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Diretor e Roteirista
Nascimento: 1° de março de 1928, Rouen, França
Nome de Batismo:Pierre Louis Rivette |
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Apesar de François Truffaut ter escrito que a Nouvelle Vague iniciou-se "graças a Rivette", os filmes desse magistral diretor francês não são muito conhecidos. Rivette, assim como seus colegas da Cahiers Du Cinéma, nasceu para fazer cinema, mas, como Rohmer, floresceu tardiamente como diretor de longas. Ele realizou dois curtas (Aux Quatre Coins, 1949 e Le Quadrile, 1950, este último com o "ator" Jean-Luc Godard), em meados dos anos 50 serviu como assistente de Jean Renoir e Jacques Becker e em 1958 ele foi, junto com Chabrol, o primeiro dos cinco principais diretores a tentar iniciar a produção de um longa-metragem.Sem o apoio financeiro de uma produtora, Rivette foi às ruas com amigos, uma câmera de 16mm e rolos comprados com dinheiro emprestado. Foi apenas, porém, após o sucesso comercial de Os Incompreendidos, Hiroshima, Mon Amour e Acossado que o filme resultante, o evasivo, intelectual e longo Paris Nos Pertence, foi lançado em 1960.
No retrospecto, a estréia de Rivette esboçou o caminho pelo qual todos os seus filmes seguiram; Paris Nos Pertence foi um monumental empreendimento do crítico que virou cineasta, com um elenco de trinta atores (incluindo Chabrol, Godard e Jacques Demy), com quase a mesma quantidade de locações e um impenetrável labirinto narrativo.
Seu próximo filme, o mais comercial La Religieuse (1965), foi uma adaptação da novela de Diderot, a qual Rivette já tinha encenado em 1963. O menos característico de todos os o seus filmes foi também seu maior sucesso comercial, tornando-se um escândalo quando o governo bloqueou seu lançamento por um ano.
Os verdadeiros talentos de Rivette tornaram-se realmente visíveis durante o frutífero período de 1968 a 1974. Durante essa época, ele dirigiu L'Amour Fou (1968), filme de quatro horas de duração; o hoje lendário Out 1(com treze horas de duração, feito para TV francesa em 1971, mas nunca lançado; editado para um filme de quatro horas, intitulado então Out 1: The Spectre em 1972); e Céline Et Julie Vont Em Bateau (1973), três horas de projeção, o seu filme mais interessante. Nestes três filmes, Rivette começou a construir o que veio a ser chamada sua "Casa de Ficção" - um enigmático estilo fílmico influenciado pelo trabalho de Louis Feuillade e envolvendo improvisos, elipses e consideráveis experimentações narrativas.
Infelizmente, Rivette parece não te lugar reservado no cinema contemporâneo. Por um lado, seu trabalho é considerado inacessível para distribuição comercial, pelo outro, apesar de suas teorias revolucionárias terem influenciado figuras como Jean-Marie Straub, Danielle Huillet e Chantal Akerman, ele é um pouco "comercial demais" para o cinema realmente underground. Ainda emprega, porém, a narrativa e utiliza atores conhecidos como Jean-Piérre Léaud, Juliet Berto, Anna Karina e Maria Schneider.
Desde Céline Et Julie Vont Em Bateau, a carreira de Rivette tem sido tão misteriosa quanto seus filmes. Em 1976, ele recebeu uma oferta para fazer uma série de quatro longas, intitulada Les Filles Du Feu. Duelle (1976), o primeiro deles, recebeu uma resposta tão negativa que seu conseqüente, Noirot (1976) - que alguns críticos consideram seu melhor filme - teve seu lançamento adiado. Os dois últimos produtos da série (um dos quais teria a participação de Leslie Caron e Albert Finney) nunca foram filmados. Ele realizou cinco filmes nos anos 80, mas apenas um deles, L'Amour Par Terre (1984) teve lançamento mundial, recebendo, porém, desastrosas críticas. Apesar de continuar a ser um artista inovador e desafiador, Rivette falhou em não achar o tipo de audiência que contribuiu para o sucesso comercial dos seus compatriotas.
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