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Diretor, Roteirista, Crítico, Produtor e Ator.
Nascimento: 24 de junho de 1930, Paris, França.
Formação:Farmácia e Literatura, Sorbonne - Paris
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Crítico emergente da Cahiers Du Cinéma nos anos 50, força financeira por trás dos primeiros filmes da Nouvelle Vague na década de 60, Claude Chabrol tornou-se diretor-chave do movimento. A carreira fílmica de Chabrol estende-se por mais de 35 anos e 45 filmes. Seus produtos vão desde projetos comerciais pouco inspirados (Marie-Chantal Contre Le Docteur Kha - 1964) até verdadeiros fracassos de bilheteria (Landru - 1962), passando por alguns dos mais obscuros e penetrantes estudos da obsessão e, especialmente, assassinatos já filmados para o cinema.
Chabrol tinha acabado de escrever, junto com Eric Rohmer, a sua celebrada monografia sobre Hitchcock (1957) e estava trabalhando como crítico da Cahiers Du Cinéma quando o dinheiro de uma herança, deixada por sua mulher, permitiu a ele largar a revista e realizar o seu primeiro filme: Le Beau Serge (1958). Um drama trágico e rural filmado em preto e branco, Le Beau Serge ajudou a definir a filmografia da Nouvelle Vague, que iria situar o autor (diretor) como o grande criador do trabalho cinematográfico.]
Logo em seguida, Chabrol filmou o igualmente obscuro e cruelmente irônico Os Primos (1959), um decadente conto de estudantes parisienses boêmios. Mais uma vez, Chabrol cumpriu a marca de realismo, intimidade, estilo informal e, algumas vezes iconoclasta, além do conteúdo atrevido da Nouvelle Vague. Jean-Claude Brialy estrela como o primo que é tão demoníaco quanto parece; o personagem de Brialy foi o primeiro das criações ambíguas de Chabrol, que iria subverter os conceitos tradicionais do "homem mau".
O sucesso comercial de Os Primos permitiu a Chabrol cria a AJYM, produtora que financiou filmes de Rohmer, Jacques Rivette e Phillipe De Broca. Os filmes seguintes do próprio Chabrol, porém, não obtiveram o mesmo sucesso de bilheteria. Os altamente estilizados À Double Tour (1959) e Les Bonnes Femmes (1960) lidavam com psicopatas e marcaram a fascinação do diretor com assassinatos. O fracasso comercial do caro Landru (1962), baseado na história de um matador real, dificultou o ideal de Chabrol de bancar seus próprios projetos. Na tradição típica de Hollywood, ele tornou-se diretor "pau para toda obra", realizando um bom número de filmes pouco importantes, incluindo algumas paródias de espionagem.
Chabrol aproveitou a sua seguinte "era de ouro" no final dos anos 60, triunfando em uma série de bem sucedidos thrillers: La Femme Infideli (1969); Que La Béte Meure (1970); e Le Boucher (1969). Les Biches (1968) e La Rupture (1970), apesar de não serem propriamente thrillers, exploraram a assinatura do diretor em temas como obsessão e compulsão. Ironicamente, um dos maiores sucessos comercias de Chabrol nos anos 60 foi um de seus filmes a que ele menos admirava - La Ligne De Démarcation, um drama sobre os heróis da Resistência Francesa, ao qual ele considerou "ingênuo".
Também durante esse período, Chabrol consolidou amizades profissionais duradouras, incluindo aquelas com o cinematógrafo Jean Rabier, a atriz Stéphane Audran (que apareceu em Os Primos e com quem Chabrol se casou em 1964), o ator Michael Bouquet, o compositor Pierre Jansen e o roteirista Paul Gégauff, que co-roteirizou Os Primos. As celebradas colaborações Chabol/Gégauff, quase sempre refletiam uma cínica visão das relações e valores burgueses, que provocam a hipocrisia e violência (ironicamente, Gégauff foi brutalmente assassinado por sua segunda mulher, em 1983).
Após frustrações profissionais e filmes que desapontaram público e crítica nos anos 70, Chabrol passou a trabalhar por um período para a TV. Ele retornou à sua carreira cinematográfica ao final da década com filmes surpreendentes. Violette (1978) - outro conto real de um assassinato - e Le Cheval D'Orgueil, uma visão poética da vida camponesa em Breton.
De 1984 a 1987, Chabrol juntou-se ao produtor Marin Karnitz para fazer uma trilogia de filmes hitchcockianos: Cop Au Vin (1984), Inspecteur Lavandin (1986) e Masques (1987). Os dois se reuniram mais uma vez em 1988 no aclamado Une Affaire Des Femmes , uma árida história de uma mulher (Isabelle Huppert) que fazia abortos ilegais para se sustentar durante a ocupação nazista na França.
Sua exuberante adaptação de Madame Bovary (1991), ao contrário de outros filmes baseados na obra de Flaubert, era obsessivamente verdadeiro com o texto original - e, por isso, obteve uma morna recepção por parte da crítica, que considera o filme exageradamente pomposo, apesar de sem vida. Também com Isabelle Huppert, o esplendor frio de Madame Bovary era algo como um eco obtuso do imediatismo apimentado de um trabalho anterior, Une Affaire Des Femmes. O incansável Chabrol dirigiu um documentário, L'Oleil de Vichy (1993) e dois longas, Betty (1992) e L'Enfer (1994) no início dos anos 90.
Com um típico zelo gaulês pela vida e indagações morais, Chabrol trabalhou constantemente na sua língua e terra natal. Seus filmes o levou à distantes esquinas de seu país - Brittany, Provence, Alsácia, etc - assim como à culinária típica desses locais, como ele mesmo gosta de observar. Chabrol, porém, também comandou alguns filmes de língua inglesa, incluindo Tem Days Wonder (1972), The Twist (1976) e The Blood of Others (1984), este último do canal HBO.
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