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Depois de várias longas conversas com a Enfermeira
Wolf, comecei a me indagar seriamente se haveria algum tipo de
pessoa que ela não recebesse de bom grado em seu local de trabalho.
"Se uma pessoa me telefona e diz: 'Sou muito atraente.
Faço ginástica sempre e ganho muito dinheiro', eu não me interesso
por ela'', disse a Enfermeira Wolf. "E os homens mais jovens também
não servem. Eles se acham tão bonitos. Não chegam na hora certa.
Não têm respeito. Não gosto nem um pouco de homens jovens _caras
do tipo 'você vai me amarrar e querer ficar comigo para sempre'.
O que quero ouvir é 'não tenho muita experiência real, mas quero
crescer nessa área e tenho fantasias tipo x, y ou z'. Talvez eles
ainda não saibam o que isso quer dizer em suas vidas _que isso
tem um lugar em suas vidas. Tenho muitos clientes ótimos''.
"O que faz um cliente ser ótimo?''
"Os bons clientes têm um bom senso de humor e confiam
em mim. Gosto de pessoas agradecidas e realmente respeitosas.
O único 'porém' é que, depois de você os espancar violentamente,
eles ligam pra você 20 vezes para lhe agradecer.'' Quanto a sessões
com mulheres, em dez anos ela só foi procurada por duas mulheres
sozinhas, com fins profissionais. Sua explicação para isso é que
as mulheres apresentam tendência menor a pagar para serem abusadas,
já que têm maior probabilidade de sê-lo em seus relacionamentos.
Como acontece em qualquer centro de tratamento, uma pessoa não
é aceita como cliente sem uma verificação prévia. Alguém simplesmente
chegar, sem hora marcada, está fora de questão _a Enfermeira Wolf
não recebe estranhos.
A Enfermeira Wolf sabe que, quando está sozinha
com seus clientes, qualquer coisa pode acontecer. Mesmo alguns
homens que ela pensava conhecer bem já passaram a segui-la na
rua e a assediá-la com telefonemas sem fim. No verão passado uma
rainha que trabalhava na Upper West Side foi encontrada morta
a tiros em sua masmorra. "Isso me preocupa'', disse a Enfermeira
Wolf. "Os clientes sabem onde você está e acham que possuem informações
comprometedoras a seu respeito.''
Depois disso, a Enfermeira Wolf conversa com os
clientes ao telefone. Rejeita alguns. "Adoro os doidos e os tipos
psicóticos, mas são muito instáveis'', disse. Quando o cliente
escolhido chega, eles conversam mais, talvez por uma hora ou mais,
antes de dar início à sessão. "Imagino que chicotear uma pessoa
deva ser bem cansativo. Quantos você açoita num dia?''
"Não muitos. Mas às vezes faço sessões mais longas.A
mais longa dura umas dez horas.''
Ela é uma das rainhas mais ativas de Manhattan.
Quanto a seus clientes, são de todos os tipos.
Gosta de todos seus clientes, mas tinha uma predileção
especial pelos ingleses. "Eles têm um senso de perversão muito
aguçado. Adoram jogos. Além disso, são muito corteses respeitosos,
formais. E são capazes de ser verdadeiros putos'', me falou, sorrindo
com aprovação sincera.
O mundo do S&M em Nova York está ligado a muitas
outras coisas: o cenário artístico, o cenário musical, o cinema,
até mesmo a publicidade. A Enfermeira Wolf vive perto de tudo
isso e me deu a impressão de que, para sua família, seu trabalho,
que ela jamais comenta, gira em grande medida em torno desse cenário.
Ela tinha um largo círculo de amigos. Eu a achei divertida, simpática
e generosa. E, como se exercitava numa academia quase diariamente,
estava em ótima forma física. No abraço de urso com que habitualmente
nos despedíamos, ela sempre me deixava ofegante.
Por praticamente qualquer critério possível, ela
estava envolvida nos prazeres mais sombrios imagináveis. Ela me
fez descrições detalhadas de muitos deles, chegando a mencionar
os uivos exaustos de prazer de um homem dobrado em dois e preso
por correntes, com a pele rachada e o sangue escorrendo dela sob
o crepitar de um chicote. "A chance de introduzir algo no corpo
de alguém'', em suas próprias palavras, lhe proporcionava prazer
intenso. Ela era fascinada pela "bondage'' (submissão) japonesa
com cordas e por seus nós complexos, por qualquer variação que
alimentasse seu sadismo.
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