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A internet abriu as portas do mundo para a produção
jornalística não oficial. Com a visibilidade que a Rede potencializa,
os profissionais independentes ganharam fôlego - montaram sua própria
redação, código de ética, rotina de trabalho, relação com o leitor
e tudo o mais. Será o resultado aquele incômodo excesso de informação?
Alto lá! O resultado é valoroso! Em meio ao material que enche os
sites de busca, as páginas de produção alternativa que melhor se
estruturaram trazem avanços inusitados.
É possível encontrar mais características
do webjornalismo sendo praticadas em sites de jornalismo independente,
que nos grandes portais da imprensa oficial. É o caso por exemplo
do Digestivo Cultural.
Inaugurado há dois anos, o site inova no aproveitamento de texto
dos leitores, mantém memória de fácil consulta e desenvolve todo
material em hipertexto. O internauta encontra no Digestivo uma estrutura
que otimiza o conteúdo fazendo circular a informação por diversas
correlações possíveis.
Enquanto o Digestivo se especializou
em jornalismo cultural, a revista
Novae funciona como um portal dividido em páginas diferenciadas
por temáticas sociais. O ativismo político
que norteia a maioria dos textos da Novae tem vertentes sobre direitos
da mulher, ações pela paz,direitos humanos e ecologia, arte
e mídia . A cada atualização semanal, o uso de fotos e ilustrações
é intenso – o que nos grandes nichos noticiosos da internet ainda
é raro. Na produção, predomina a análise opinativa, os bastidores
da cobertura oficial e matérias exclusivas que não são pautas na
mídia. Vence o pluralismo das fontes.
Já o centro
de mídia independente (CMI), iniciativa de um grupo de jornalistas
sem vínculo com a imprensa oficial, alia interatividade, hipertextualidade
e multimidialiadade. Foi criado em Seattle como uma forma alternativa
de cobrir as manifestações populares e o "Encontro do Milênio"
da OMC (Organização Mundial do Comércio) em Novembro de 1999. Hoje
o site é produzido em mais de vinte países. No
Brasil, nasceu como desdobramento do protesto de 26 de setembro
de 2000, enquanto se reuniam, em Praga, o FMI e o Banco Mundial.
O CMI recebe e armazena vídeos,
imagens, sons e textos.
Todo o material pode ser publicado e reproduzido sem copyright por
qualquer pessoa ou órgão da mídia independente sem fins comerciais.
O lema é: “Odeia a mídia? Torne-se a mídia”.
E quem está por traz disso aí? O
mercado de trabalho do jornalismo independente não exige diploma.
Aliás o próprio conceito de jornalista é relativizado pelos editores
e webwriteres. Em entrevista ao Panopticon,
Rafael Wally, responsável pelo Grito
magazine , deixa claro essa flexibilização. O diretor de edição
da Novae, Manoel
Fernando Neto, defende que quem escreve para a web não precisa
ser jornalista, mas deve ter maior responsabilidade. Se são bons
ou maus os impactos dessa polêmica para a prática jornalística,
o tempo ainda vai responder. O fato é que até na discussão, os textos
do jornalismo alternativo da internet fizeram avançar.
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