|
Levantado
do Chão foi escrito em 1980 e significa um ponto de mudança dentro
da obra de Saramago. Saramago nos fala que todos os seus livro são
pontos de mudança, mas com certeza ele jamais poderia negar a importância
de Levantado do Chão. É nessa obra que Saramago rompe com a
escrita ordinária e insere-se numa prosa barroca, num discurso
cinematográfico, numa tendência a digressões e numa postura
comprometida, como nos conta Horácio Costa em José
Saramago - O período formativo.
Levantado
nasce da convivência de alguns meses com os trabalhadores da União
Cooperativa de Produção Boa Esperança, quando muda-se para Lavre e
Montemor-O-Novo.
Segundo
ele próprio, Levantado do Chão, é uma obra que representa o
povo do Alentejo, melhor que seja o próprio povo do Alentejo. Mas para
nós, brasileiros e para todos que vive onde há a opressão dos ricos
(latifundiários) contra os pobres (camponeses), sabe do que Saramago
fala, e se emociona sem que tenha que ter vivido uma experiência
semelhante.
Saramago
escreveu O Evangelho em 1991, e essa foi, sem dúvida, a obra
mais polêmica do escritor português. O título do livro veio de um
“olhada” errada para uma banca de revista. Como o próprio Saramago
conta, ele passa por uma rua quando, ao olhar para uma banca, viu numa
manchete de jornal, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, parou, coçou
os olhos e voltou. Não estava mais lá. Mas a idéia nunca mais
saiu-lhe da cabeça. Por fim, acabou por escreve-la.
O Evangelho
causou polêmica porque conta a história de Jesus Cristo como a história
de um homem qualquer, uma homem com suas paixões e com seus pecados,
vide o parte em que Jesus passa uma semana trancado com Madalena dentro
da cabana dela. Essa é a história do Jesusu que antes de ser o filho
de Deus é o filho do homem José e da mulher Maria.
E essa humanização
de Jesus causou um mal-estar no seio de toda a sociedade portuguesa como
um todo, não só dentro da Igreja Católica, como seria mais coerente
imaginar.
Contudo o mais
interessante dessa obra a lição que Saramago nos passa. José Paulo
Paes conta que na orelha do livro que para que as histórias permaneçam
vivas é preciso reconta-las. É isso que Saramago faz. Reconta uma história
que sempre nos foi contada com verdadeira como os olhos de um homem que
não é obrigado a reproduzir ipsi verbis o que lhe foi uma vez
contado. A lição é a seguinte: não temos que necessariamente
acreditar naquilo que nos é dito, devemos pensar sempre sobre o que nos
foi dito. |