![]() |
||||||
| Espiritismo | ||||||
|
Biografia Nascido em Lion, a três de outubro de 1804, de uma família
antiga que se distinguiu na magistratura e na advocacia, Allan Kardec
(Hippolyte Léon Denizard Rivail) não seguiu essas carreiras.
Desde a primeira juventude, sentiu-se inclinado ao estudo das ciências
e da filosofia. Criado sob a religião católica, mas educado num país
protestante, os atos de intolerância que por isso teve de suportar,
no tocante a essa circunstância, cedo o levaram a conceber a idéia
de uma reforma religiosa, na qual trabalhou em silencio durante longos
anos com o intuito de alcançar a unificação das crenças.
De 1835 a 1840, fundou, em sua casa, à rua de Scvres, cursos gratuitos
de Química, Física, Anatomia comparada, Astronomia, etc.,
empresa digna de encômios em todos os tempos, mas, sobretudo, numa
época em que só um número muito reduzido de inteligências
ousava enveredar por esse caminho. Entre as suas numerosas obras de educação, citaremos as
seguintes: Plano proposto para melhoramento da Instrução
pública (1828); Curso prático e teórico de Aritmética,
segundo o método Pestalozzi, para uso dos professores e das mães
de família (1824); Gramática francesa clássica (1831);
Manual dos exames para os títulos de capacidade; Soluções
racionais das questões e problemas de Aritmética e de Geometria
(1846); Catecismo gramatical da língua francesa (1848); Programa
dos cursos usuais de Química, Física, Astronomia, Fisiologia,
que ele professava no Liceu Polimático; Ditados normais dos exames
da Municipalidade e da Sorbona, seguidos de Ditados especiais sobre as
dificuldades ortográficas (1849), obra muito apreciada na época
do seu aparecimento e da qual ainda recentemente eram tiradas novas edições. Pelo ano de 1855, posta em foco a questão das manifestações
dos Espíritos, Allan Kardec se entregou a observações
perseverantes sobre esse fenômeno, cogitando principalmente de lhe
deduzir as conseqüências filosóficas. Entreviu, desde
logo, o princípio de novas leis naturais: as que regem as relações
entre o mundo visível e o mundo invisível. Reconheceu, na
ação deste último, uma das forças da Natureza,
cujo conhecimento haveria de lançar luz sobre uma imensidade de
problemas tidos por insolúveis, e lhe compreendeu o alcance, do
ponto de vista religioso. Suas obras principais sobre esta matéria são: O Livro dos
Espíritos, referente à parte filosófica, e cuja primeira
edição apareceu a 18 de abril de 1857; O Livro dos Médiuns,
relativo à parte experimental e científica (janeiro de 1861);
O Evangelho segundo o Espiritismo, concernente à parte moral (abril
de 1864); O Céu e o Inferno, ou A justiça de Deus segundo
o Espiritismo (agosto de 1865); A Gênese, os Milagres e as Predições
(janeiro de 1868); A Revista Espírita, jornal de estudos psicológicos,
periódico mensal começado a 1s de janeiro de 1858. Fundou
em Paris, a 1s de abril de 1858, a primeira Sociedade espírita
regularmente constituída, sob a denominação de Sociedade
Parisiense de Estudos Espíritas, cujo fim exclusivo era o estudo
de quanto possa contribuir para o progresso da nova ciência. Allan
Kardec se defendeu, com inteiro fundamento, de coisa alguma haver escrito
debaixo da influencia de idéias preconcebidas ou sistemáticas.
Homem de caráter frio e calmo observou os fatos e de suas observações
deduziu as leis que os regem. Foi o primeiro a apresentar a teoria relativa
a tais fatos e a formar com eles um corpo de doutrina, metódico
e regular. Demonstrando que os fatos erroneamente qualificados de sobrenaturais
se acham submetidos a leis, ele os incluiu na ordem dos fenômenos
da Natureza, destruindo assim o último refúgio do maravilhoso
e um dos elementos da superstição. Durante os primeiros anos em que se tratou de fenômenos espíritas,
estes constituíram antes objeto de curiosidade, do que de meditações
sérias. O Livro dos Espíritos dez que o assunto fosse considerado
sob aspecto muito diverso. Abandonaram-se as mesas girantes, que tinham
sido apenas um prelúdio, e começou-se a atentar na doutrina,
que abrange todas as questões de interesse para a Humanidade. Data do aparecimento de O Livro dos Espíritos a fundação
de Espiritismo que, até então, só contara com elementos
esparsos, sem coordenação, e cujo alcance nem toda gente
pudera apreender. A partir daquele momento, a doutrina prendeu a atenção
de homens sérios e tomou rápido desenvolvimento. Em poucos
anos, aquelas idéias conquistaram numerosos aderentes em todas
as camadas sociais e em todos os países. Esse êxito sem precedentes
decorreu sem dúvida da simpatia que tais idéias despertaram,
mas também é devido, em grande parte, à clareza com
que foram expostas e que é um dos característicos dos escritos
de Allan Kardec. Evitando as fórmulas abstratas da Metafísica, ele soube
fazer que todos o lessem sem fadiga, condição essencial
à vulgarização de uma idéia. Sobre todos os
pontos controversos, sua argumentação, de cerrada lógica,
poucas ensanchas oferece à refutação e predispõe
à convicção. As provas materiais que o Espiritismo
apresenta da existência da alma e da vida futura tendem a destruir
as idéias materialistas e panteístas. Um dos princípios
mais fecundos dessa doutrina e que deriva do precedente é o da
pluralidade das existências, já entrevisto por uma multidão
de filósofos antigos e modernos e, nestes últimos tempos,
por João Reynaud, Carlos Fourier, Eugenio Sue e outros. Conservara-se,
todavia, em estado de hipótese e de sistema, enquanto o Espiritismo
lhe demonstrara a realidade e prova que nesse princípio reside
um dos atributos essenciais da Humanidade. Dele promana a explicação
de todas as aparentes anomalias da vida humana, de todas as desigualdades
intelectuais, morais e sociais, facultando ao homem saber donde vem, para
onde vai, para que fim se acha na Terra e por que aí sofre. As idéias inatas se explicam pelos conhecimentos adquiridos nas
vidas anteriores; a marcha dos povos e da Humanidade, pela ação
dos homens dos tempos idos e que revivem, depois de terem progredido;
as simpatias e antipatias, pela natureza das relações anteriores.
Essas relações, que religam a grande família humana
de todas as épocas, dão por base, aos grandes princípios
de fraternidade, de igualdade, de liberdade e de solidariedade universal,
as próprias leis da Natureza e não mais uma simples teoria. Em vez do postulado: Fora da Igreja não há salvação,
que alimenta a separação e a animosidade entre as diferentes
seitas religiosas e que há feito correr tanto sangue, o Espiritismo
tem como divisa: Fora da Caridade não há salvação,
isto é, a igualdade entre os homens perante Deus, a tolerância,
a liberdade de consciência e a benevolência mútua. Allan Kardec sucumbiu, a 31 de março de 1869, quando se preparava
para uma mudança de local, imposta pela extensão considerável
de suas múltiplas ocupações. Diversas obras que ele
estava quase a terminar, ou que aguardavam oportunidade para vir a lume,
demonstrarão um dia, ainda mais, a extensão e o poder das
suas concepções. Texto adaptado do livro Obras Póstum |
||||||
|
Espiritismo:
O que é? | O Centro Espírita
| Visão Espírita
|
||||||
|
copyright©2002,
Raquel Salama e Tatiana Mendonça
|
||||||