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   Aqueles que passaram por uma vida tão conturbada, marcada por uma literal "crise de identidade", relatam as impressionantes faces do Distúrbio de Personalidade Múltipla. A primeira delas chama-se Marie McKenzie, da Florida, EUA e sua personalidade é integrada desde 1981. A segunda, Elizabeth, reintegrada desde 1995 e que atualmente vive no Texas, EUA.

 

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  Psicólogos e psiquiatras possuem teorias, têm feito estudos e conversado com inúmeras pessoas para descobrir por que algumas pessoas contornam as adversidades e por que outras não conseguem. Estes "experts" não entendem ou sabem que existe algo dentro de cada um de nós que nos dará a força se for nosso "plano de vida" passar por cima destes problemas.

   Esta é a minha estória: Eu nasci para uma mãe e um pai, que nunca deveriam ter sido pais, pelo menos para mim. Meu pai queria criar a mulher perfeita para repôr aquela que o havia rejeitado. Ele me criou e tentou de tudo para manter-me somente para ele próprio, alguém que o amaria para sempre e que nunca o deixaria. Na verdade, ele tentou repetidamente me destruir de todas as maneiras que nenhum ser humano poderia fazer com outro.

   Minha mãe me odiava desde a hora em que eu nasci, pois eu fui registrada com o mesmo nome da mulher que havia abandonado o meu pai. Minha mãe não me queria por perto, e ela foi a primeira pessoa na minha vida a tentar me matar. E eu quero dizer exatamente como soa : tentou me matar. Ela não deveria nunca ter sido uma mãe. Minha mãe possui o vício do jogo e já foi presa várias vezes por embolsar dinheiro das companhias para as quais trabalhava.

  Quando eu tinha seis meses de idade, a minha mãe pôs uma faca dentro da minha vagina e iria me dividir em duas. Ela não suportava olhar para mim nem me ouvir chorar. Minha mãe foi impedida por "outras forças". Eu escapei dentro da minha mente enquanto álter-personalidades foram criadas para viver a minha vida até que eu fosse capaz de aceitá-la e reclamá-la. As minhas outras personalidades passaram então a controlar a minha vida física, mas qualquer dia eu teria que retomá-la outra vez. Mas como eu faria isso sem ajuda e sem amor? Eu não estava morta. Eu estava viva, mas precisava me proteger do abuso que estava sendo cometido contra o meu corpo. Os álteres eram os que estavam sendo abusados agora.

   Meu pai constantemente me controlou e abusou de mim. O abuso dele era extremo e sem fim. Minha mãe apenas tentou me matar uma vez, mas após isso ela estava emocionalmente abalada. Eu me casei e tive filhos. Como nem sempre a minha "essência"estava no controle do meu corpo,  constantemente eu tratei mal a ambos. Uma das minhas personalidades, chamada Marcy, não permitia que meu marido chegasse perto das crianças. E para tal, envolveu-se em brigas dentro de casa diversas vezes, na frente deles. Marcy chegava a ficar semanas no comando das demais personalidades, para o desespero da minha família, que entendia cada vez menos o que estava acontecendo comigo.

   Marcy tinha uma tendência vingativa. Diversas vezes tentou se matar. E, por conseguinte, matar também a mim. O que me ajudou a seguir enfrente foi a ajuda de uma terceira personalidade, chamada Becky. Ela me ajudou a sobreviver e me provou cada dia que eu era uma ótima pessoa. Becky era a força que me alimentava. Eu não estaria aqui se ela não tivesse me mantido viva. Ela sabia que eu poderia  fazer qualquer coisa e era minha fonte de informação e ajuda. Eu nunca estive sozinha.

   Eu tenho sido UMA por quinze anos. O Dr. Ralph Allison fez o diagnóstico em 1978 e nós completamos a integração das personalidades em 1981. Meu passado é cheio de abusos cometidos pelo meu pai e padrasto. Também marcado por  uma incessante busca pela cura do meu problema. Passei por muitos hospitais e clínicas psiquiátricas, mas o que pude perceber na maioria delas foi um despreparo para o tratamento da DPM e além disso a frieza de psicólogos e psiquiatras que sentam-se do outro lado de sua mesa dando a sensação de que há um mundo separando paciente e médico. Isto dificultava um diálogo mais próximo e interessado, que foi tão essencial para a minha cura, e o qual eu só encontrei após passar por seis hospitais diferentes, com o Dr. Ralph Alison, a quem devo a felicidade de ser uma só novamente. Minha família e eu temos, desde então, uma vida absolutamente normal.

