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Diretor e roteirista
Nascimento: 4 de abril de 1920, Nancy, França.
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Eric Rohmer foi um dos fundadores da influente revista de cinema, Cahiers Du Cinéma, onde ele também foi editor de 1956 a 1963. Nascido Jean-Marie Scherer, ele escreveu um romance durante a Ocupação usando o pseudônimo Gilbert Cordier e começoua escrever críticas cinematográficas utilizando o nome Eric Rohmer. Entre seus escritos críticos estão uma monografia sobre Alfred Hitchcock (co-escrito por Chabrol) e uma dissertação sobre F.W. Murnau, cuja "rica imaginação" ele sempre admirou.
Rohmer testou o seu próprio talento em curtas durante os anos 50, desistindo do seu primeiro projeto de longa, Les Petites Filles Modeles, em 1952. A produtora de Chabrol financiou o primeiro longa completado por Rohmer, La Signe Du Lion (1960), mas este foi apenas um manifesto dito revolucionário em termos de linguagem cinematográfica. Rohmer partiu para uma virada filosófica e mais literária da sua arte, concebendo os seus "Seis Contos Morais", não como fábulas moralistas, mas como laboratórios que, como descreve Rohmer, "lidavam menos com o que as pessoas fazem do que com o que está passando pela cabeça delas enquanto elas estão fazendo isso. Um cinema de pensamentos, ao invés de um cinema de ações".
Os dois primeiros dos seis "Contos Morais", La Bolangère De Monceau (1962) e La Carrière De Suzanne (1963) foram pequenos esforços, mas o terceiro, Ma Nuit Chez Maud (1969) um drama falante que lida com ética, religião e hipocrisia, foi uma grande surpresa que rendeu a Rohmer uma indicação ao Oscar de Melhor Roteiro.
O quarto filme a ser lançado (porém terceiro a ser filmado) foi La Collectionneuse (1971). Apesar de não obter o mesmo sucesso de Ma Nuit Chez Maud, essa película é um cointo envolvente sobre uma mulher que "coleciona" homens para uma só transa. Le Genou De Claire (1971) e L'Amour, L'Après-Midi (1972) completaram o ciclo e estabeleceram Rohmer, seu cameraman Nestor Almendros, como criadores de um universo único no cinema, firmamente enraizado em preocupações éticas e tingido pela devoção do diretor ao Catolicismo.
Em meados dos anos 70, Rohmer passou a trabalhar em adaptações literárias e tramas históricas como Die Marquise Von O (1976), uma bem recebida história de uma paixão não contida e Perceval Le Gallois (1978), sua interpretações dos códigos medievais de galanteria, além de um filme para TV, Catherine De Heilbronn.
Nos anos 80, Rohmer embarcou em uma nova série de seis filmes, "Comédias e Provérbios", iniciando com La Femme De L'Aviateur (1981). Essas histórias cômicas e íntimas, locados na sociedade mutante francesa, giravam em torno de personagens recheados de trejeitos, cujos problemas emocionais quase os esmagam, mas que finalmente descobrem recursos para sobreviver. Le Rayon Vert (1986) é sobre uma jovem garota em férias, que espera por uma revelação romântica, porém sem compromisso. Ela, idealisticamente, combate uma aproximação mais relaxada de um companheiro, até que, ao fim, é recompensada com a indescritível beleza de um efêmero "raio verde" de um perfeito pôr-do-sol. Esse frágil estudo sobre os anseios da juventude ganhou o Leão de Ouro do Festival de Veneza.
Quatre Aventures De Reinette Et Mirabelle (1986) foi um bom sucessor à tradição dos contos morais de Rohmer, retratando uma encantadora provinciana e sua contraparte cosmopolita (apesar de ambas parecerem joviais e inocentes) e os vários engajamentos das duas.
Conte De Printemps (1989) e seu "associado" Conte D'Hiver (1992) são filmes projetados para fazer parte de um quarteto de filmes relacionados com as quatro estações do ano. Conte De Printemps extrai uma abundância de ressonâncias filosóficas e emocionais do que parece ser temática das comédias românticas, quando uma jovem tenta juntar seu pai com uma mais velha que ela acabara de conhecer. Conte D'Hiver narra a história de uma cabeleleira que espera um mágico reencontro com o pai desaparecido de sua filha, além de fazer delicadas alusões à peça de Shakespeare de mesmo nome.
Juventude continua a ser a preocupação desse diretor, apesar de sua atenção estar focada nas
dificuldades do crescimento e amadurecimento - ou, pelo menos, a dificuldade de se comportar dessa maneira. Esse foco ampliou o público de Rohmer, apesar dele continuar fazendo falantes, vagos, com pequeno orçamento, atores desconhecidos e quase inexistente música de fundo, preferindo filmar em seqüência no local e durante a estação da narrativa. Em 1987, quando o Festival de Montreal prestou uma homenagem ao cineasta por sua série "Comédias e Provérbios", ele disse: "Eu sou sortudo de ter praticamente independência completa, o que é raro. É por isso que eu faço filmes nos quais não há desperdício". Uma elegante simplicidade é seu maior triunfo.
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