Sadomasoquismo, um império de dor e prazer

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DEPOIMENTO DE cdusi@hotmail.com.br

Eu percebi o tom agressivo no momento em que ele agarrou meus cabelos pela nuca e puxou minha cabeça para trás, expondo minha boca ao seu beijo ou meu rosto à palma da sua mão. Nem uma coisa nem outra: o prazer do verdadeiro sádico é negar o que é esperado ou desejado, mesmo que este seja a dor. E assim inesperadamente, enquanto ainda me preocupo com a agressividade que emprega para tentar me penetrar e a dor que isto acarreta ele me esbofeteia com força, meus olhos se arregalam com a surpresa e os dele brilham, agora o caminho está livre para a entrada, se doer tanto melhor. E àquele tapa outros se seguiram, ritmados em relação aos movimentos da penetração. Mas quero mais. Se for para chupá-lo quero que ele esteja de pé, enquanto eu ajoelhado olho para cima em atitude de adoração. Ele me mostra seu desprezo mijando sobre meu corpo, aos poucos elevando o jato de urina para a direção do meu rosto, se insinuando para os meus lábios, que um chute na perna me avisa devem ser abertos. O jato entra forte e ruidoso pela minha boca que cheia transborda. Sem esperar que eu decida engolir ou cuspir ele enfia o pau dentro dela, e agarrando minhas orelhas mete o que pode dentro da minha garganta, se divertindo com meu engasgo e dificuldade de respirar. Verbalizando o tempo todo seu desprezo, me obriga a chupá-lo com doçura, enquanto vai dando tapas nas bochechas que o acolhem. Apesar de ter sido avisado para não gozar na boca na hora em que o prazer esta iminente pouco se importa com promessas feitas, e se delicia em direcionar a cabeça ainda ejaculante para dentro, tentando ter toda a extensão do seu membro acolhida. Me dou por satisfeito. O masoquista é o verdadeiro controlador.


