Morte na cidade


 
O Palais Du Bordeaux mantinha silêncio absoluto sobre os acontecimentos aterradores no prédio. Apenas os olhares suspeitos que eram trocados pelos habitantes dali deixavam entrever que algo de estranho se desenrolava por ali. Mal sabiam eles que isto era só o princípio de algo muito maior...

À noite, os jornais, de maior tiragem estampavam  notícias, que já davam o tom de gravidade da situação: 3 corpos femininos, com rasgos profundos na altura do pescoço e sinais de estupro, além de outros indicativos da total brutalidade com que foram cometidos os assassinatos, foram encontrados em diversos bairros da cidade. Oficinas mecânicas tiveram seus estoques de fluido de freio furtados de forma misteriosa. Dedetizadoras destruídas durante a madrugada, sendo que não sobrou um atendente vivo pra contar história. O delegado de polícia Peçanha Miranda recomendou às moças que evitassem sair à noite sozinhas neste dia, e às empresas de extermínio de insetos que não fizessem plantão durante a madrugada, mas não adiantou.

Na manhã seguinte, os principais jornais da Bahia já traziam como manchete principal a história do "terror dos inseticidas"- apelido criado pela mídia para o criminoso. Agora, já eram 17 corpos encontrados nas empresas de detetização, com cortes profundos na altura do pescoço. As investigações iniciais da polícia já haviam levado a algumas conclusões: pela profundidade dos cortes, somente alguém muito fortes poderia ter executado os crimes. O ângulo de inclinação dos ferimentos sugere que estes foram aplicados de baixo para cima, numa sequência rápida e mortal que aparentemente não permitia luta entre as vítimas e o assassino. Esta suspeita foi ratificada pela ausência de hematomas nos corpos. Todavia, o mais surpreendente neste caso eram as frases escritas com o sangue das vítimas nas paredes:

"Toma um fósforo, acende o teu cigarro
O beijo, amigo, é a véspera do escarro
A mão que afaga é a mesma que apedreja

Se a alguém causa 'inda pena a tua chaga
Apedreja esta mão vil que te afaga
Escarra nesta boca que te beija"

-Este maníaco é letrado, Nascimento- afirmou Peçanha a seu assistente Emílio Nascimento, um negro alto e magro que lembrava em sua expressão fisionômica uma mistura de Batista da Escolinha do Professor Raimundo e Wando - o filho da puta lê Augusto dos Anjos...
-Positivo e operante, chefia. Olha o que os rapazes encontraram no chão de uma das detetizadoras...

Nascimento tira do bolso um pequeno saco plástico, que contém um pedaço de vidro envolto em pêlos:

-Isso é um pedaço de tubo de ensaio, chefe. E as impressões digitais pertencem a um tal de Sófocles não sei das quantas. Ele mora num edificiozinho chumbrega chamado Palais du Bordeaux. Vamos até lá?
-Calma, Nascimento!! Prá quê a pressa. A gente é funcionário público, e nem ganhamos tão bem assim pra ter que mostrar tanta eficiência. Além do mais, ele não vai escapar...
-Por que, chefe?
-Bem...Pela quantidade de pêlos dessa porra aí, o cara deve ser o próprio king Kong. Não deve ser difícil achá-lo...

Assim, Sófocles cai na mira da justiça...

Suspeitas
Um Corpo na Escada
PsiKorovologia

 
Volta pra casa, vagabundo! Vô tentar trocar de canal! Arriba!!!!

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