Discursos - Palavras de Ordem...
Sobre as posses, diz Preto Ba, membro da Negroatividades e rapper do grupo Uafro, : " Aqui é importante porque a gente tem união, está conhecendo novos grupos, tem informação. De repente vem e cata um livro, tem novas figuras, a gente se inspira. Tem molecote aqui que compõe com onze anos de idade e tem uma idéia forte. Nós precisamos de mais moleque assim, que não fume um crack, pra gente ir estruturando a nossa periferia (...) A hora que eles trouxeram o funk para cá, a black music pra dentro do Brasil, não sabiam o que estavam fazendo. A revolução já começou há muito tempo".
Rapper Marcelo Buraco, o Marcelinho, do grupo Profetas da Revolução e um dos fundadores da Associação Cultural Negroatividades: " Nós acreditamos em revolução através do grito, da música, mas depois vão ter que vir as armas, né? É aquilo que Karl Marx já disse e o Mano Brown reprisou, nós somos o efeito colateral do sistema. Hoje, o moleque com dez está começando também. Olha ele lá ( aponta para o filho ), com quatro anos já faz moinho de vento ( um movimento do break )..."
Cláudio, membro da Negroatividades e do grupo Teoria: "Porque , nos Estados Unidos, essa música tem outro efeito, lá os negros atingiram um ponto, conquistaram espaço na ordem. Apesar de ainda ter muita desigualdade, lá tem uma lei que funciona. Aqui, preto ou branco, pobre não tem chance, sabe que o cara que nasceu em berço de ouro vai ter tudo, e ele vai se ferrar igual à mãe, ao pai e ao avô. Só de a gente conseguir procurar uma alternativa, de protestar com as nossas letras, já faz a gente se sentir forte e aí a revolução começa".
Edy Robson, membro da Negroatividades e do Uafro: "Hip Hop é revolução".
Weber da posse Força Ativa: " A Força Ativa tem caráter político, social e racial. Eu cresci no meio do rap e sei que o próprio rap, falando da realidade, é uma forma de conscientização. Mas depois você percebe que, além de denunciar, pode transformar a realidade social. Como o Nando ( Nando Comunista membro do Força Ativa e rapper do grupo Extrema Esquerda Radiacal ) já fazia parte do Força Ativa, ele foi me dando o caminho, os livros na mão, falando de Malcolm X, Zumbi dos Palmares (...) porque tem que estudar, ler, é o jeito da gente evoluir e poder ser um ator social, mudar as coisas que estão aí".
Nando Comunista, membro da Força Ativa e do grupo Extrema Esquerda Radical: "A transformação se dá na hora em que os próprios rappers, como parte da periferia, buscam ser a vanguarda, num projeto comum dos excluídos. Mas, para chegar nisso, primeiro é preciso ler, saber o que é revolução, entender a situação social e política, a globalização, o marxismo, a gente coloca tudo isso nas letras do rap".
Pequeno, DJ do grupo NKlan e membro da Hausa: "A partir do momento que nós estamos organizando a juventude negra na posse, que estamos participando do movimento hip hop, fazendo boletins sobre os personagens negros importantes, suas mensagens, nós já estamos fazendo movimento negro. Não precisa estar com essa ou aquela entidade. É até melhor que não esteja, porque aí cada um dá sua contribuição livre, forma um todo maior".
Nino Brown, fundador da posse Hausa, de São Bernardo do Campo, SP, e b. boy ( break boy ): "A revolução do hip hop é aqui (aponta para a cabeça ), é da paz. Mas, conforme cada um vai acordando, escolhe o seu caminho. Se daí vier a revolução..."