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Desde
o século passado a chamada alta cultura ocidental mantêm um
flerte, mais ou menos aberto com a cannabis.
Longe de restringir-se a marginais e roqueiros de nossos dias, o
uso da droga tem sido comum nos últimos 150 anos entre
escritores, poetas, pintores, psiquiatras e até mesmo
presidentes. Em 1844 já funcionava em Paris, então centro da inteligência
mundial, o Club des Hashishins, freqüentado por poetas como
Charles Baudelaire, que por volta desta época escreveu “O
Poema do Haxixe”. A lista de chapados ilustres e letrados
ocuparia gigabytes, mas não se pode deixar de mencionar
Rimbaud, Walter Benjamin, Alexandre Dumas, Lewis Carroll, Aldous
Huxley, Henry Miller e Paul Bowles. Na década de 50 William
Burroughs escreveu: “É lamentável que a cannabis,
com certeza a mais segura das drogas psicoativas, esteja sujeita
às mais pesadas sanções legais”. A partir dos anos 60,
tornou-se quase impossível citar alguém que tenha destacado-se
nas artes e na cultura e nunca tivesse fumado um baseado.
E
numa época em que alta cultura se mistura com alta política,
vale sempre lembrar que nosso próprio presidente admitiu, anos
atrás, numa entrevista à Playboy, ter experimentado a erva.
Durante as eleições presidenciais de 92 nos EUA, o então
candidato Bill Clinton, também admitiu já ter fumado, mas
tentou livrar a cara garantindo que não tragou a erva. A
democracia americana fecha um ciclo: seu primeiro presidente,
George Washington, possuía uma plantação de cannabis
para consumo próprio. Está nas anotações feitas nos dias 12
e 13 de maio e 07 de agosto de 1765 no diário mantido pelo
fundador da nação americana. |