Sadomasoquismo, um império de dor e prazer

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(continuação)

A promessa de uma "autêntica sala de exames médicos'' frequentemente consta dos anúncios de rainhas na imprensa S&M (sado-masoquista). A sala médica da Enfermeira Wolf é muito bem equipada e, excetuando a presença de algemas e chicotes, se assemelha muito a um consultório de ginecologista. E a Enfermeira Wolf tem muito mais equipamentos no resto do apartamento que ela qualifica como seu estúdio ou, às vezes, como "minha masmorra" ("dungeon"). A palavra "masmorra'' soa bastante apropriada para duas das salas, em vista da mobília: um caixão preto, uma jaula de aço, colunas e bancos aos quais se pode amarrar pessoas para serem açoitadas e um saco de borracha suspenso capaz de conter um homem pendurado como morcego.

Depois de várias longas conversas com a Enfermeira Wolf, comecei a me indagar seriamente se haveria algum tipo de pessoa que ela não recebesse de bom grado em seu local de trabalho.

"Se uma pessoa me telefona e diz: 'Sou muito atraente. Faço ginástica sempre e ganho muito dinheiro', eu não me interesso por ela'', disse a Enfermeira Wolf. "E os homens mais jovens também não servem. Eles se acham tão bonitos. Não chegam na hora certa. Não têm respeito. Não gosto nem um pouco de homens jovens _caras do tipo 'você vai me amarrar e querer ficar comigo para sempre'. O que quero ouvir é 'não tenho muita experiência real, mas quero crescer nessa área e tenho fantasias tipo x, y ou z'. Talvez eles ainda não saibam o que isso quer dizer em suas vidas _que isso tem um lugar em suas vidas. Tenho muitos clientes ótimos''.

"O que faz um cliente ser ótimo?''

"Os bons clientes têm um bom senso de humor e confiam em mim. Gosto de pessoas agradecidas e realmente respeitosas. O único 'porém' é que, depois de você os espancar violentamente, eles ligam pra você 20 vezes para lhe agradecer.'' Quanto a sessões com mulheres, em dez anos ela só foi procurada por duas mulheres sozinhas, com fins profissionais. Sua explicação para isso é que as mulheres apresentam tendência menor a pagar para serem abusadas, já que têm maior probabilidade de sê-lo em seus relacionamentos. Como acontece em qualquer centro de tratamento, uma pessoa não é aceita como cliente sem uma verificação prévia. Alguém simplesmente chegar, sem hora marcada, está fora de questão _a Enfermeira Wolf não recebe estranhos.

A Enfermeira Wolf sabe que, quando está sozinha com seus clientes, qualquer coisa pode acontecer. Mesmo alguns homens que ela pensava conhecer bem já passaram a segui-la na rua e a assediá-la com telefonemas sem fim. No verão passado uma rainha que trabalhava na Upper West Side foi encontrada morta a tiros em sua masmorra. "Isso me preocupa'', disse a Enfermeira Wolf. "Os clientes sabem onde você está e acham que possuem informações comprometedoras a seu respeito.''

Depois disso, a Enfermeira Wolf conversa com os clientes ao telefone. Rejeita alguns. "Adoro os doidos e os tipos psicóticos, mas são muito instáveis'', disse. Quando o cliente escolhido chega, eles conversam mais, talvez por uma hora ou mais, antes de dar início à sessão. "Imagino que chicotear uma pessoa deva ser bem cansativo. Quantos você açoita num dia?''

"Não muitos. Mas às vezes faço sessões mais longas.A mais longa dura umas dez horas.''

Ela é uma das rainhas mais ativas de Manhattan. Quanto a seus clientes, são de todos os tipos.

Gosta de todos seus clientes, mas tinha uma predileção especial pelos ingleses. "Eles têm um senso de perversão muito aguçado. Adoram jogos. Além disso, são muito corteses respeitosos, formais. E são capazes de ser verdadeiros putos'', me falou, sorrindo com aprovação sincera.

O mundo do S&M em Nova York está ligado a muitas outras coisas: o cenário artístico, o cenário musical, o cinema, até mesmo a publicidade. A Enfermeira Wolf vive perto de tudo isso e me deu a impressão de que, para sua família, seu trabalho, que ela jamais comenta, gira em grande medida em torno desse cenário. Ela tinha um largo círculo de amigos. Eu a achei divertida, simpática e generosa. E, como se exercitava numa academia quase diariamente, estava em ótima forma física. No abraço de urso com que habitualmente nos despedíamos, ela sempre me deixava ofegante.

Por praticamente qualquer critério possível, ela estava envolvida nos prazeres mais sombrios imagináveis. Ela me fez descrições detalhadas de muitos deles, chegando a mencionar os uivos exaustos de prazer de um homem dobrado em dois e preso por correntes, com a pele rachada e o sangue escorrendo dela sob o crepitar de um chicote. "A chance de introduzir algo no corpo de alguém'', em suas próprias palavras, lhe proporcionava prazer intenso. Ela era fascinada pela "bondage'' (submissão) japonesa com cordas e por seus nós complexos, por qualquer variação que alimentasse seu sadismo.

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