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A Enfermeira Wolf lhe disse: "Vamos parar por aqui.
Eu nunca falei que toparia fazer com um camundongo''.
"Por favor'', implorou o homem. "Ele já está meio
morto mesmo.''
O camundongo estava num recipiente de Tupperware,
sem furos para a entrada de ar.
"Eu ia dizer nem pensar!'', contou-me a enfermeira
Wolf. Mas ela concordara em fazer com os outros bichos. Ela tinha
que usar sandálias de salto alto enquanto o homem ficava deitado
de lado, no chão "à perspectiva dos insetos'', nas palavras da
Enfermeira Wolf_, tocando-se.
"Fure o bicho devagar, com o salto.'' Ele queria
que a enfermeira atormentasse os bichos. Depois, dizia "esmague-o!'',
enquanto se agarrava.
O fetiche do esmagador de insetos era incomum, até
mesmo para alguém com a ampla experiência da Enfermeira Wolf.
Não era fácil para ela esmagar os insetos com seu salto agulha
_eles escapavam a toda hora_, e as lesmas eram impossíveis, simplesmente.
"Eu gostava do aspecto aberrante daquilo'', disse
a Enfermeira Wolf.
Quando a Enfermeira Wolf contou a sua psicoterapeuta
que, como "dominatrix'', às vezes se imaginava um animalzinho
peludo com dentinhos afiados e com cauda, a terapeuta disse: "Talvez
seja inveja do pênis''.
"Mas eu tenho pênis!'', gritou a Enfermeira Wolf,
começando a rir. "Tenho pênis aos montes! Tenho um pênis roxo
e grandão, recoberto de brilho. Não sou invejosa.''
Algum tempo depois, a Enfermeira Wolf me disse:
"Adoro mulheres com caudas''. Também me disse: "Adoro rapazinhos
hispânicos gordinhos, com seios. Adoro velhos. Adoro velhos gordos,
moles. Alguns dos homens mais gordos e mais velhos são meus bebês.
Visto fraldas neles. Gosto dos que ficam deitados ali e curtem
o cheiro de talco. Também adoro os perversos _os que são malcomportados
e precisam apanhar muito''.
No mundo virado do avesso, as pessoas à procura
de dor são quase tantas quanto aquelas que buscam alívio para
sua dor.
"Enfermeira Wolf'' foi o nome que dei a essa rainha
da algolagnia _do prazer obtido com a dor. Ela dava prazer infligindo
dor, sentia prazer ao provocá-la. Em nossas conversas, descreveu
um de seus papéis favoritos como sendo o de uma enfermeira num
cenário médico, e o papel lhe cabia como uma luva. Ela tinha pouco
mais de 30 anos, era atraente, tinha saúde perfeita; sua aparência
ainda era a da líder de torcida texana que havia sido; era fácil
imaginá-la no papel de uma enfermeira eficiente, que não se assusta
com nada. Em seu estúdio, tinha uma sala médica e muitos implementos:
fórceps, bisturis e aparelhos elétricos. Em diversas ocasiões,
fiz alguma observação sobre o conhecimento especializado que esses
instrumentos todos sugeriam, mas ela não deu importância a isso,
dizendo que os procedimentos envolvidos eram bastante simples.
A modéstia com que dizia isso era muito típica de enfermeira:
ela fazia um gesto de negativa com a cabeça e dizia: "São cirurgias
domésticas, nada mais''.
Explicou: "Normalmente sou uma enfermeira malévola.
Digo, por exemplo: 'Isto daqui é para seu bem'. Ou 'mamãe quer
medir sua temperatura. Faz parte de seu tratamento'. Sabe, para
algumas pessoas o som de uma luva de borracha sendo vestida faz
muito mais efeito do que um exame interno com dedo especialmente
se seus olhos estiverem vendados''.
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