Auto-afirmação

Buscar se auto-afirmar social e culturalmente, enquanto negros e afro-descendentes historicamente discriminados, também é uma base forte do movimento. "No hip hop, a pessoa tem valor. Você não é ninguém e de repente começa a ser alguém", afirma o b. boy ( break boying ) Bispo, do grupo Back Spin.

DFZulu - Grupo de Brasília

Através das gangues, posses ou associações culturais ( nome muito mais politicamente correto ), é que os rappers, grafiteiros, b. boys e simpatizantes do hip hop, encontram-se para trocar idéias, passar informações ( livros são discutidos, cursos oferecidos àqueles que desejam ampliar seus conhecimentos de História e Política ), organizar atividades, campanhas nos bairros, etc.

Os garotos do hip hop são, até certo ponto, conservadores se formos pensar no comportamento adotado historicamente pelos jovens. Eles escolheram o caminho da lucidez total, apesar da realidade dura que enfrentam. Não bebem, não fumam...dispensando o uso de drogas, eles tentam recuperar suas vidas. "Aqui, cada esquina tem um boteco. A bebida destrói um pai de família mas tem a mídia a favor, fazendo aqueles anúncios bonitos sem mostrar o mal que faz. A gente contra-ataca", afirma Edy Robson, do grupo Uafro.

Em discursos rebeldes ou pacíficos, os hip hoppers mostram que vieram para mostrar, através da arte e do movimento organizado, como é possível atravessar as barreiras do analfabetismo, da miséria, da violência, do preconceito e encontrar pura beleza.

"Mas onde eles falam? Falam onde existe espaço: numa parte da mídia, em suas comunidades, nos clubes e praças onde se apresentam(...)", declara Marco Frenette, na reportagem "Onde eles se encontram".

"O Movimento Hip Hop sempre viveu à base de esquemas informais e extremamente eficazes. Os artistas preferem lançar seus trabalhos em gravadoras independentes porque elas sabem com e onde seus produtores terão chance de sucesso (imagine se o representante de uma major vai se enfiar nos bailes da periferia da cidade - daí a recusa de grupos de rap em assinar com os grandes selos).

(...) Em São Paulo, apenas três rádios dedicam seu espaço às crônicas da periferia. São elas a Líder (programa comandado por Natanel Valença só toca rap nacional), a 105FM, em que Ice Blue, do Racionais MCs, e DJ Paul Brown cuidam da seleção e da apresentação de canções, e a Transcontinental, que no início da década de 90 tinha a 'ousadia' de tocar apenas samba em sua programação" (trecho da matéria de Sérgio Martins)