CONTO DE luizgoulart@quasar.com.br

O ÓDIO PERDIDO

Era a terceira vez que ela o encarava com aquele olhar de desdém. Ele não agüentava mais aquilo. Quanto tempo ela achava que ele suportaria ? Três anos juntos e infinitas brigas, discussões, humilhações públicas. Era como um concurso, como um teste, cada um explorando ao máximo os limites do outro, testando sempre.
Experimentaram tudo juntos, as delícias intensas de serem como um só, parecia ter ocorrido em um tempo lendário, ou fora um conto de fadas ou uma piada de mau gosto. Experimentaram também a lama, o lodo da relação, drogas, álcool, trocaram segredos íntimos, revelações...Tudo! Afinal, eram um só.
Mas naquela noite ela estava usando a arma mais terrível, reservada para momentos extremos. Ele sentia um misto de raiva, desprezo e desejo. Segurou-a pelo pulso, forte. Ela levantou o queixo, jogou o cabelo para trás...e aquele olhar...Ele jogou-a no sofá e ela ainda exibia o sorriso, cínico, superior, cada vez mais venenosa.
Ela, cada vez mais dona da situação. Quem conseguiria dobrá-la, vencê-la ? Ele decidiu que naquela noite, naquela hora, pelo menos por um minuto ele seria capaz de derrotá-la.
Meio envolvido por essa tênue gana de macho ferido ele se moveu. Seguro finalmente. Mas ela não o sabia ainda.
O sorriso ainda continuava ali, o desprezo também. Ela usava toda a munição. Ele avançava como um gato, como uma cascavel e sem que ela esperasse, porque ele nunca o fizera antes, rasgou-lhe a blusa com violência e força e os seios dela saltaram firmes sob o tecido.
A visão o provocou mais. Era como um selo, um sinal, um símbolo. O sorriso agora já era forçado, o pudor, atávico. Surpresa mal disfarçada. Mas ela bem que tentou. Fêmea acuada, tentou... A munição já fora gasta ? Ele ainda não sabia.
Estava determinado. Sentou-se entre as pernas dela e com ódio e desejo no olhar, enfiou as mãos sob o seu vestido, alisando as suas coxas sem desviar os olhos do seu olhar.
Se ela resistisse era como capitular, se se entregasse era como dar-se por vencida. A dúvida estava tão presente quanto a faísca quase morta do desejo que súbita e sorrateiramente parecia reacender. Ele seria capaz de fazer aquele desejo reviver? A umidade no baixo ventre parecia gritar que sim. Sim!
Mas na mente, ou seria no peito, a raiva, os remorsos e o desejo de castigá-la pareciam ainda ser fortes. Ele era forte, sua barba mal feita de alguns dias, o cheiro de álcool e maconha tornavam sua figura um misto de mendigo, de homem do mundo, marinheiro, os desejos de moça dela.
Quanto tempo? Ela ainda se lembrava de tudo, quanto se rastejara, quanto se humilhara, implorara carinho. Aquele homem era o homem que matara sua inocência. Aquela mulher agora era ela. Decidira após esse tempo todo vingar-se dele mas a mão alojada agora no desvão da vagina era onipotente, retirando-lhe as energias que precisava para cumprir a missão. Aquela umidade teimava em contradizer o olhar de des-pre-zo.
Ele baixou o rosto e mordeu delicadamente, queria ser rude, foi suave, um dos bicos de um dos seios. Percebendo-se suave mordeu mais forte. Queria ser rude. O bico do seio crescia dentro da sua boca. Ele desceu com a língua pela barriga até o umbigo, mergulhou devagar fazendo voltas, a barriga dela agora descia e subia, ela já arfava baixinho, tentava controlar-se mas o sangue já inundava o seu rosto e todo o resto. A mão queria acariciar os cabelos desse homem, mas ela resistiu no meio do caminho.
Bravamente, ela lutava contra uma maré, um oceano de carne que pulsava. Ele levou uma das mãos à braguilha e apressadamente tirou seu pedaço mais quente e resistente. Ela olhou, misto de assustada, curiosa e desejo. Ele avançou como um huno para dentro dela. Agora que ele sabia que havia toda aquela umidade ali, ele parecia ter um convite formal.
Há eras, parecia ter ocorrido em outra vida, tal a distância que eles se impuseram, ela conhecia, atávica que era, essa sensação. Lembrava-se agora, fora a conquista, o prêmio que se permitira receber. Foi quando se concebera mulher.
Mas não se tornara mulher quando ele destruiu sua inocência fazendo-a rastejar-se? Ou havia se tornado mulher antes?
Aquele homem arremessava-se agora com uma fúria primal para dentro dela. Ela se lembrava. Ele socava cada vez mais forte, cada vez mais bárbaro, a raiva e o desejo, o desejo, a raiva e o desejo...
Ela se lembrava de algo parecido, mas nunca tão forte.
Ele decidira que ela teria o maior prazer que já sentira na vida, ela saberia como ele podia ser bom. Como ela tinha sido estúpida de tê-lo afastado de si, atirando-o na terrível miséria de não ter a quem se dar. Ele iria destruir suas barreiras. Quanto mais forçava mais elas iam caindo, uma por uma. A raiva então parecia tão distante. Do que era mesmo que ela o culpava ?
E o prazer em ondas, aquelas vagas titânicas de prazer.
Ele não gozaria jamais, ela jamais deixaria de gozar. Ele ainda tinha bem presente o ódio que havia entre os dois. Aquela conjunção era sua única arma contra tanto veneno dela.
Ele não sabia ainda que tudo que agora restava daquela mulher fortaleza era a caverna escura e úmida por onde a penetrava como um aríete em brasa. Tudo que sobrava eram ruínas de uma casamata onde ele, totem em chamas, saboreava sua vingança.
Ela estava toda entregue, acariciava-o, cruzava as pernas nas suas costas no sofá, posição difícil, ela gritava, urrava de prazer, ele arremessava como um selvagem, um cruzado, um alucinado, a sua mulher, a sua mula, sua... Ele não ousava ainda pensar. Ele cada vez mais excitado, silencioso, nem um gemido, o suor banhava todas as partes, as mais secretas. Ele não falava, não gritava, só a respiração pesada, quase um arfar murmurado. Ele calado. Ele, concentrado, não gozaria jamais. Estava reservado para ela como uma overdose.
Quanto tempo seria necessário, horas, dias, 3 anos ? Mais?
A mão descia agora suave pelo rosto dela, pelos seios, ele agarrara um seio. Agora seria dor? Ele a esbofeteava!!! Esbofeteava forte!!! Nunca fizera aquilo antes. Porque nunca fizera aquilo antes? Ela nunca se sentiu tão dominada pelos sentidos. Cada bofetada dele era como uma rajada de espasmos que lhe percorriam todos os milímetros da pele, era calor e era cheiro, o som do tapa nas faces, na boca, a cabeça voltando-se para os dois lados, para um lado e para o outro. Ela nunca antes sentira-se tão liberta da vergonha. Sentia dor e gostava. A dor-prazer ! De onde veio tudo aquilo? Daquele homem? Daquela mulher? Eram desconhecidos. 3 anos juntos e não se sabiam. Quanto mais ela gemia mais ele calava e estocava.
Do que era mesmo que ela o culpava ? Do que era mesmo que ele a culpava?
Então, finalmente, quando não havia mais como resistir, ele, o homem, entregou-se a ela. Desabou num grito imenso. Um imenso e contido grito apenas e todo um mundo veio abaixo. Bastava aquele grito e todo o mundo não seria suficiente para restaurar o seu ódio perdido, esfacelado em meio ao jorro de vida com que ele a inundara.

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