Eu nasci há 35 anos atrás, em um estado do sul do Texas, segunda entre três irmãos. Meu irmão mais velho era o favorito da  minha  mãe,  e então eu me tornei a favorita do meu pai.  Quando eu tinha três anos, ele foi para o além-mar no Exército e, em minha solidão, criei uma companheira imaginária, Julie Ann, que era mais amorosa, doce, uma boa cristã, mas mais fraca que Beth, uma outra personalidade, em se tratando de lidar com os problemas da vida. 

Quando meu irmão mais novo nasceu, eu tinha nove anos. No momento em que a minha mãe segurou o novo irmãozinho em seus braços, após retornar do hospital, o ressentimento e repulsa eram tão grandes, que eu criei Betsy para armazenar todos os sentimentos negativos. Betsy deixou cair o bebê cair e bater a cabeça algumas semanas mais tarde, e foi a responsável por todas as ações hostis.  Betsy surgiu dentro do estereótipo típico da "Eva Negra" : sexualmente promíscua, dependente de drogas, manipuladora, odiosa de todos os humanos, egoísta e incapaz de amar.

   Aos quinze anos, eu tomei uma overdose de aspirina em uma tentativa de suicídio e fui hospitalizada.  Aos dezesseis anos, eu quase nunca ficava em casa, ocasionando um baixo rendimento escolar, embora fosse naturalmente inteligente. Foi nessa época que eu criei minha quinta personalidade, apelidada "boba de 16 anos", a qual fez com que eu perdesse nos cursos e acabou convencendo minha mãe a me deixar  largar a escola. 

   Eu então casei-me com meu primeiro marido, Vick, aos dezessete anos, para sair de casa, apenas para acabar descobrindo que ele era um travestí. Julie Ann gerou o nosso único filho , que nasceu com o cordão umbilical em volta do pescoço causando paralisia cerebral. Vick culpou-me por isto, e após uma fase de crise depressiva, eu divorciei-me dele e permiti que   ele e sua segunda mulher cuidassem do bebê.

   Depois de apenas seis dias juntos, Julie Ann e Don casaram-se pela primeira vez. Eles tiveram um bom primeiro ano de casamento, mas o primeiro filho nasceu morto e Julie Ann desistiu de qualquer existência efetiva e eu tornei-me mais depressiva e hotil para com Don. É verdade que hoje nós temos dois filhos e estamos casados outra vez.

   A maior parte do tempo, Betsy estava no comando tomando drogas psicodélicas que levaram-na a várias overdoses e internações. Ela chegou a ser estuprada por uma gangue e se envolver com traficantes de droga durante os períodos que passou nos hospitais.

  Don acabou pedindo o divórcio à mim e Betsy fez de tudo para que eu aceitasse. E aceitei. Meus dois filhos ficaram sob a custódia dele, o que levou mais tarde Betsy a casar-se com ele para ter de volta as crianças, já que a minha essência  Elizabeth não tinha coragem para fazê-lo.  E nós dois saímos em busca de um  tratamento para a DPM.

   Depois de passar pelos mais diferentes tipos de tratamento, até mesmo com choques, todos baseados na idéia de que o que eu realmente possuía era esquisofrenia, encontrei a  ajuda certa com o Dr. Dunhill , que diferentemente dos médicos anteriores, tratou-me  principalmente por meio da hipnose. Após seis meses de seções, nas quais também Don estava presente, eu já  estava reintegrada.

   Durante tais seções, descobriu-se que havia uma personalidade chamada Beth, a quarta, disposta a ajudar no processo de reintegração. Já Betsy tentava permanecer no controle o máximo que pudesse para deixar bem claro que não permitiria a destruição dos demais álteres. Não queria deixar de existir. Sentia-se ameaçada e chegou a tentar suicídio, cortando os dois pulsos. Mas foi socorrida a tempo.

   Por fim, conseguiu-se convencer Betsy do fato de que ela continuaria existindo como parte da minha mente. Só que não da mesma forma. Então, durante as últimas sessões, Betsy já se mostrava  mais calma e aceitou tornar-se uma só. E eu tenho sido eu mesma desde então.

 


 

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