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A
PARCIALIDADE MIDIÁTICA
Nas revistas e jornais brasileiros, como na imprensa internacional
é facilmente observável como os interesses capitalistas
influenciam nas redações, impossibilitando a prática
dos principais preceitos do jornalismo moderno: a objetividade e
imparcialidade.
A imprensa atual tem interesses financeiros e comerciais como qualquer
outra área econômica. Desta forma, seu público-alvo
são os anunciantes, ou seja, grandes empresas, que "compram"
o produto oferecido pela mídia: a população
com maior poder aquisitivo. Portanto, a principal limitação
do jornalismo comercial se deve ao fato de estar subordinado aos
interesses das elites.
Quando as linhas editoriais são mais direcionadas a agradar
os anunciantes do que serem fiéis a realidade, as verbas
publicitárias se tornam um instrumento para manipulação
da imprensa. Os governos federal e estadual costumam muito se beneficiar
desta prática, já que no Brasil o Estado é
dos maiores anunciantes da mídia. A revista Veja, por exemplo,
demonstra todo seu apoio à administração de
Fernando Henrique hostilizando seus opositores, como o MST, PT e
a CUT, com seu discurso neoliberalista. Em contraponto aceita e
pública sem questionar os dados oficiais, festejando sempre
as "conquistas" do atual governo.
Já o Jornal A Tarde, depois de se posicionar contra o governo
da Bahia passou a não publicar mais os anúncios governamentais,
já que estes foram destinados ao Jornal Correio da Bahia,
que é claramente a favor da política dos atuais governantes
baianos.
Este jogo de interesses acaba por tornar o jornalismo refém
das verbas publicitárias, maculando a imagem e o dever da
imprensa.
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CASO
ENRON

A
maior falência da história americana não gerou
um mal-estar somente na bolsa de valores e no governo do Estados
Unidos, a imprensa também sofreu críticas severas
pela sua conivência e indolência aos sinais de irregularidade
na Enron, uma das maiores companhias de energia do mundo.
Mesmo com uma repórter da revista Fortune, exatamente há
um ano, tendo colocado o dedo na ferida, o sistema midiático
como um todo foi incapaz de movimentar-se com a agilidade de sempre
para evitar a debacle. Se esta jovem repórter de 30 anos
teve a coragem de perguntar por que o preço das ações
da Enron estavam superestimados em Wall Street, por que as grandes
organizações jornalísticas não correram
atrás para responder?
A imprensa tem séculos de experiência em iluminar
com holofote os atos impróprios do governo e de autoridades
eleitas, como pretendiam os autores da Primeira Emenda da Constituição
americana. Tomada como um todo, entretanto, a imprensa não
tem tido um sucesso muito grande no que se refere à revelação
dos passos errados dados pelas grandes empresas, particularmente
antes que os danos ocorram.
A atual forte vinculação da imprensa com capital
financeiro, tornando-as empresas da mídia, muitas vezes
integradas a grandes cooperações, acabam por restringir
a liberdade de seus repórteres, em favor de uma política
administrativa que atraia cada vez mais grandes anunciantes. Esta
dependência econômica conduz o jornalismo a fazer
vistas grossas a casos como o da Enron.
Além destas considerações, outras razões
explicam a apatia da imprensa no escândalo de tamanhas proporções.
Diversos jornalistas de grandes jornais e revistas, como New York
Times e CNBC, haveriam recebido um valor considerável de
dinheiro para fazer lobby para empresa energética antes
de sua falência. Os serviços, estes profissionais
definiram como consultoria. Tal situação leva-nos
a refletir sobre a ética e moral que um jornalista que
recebera em torno de 50 mil dólares da Enron teria para
denunciar ou condenar as fraudes desta empresa.
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CENSURA
E O CONTROLE DE ESTADO
Durante
toda história da humanidade, governos despóticos
reafirmaram seus poderes através do controle das informações,
censurando e manipulando as notícias em circulação.
No entanto só a partir do advento da imprensa que a censura
se consolida como um dos maiores inimigos da liberdade de expressão
e pensamento.
Logo após 48 anos da criação dos tipos móveis
por Gutenberg, já era nomeado o primeiro censor na Alemanha,
em 1488. Os primeiros jornais também foram submetidos a
pagar altas taxas, o que encarecia muito sua venda ao público,
limitando seu consumo a leitores com maior poder aquisitivo.
Os Estados Absolutistas e as autoridades coloniais atuavam coercitivamente
sobre a imprensa, através de órgãos que censuravam
e até proibiam funcionamento dos periódicos. A Gazette
de France, jornal oficial era único a ter autorização
para publicar na França Absolutista. A circulação
de noticiários também foi proibida no Brasil e no
Estados Unidos no período colonial. Para fugir da repressão
o Brasil funda seu primeiro jornal em Londres e os Estados Unidos
criam diversos periódicos clandestinos.
As revoluções liberais do século XVIII enfatizaram
a necessidade de uma imprensa livre como requisito indispensável
para construção da democracia. Jefferson afirmava
que, entre um governo sem jornais e jornais sem governo, preferia
a segunda hipótese.
A supressão da liberdade da imprensa está entre
os primeiros atos dos governos totalitários do século
XX. Em 1928, Mussolini controlava os órgãos de comunicação
afirmando que "em regime unitário, a imprensa não
pode ser estranha a esta unidade. Por isso a imprensa italiana
é fascista e deve sentir-se fiel para conduzir a luta sob
bandeira fascista". O ditador Getúlio Vargas, no Estado
Novo criou o DIP, Departamento de Imprensa e Propaganda que exercia
censura total aos meios de comunicação - impressos,
rádio e cinema-, sob a desculpa de estar combatendo o "perigo
comunista".
A América Latina sofreria durante as décadas de
Ditadura Militar a repressão as instituições
jornalísticas. Jornais, programas de radio e TV, novelas,
peças, filmes e livros foram censurados. Jornalistas brasileiros
que tentam contornar a censura foram presos, o que aconteceu também
no Chile e na Argentina. Durante mais de uma década a mídia
latina padece com a estupidez dos censores.
O controle do governo sobre a imprensa prejudica muito o funcionamento
dos órgãos de comunicação, que tendem
a formar uma visão superficial e irreal do mundo e dos
problemas nacionais, evitando tudo que possa fornecer meios para
o debate, a crítica e a contestação.
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