade:
- 90% das pessoas que usam maconha na juventude param de fumar por volta dos 30 anos. Quem experimenta cigarro e álcool continua a consumi-los por muito tempo ou por toda a vida.
 
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Maconha:
verdades
&
mitos

  

 

Veja aqui algumas das verdades e mentiras sobre os efeitos da maconha no organismo, publicadas no relatório da Organização Mundial de Saúde em dezembro de 1997.
foto: benê d. jr. - Destrói a atenção, a memória e a capacidade de aprender.
MENTIRA
 
As pesquisas mais recentes negam o clichê do maconheiro sonhador e distraído. Fumar ou não produz diferenças mínimas.
- A maconha provoca desastres de trânsito.
 VERDADE
   Essa é uma nova preocupação dos especialistas. Sob a ação da droga, fica mais difícil executar desde tarefas simples, como datilografar, até de maior responsabilidade, como dirigir um automóvel. Em simulações, motoristas que fumaram 1 hora antes do teste brecam em hora errada e demoram para reagir aos sinais de trânsito.
- O motorista perde totalmente a capacidade de se controlar.
 MENTIRA
   Alguns testes sugerem que o fumante percebe a diminuição da coordenação motora e procura compensar essa deficiência, concentrando-se mais no que está fazendo. Nos desastres de trânsito em que o motorista demonstra ter fumado maconha, é comum ele também ter bebido álcool. Com a mistura, é óbvio que a erva não tem culpa sozinha no cartório.
- Os neurônios ficam estragados.
 MENTIRA
   A idéia de que a maconha afeta as funções do cérebro porque causa algum tipo de dano aos neurônios não está comprovada. As pesquisas dão resultados ambíguos. Certas imagens das células cerebrais de ratos, obtidas por tomógrafos, parecem ligeiramente deformadas, especialmente nos pontos em que elas tocam umas nas outras, chamados sinapses. Mas em outras experiências não se vê alteração nenhuma. Logo não é possível tirar uma conclusão definitiva. Diante da relevância do assunto, o relatório da OMS sugere que se façam estudos mais aprofundados.

- Quem usa maconha pode partir para drogas mais pesadas
 VERDADE
   Meninos e meninas, especialmente nos últimos anos, têm, sim, seguido essa trilha. "Nota-se que a experiência com a cannabis precede o interesse por outras substâncias", diz o documento. São a s colas de sapateiro, as anfetaminas, a cocaína e a heroína.Os especialistas também escrevem que, "quanto mais cedo se começa a fumar, maior é o envolvimento com a maconha". E concluem que, entre os jovens nessa situação, é maior a possibilidade de contato com coisas mais perigosas.

- Sempre que um usuário procura outras drogas, a culpa é da maconha.
 MENTIRA
   Mas atenção: apesar de ser verdade que muitos jovens ampliam o coquetel de drogas depois de experimentar a maconha, isso não quer dizer que a culpa cabe exclusivamente a ela. O próprio hábito de recorrer à cannabis pode ter tido causa mais profunda, como problemas familiares, falta de perspectiva e assim por diante. Aí, o fumante da cannabis amplia o seu repertório de drogas pelos mesmos motivos. Essa, aliás, é a explicação preferida dos pesquisadores reunidos pela OMS. Como esforço, eles lembram que "a imensa maioria dos usuários de maconha não usa a cocaína e a heroína".

- Quem fuma muito tempo pode acabar caindo na dependência.
 VERDADE
   Grande parte dos usuários pesados, desses que fumam diariamente durante meses, acaba se viciando. As estatísticas indicam que até metade dos fumantes desse tipo perdem o controle sobre o hábito e precisam de tratamento para se recuperar. Entre os que não conseguem a cura, muitos apresentam sintomas que agravam a dependência. Ficam desmotivados para qualquer coisa, tornam-se menos produtivos em suas atividades, sofrem de depressão e têm auto estima abalada.

- Então todos ficam viciados.
 MENTIRA
   Apenas fumantes pesados caem na dependência, e eles, de acordo com os dados do relatório, são cerca de 10% de todos os que experimentam a droga. Dito de outra maneira, o vício nem é inevitável, nem acontece com freqüência. "Fumar é um hábito de adolescentes", lê-se no relatório. Tanto nos Estados Unidos como na Europa, eles representam a grande maioria dos usuários - perto de 70% do total - e a proporção de adultos não cresce.

- A produção de hormônios sexuais femininos pode ficar reduzida, alterando o ciclo menstrual.
 VERDADE
  Existem indícios de que a droga deixa o organismo com falta de diversas substâncias essenciais à reprodução, entre as quais os hormônios. A carência ocorre durante uma das etapas da menstruação, a chamada chamada fase luteal, e a ovulação demora mais do que demoraria normalmente. Esse efeito ainda não está bem esclarecido nas mulheres porque em alguns exames ele aparece e em outros não. Mas os especialistas reunidos pela OMS estão convencidos de que ele existe, pois, nos testes com ratos e macacos, a queda de produção pôde ser medida com precisão. A conclusão dos pesquisadores é que a ação da maconha sobre o aparelho reprodutor feminino não deve ser menosprezada.

- Atrapalha a performance de esportistas.
 MENTIRA
   Atletas como jogadores de futebol que fumam até três cigarros de maconha por dia não apresentam nenhuma diferença de capacidade respiratória em relação aos que não fumam.

- A fumaça traz danos ao pulmão e está associada ao aparecimento de bronquite.
 VERDADE
  O efeito sobre o aparelho respiratório, em conseqüência de doses elevadas da erva, está solidamente comprovado. Aparecem lesões na traquéia, nos brônquios e, em menor intensidade,em algumas células de defesa do organismo chamadas macrófagos alveolares. Os usuários, então, ficam um pouco mais vulneráveis do que o resto da população. Especialmente à bronquite obstrutiva crônica.
Foto: tony fleury

- As crises de esquizofrenia podem ficar mais fortes nos pacientes que fumam.
 VERDADE
   Em algumas situações, nota-se que, se a dose de cannabis é grande, cresce também a chance de uma crise. No entanto, não dá para provar que a maconha provoque a doença.

- Causa câncer com certeza.
 MENTIRA
   A fumaça da maconha contém algumas das substâncias do tabaco que estão ligadas ao câncer. E até em maior quantidade. Sabendo disso, os pesquisadores ficaram em estado de alerta ao descobrir tumores malignos no aparelho respiratório de alguns usuários jovens. Mas até agora só o que há é uma desconfiança. Ainda é preciso examinar mais pacientes, pois aqueles em que os tumores foram identificados também consumiam álcool e tabaco. Não há conclusão possível, resume o relatório.
foto: benê d. jr. 7Voltar                 5Subir

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