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GODARD - TRUFFAUT - ROHMER - CHABROL - RIVETTE   

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Diretor, roteirista e editor.
Nascimento: 3 de junho de 1922, Vannes, França
Formação: IDHEC, Paris

Uma importante figura moderna, cujos filmes constantemente lidam com os efeitos do passado no presente, Alain Resnais começou iniciou sua carreira realizando pequenos documentários no final doas anos 40, muitos deles com o tema arte (Van Gogh, 1948; Gauguin, 1950 e Guernica, 1950). A conquista mais memorável do cineasta na forma de documentário foi Nuit Et Brouillard (1955), uma elegia de 31 minutos, considerada por Truffaut (então crítico) o melhor filme já feito. Um exame rigidamente estruturado dos campos de concentração e do Holocausto, este filme cuidadosamente justapôs passagens em preto-e-branco das tropas aliadas que libertaram esses campos com cenas coloridas da contemporaneidade. O poético refrão do narrador - "quem é responsável?" - força o espectador a confrontar o Holocausto como uma potencialidade contínua.

Apesar da ascensão profissional de Resnais coincidir com a dos outros diretores da Nouvelle Vague, ele era mais velho que Godard, Chabrol e Truffaut, só para citar alguns. E, diferente dessas figuras, que trabalharam como críticos antes de tornarem-se diretores, Resnais já tinha certa experiência na indústria cinematográfica.

Seu longa-metragem de estréia, Hiroshima, Mon Amour (1959), ganhou o prêmio Internacional da Crítica no mesmo Festival de Cannes que nomeou Truffaut o melhor diretor por Os Incompreendidos. Expandindo os experimentos estilísticos de Nuit Et Brouillard, essa colaboração com a roteirista Marguerite Duras detalha o caso amoroso entre um japonês e uma atriz francesa, que foi à Hiroshima fazer um filme sobre o Holocausto atômico. Particularmente notável é a longa seqüência de abertura, que justapõe imagens dos amantes entrelaçados e nus com cenas chocantes dos resultados dos bombardeios. A montagem de Resnais permite a ele viajar de um lugar ao outro e do "presente" à uma variedade de tempos passados. Como Nuit Et Brouillard, Hiroshima, Mon Amour questiona se nós estamos destinados a esquecer o passados e assim sermos forçados, de certa maneira, a revivê-lo.

Em 1961, foi lançado o longa experimental L'Année Dernière à Marienbad, com roteiro de Alain Robbe-Grillet. Um exercício expressionista na manipulação do tempo e memória, Marienbad coloca três personagens, enigmaticamente chamados de A, X e M, dentro dos intermináveis corredores e aposentos de um imenso castelo-resort, onde eles podem ou não ter se encontrado anteriormente. Durante toda a projeção, a câmera sensualmente desliza pelos corredores para revelar as realidades físicas dos objetos no castelo, coreografando geometricamente os movimentos dos personagens, que agem mais como autômatos que pessoas - apesar de possuírem sombra, ao contrário das árvores e jardins.

Dois filmes mais fundados em realidades políticas e sociais específicas seguiram: Muriel (1963), sobre os dilemas morais de uma família no contexto da Guerra da Argélia e La Guerre Est Finie (1966), sobre um revolucionário ativo na França contemporânea. Ambos filmes incrustaram suas tramas em narrativas tipicamente convolutas e intricadas, sendo que em La Guerre Est Finie, Resnais utilizar artifícios estilísticos particularemnte notáveis como os flash-forwards (o contrário de flashback, ou seja, demonstra o que está por vir). Com um roteiro de Jorge Semprun, La Guerre Est Finie mantém-se como o reforço mais inteiramente realizado do diretor. Ao tempo que a batalha entre Esquerda e Direita típicas do século XX parece chegar ao fim, este inteligente ensaio ganha cada vez mais importância.

Je T'Aime, Je T'Aime (1968), um dos poucos filmes com roteiro de Resnais, continuou seu interesse no tema tempo e memória - nesse caso no contexto de uma história de amor, que inclui o elemento ficcional de uma máquina do tempo, na qual o protagonista é emboscado. Resnais brinca com o trabalho de editoração, alternando seqüências, sugerindo que estas são simultâneas. As seqüências são de diversos tempos arbitrários da vida mundana do protagonista, criando uma animada "música visual" baseada na celebração dos ritmos cotidianos.

Stravisky (1974), com trilha sonora de Stephen Sandheim, é o filme mais acessível do diretor. Jean-Paul Belmondo estrela essa romântica e comercial história dos anos 30,ao tempo que Resnais aproveita para recriar uma época em que os media (jornais e rádio) não apenas coloriam, mas também criavam a realidade que reportavam. Providence (1977), o primeiro filme em inglês do cineasta, explora os trabalhos do processo criativo. Com o roteiro de David Mercer e elenco que inclui John Gielgud, Dirk Bogarde, Elaine Stritch e Ellen Burstyn, Providence é quase um pequeno empreendimento, com Resnais utilizando a língua inglesa para explorar idéias francesas sobre o ato de escrever.

Mon Oncle D'Amerique (1980) é uma provocativa e humorística expansão das teoria da condição humana, formuladas pelo biólogo Henri Laborit, com cenas paralelas de três pessoas que sofrem de stress e o discurso sobre os efeitos da frustração em ratos.

La Vie Est Un Roman (1983) é locado em um chatêau francês ocupado, em diferentes partes dentro de um período de setenta anos, por três grupos de pessoas: um contador hedonístico e seus amigos que tentam conquistar a felicidade nos anos 20; um grupo de estudiosos internacionais que debatem "A Educação na Imaginação" nos anos 80; e um grupo de crianças estudantes em férias de verão, que evocam um romance de contos de fadas. Satírico de uma maneira excêntrica e sutil, este é um dos trabalhos mais acessíveis de Resnais. L'Amour À Mort (1989) é uma seca meditação na ressurreição, na qual um arquiteto literalmente retorna da morte para experimentar a vida e o amor com uma maior intensidade.

Resnais virou-se para um material mais convencional e muito menos interessante em Mélo (1986), uma adaptação de uma peça de 1929 sobre um triângulo amoroso. Em geral, o trabalho mais recente do cineasta, apesar de continuar com as experimentações nas convenções narrativas, perdeu o poder emocional e a visão dos seus arrebatadores trbalhos iniciais.

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Criado em 2002 por Paula Cruz e Leonardo Maia