| Segredos Explodem - Uma Batida Policial | ||
| Aquela parecia ser uma noite como outra qualquer no
Palais du Bordeux: Iracema chegava da praia com seu tabuleiro vazio e
um sorriso satisfeito no rosto; Sófocles permanecia confinado no seu
laboratório; Edicleide saía de micro-saia, bustiê, maquilagem da
moda e cabelos esvoaçantes, exalando perfume barato por um raio de 15
metros; mais um elemento estranho deixava o apartamento de Demiurgo,
com uma expressão no limiar entre a felicidade e a irritação. Cada um dos moradores seguia com sua rotina em paz.
Demiurgo contava o dinheiro, Iracema preparava mais uma mistura de
azeites, o cientista efetuava mais cáculos. Os barulhos eram os
mesmos de sempre: morcegos, gritos longínquos, balas perdidas,
eventualmente um carro em disparada ou um xingamento bradado ao vento.
Era assim o bucolismo do Palais du Bordeux. "Fodeu!" era a única palavra que estalava, simultaneamente, no pensamento dos três. O barulho os despertou desencadeando uma atividade frenética por parte de cada um. Uma gritaria generalizada vinda debaixo denunciava a invasão policialesca, a truculência típica das revistas. Iracema corria de um lado para outro, um tanto atrapalhada pelas saias, se apressando em derramar seu óleo deteriorado latrina abaixo. No mesmo instante, Demiurgo também entupia a privada e todos os ralos do banheiro com pedras de crack de todos os tamanhos. Apenas Sófocles não tinha como se desvencilhar de suas provas, e por isso tentava encobrir mesas do laboratório com lençóis coloridos e furados. Iracema, entoava um cântico africano, quase chorando, parecia realmente uma Oxum. Demiurgo suava frio, estava lívido e completamente calado. Sófocles abandonava seu ceticismo, se desculpava pelo ateísmo, e pedia ajuda a Deus. Finalmente as vozes desapareciam, levando para longe a tal sirene. O Palais du Bordeux voltava à paz, com alguns prejuízos. Sem o azeite velho, a baiana teria de comprar uns galões novos, mas agradecia aos Orixás por não ter sido detida pela vigiância sanitária. Ela olhava para a latrina ainda amarelada, um tanto pesarosa, mas pensava que no fundo tinha sido melhor assim. Demiurgo só conseguia esmurrar a parede, mordendo o lábio inferior. Não tinha sobrado nenhuma pedra que pudesse ser vendida e ainda por cima os ralos do banheiro estavam entupidos. Teria de dar um jeito de chamar um encanador. "Puta merda! Só prejuízo e nem era os ômi!" Sófocles, com as calças úmidas e pesadas começava a separar as mãos tensas em forma de prece e se levantava do canto da sala. Ele nem acreditava que tudo aquilo passara a largo. Sentia-se como um pirralho que acorda de um pesadelo. A marca da realidade estava em alguns tubos quebrados e pequenos aparelhos quebrados pela afobação ao jogar os lençóis. Eles nunca poderiam imaginar que aquele estardalhaço não era da polícia, mas apenas um par de produtores Ravers, que estava procurando o prédio antigo, onde deveriam organizar uma festa Ecstasy naquela noite. Mas o susto que poderia ter revelado os segredos do Palais foram café pequeno perto do que viria ocorrer depois daquela noite... Revelação |
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