DIPLOMA DE JORNALISMO?
A
juíza Carla Abrantkoski Rister suscitou uma grande polêmica,
ao revogar a necessidade do diploma de jornalismo para o exercício
da profissão . A juíza acatou o pedido feito pelo
procurador do Ministério Público Federal (MPF), André
de Carvalho Ramos. Na ação, o MPF alegou que as pessoas
que não têm diploma podem ser multadas e até
mesmo presas quando exercem este oficio, o que considera injusto.
Carla Rister defende sua decisão afirmando que "o jornalista
não requer qualificações profissionais específicas,
indispensáveis à proteção da coletividade,
diferentemente das profissões técnicas (a de Engenharia,
por exemplo)".
Esta liminar gerou a resistência da Fenaj (Federação
Nacional dos Jornalistas) e a AGU (Advocacia Geral da União)
que estão recorrendo da decisão. Compartilhando com
esta posição, sindicatos e associações
de jornalistas de todos Brasil prometeram se manifestar contra a
decisão, que só favoreceria as empresas que empregam
com freqüência os não-diplomados, aumentando a
oferta de mão-de-obra em uma categoria sem exigências
ou fiscalizações que regulamentem e defendam esses
trabalhadores.
O
que conseqüentemente causaria a redução dos salários
e demissões sem que se tenha de dar satisfação
a qualquer sindicato.
Os defensores do diploma alegam que a prática jornalística
não se resume uma formação cultural sólida
resultante do hábito da leitura e da própria prática
da atividade, afinal a ética profissional tão necessária
para uma carreira com tamanha responsabilidade social, a apuração
de um estilo textual e os demais conceitos importantes para construção
de um jornalismo de qualidade, só seriam aprendidos e amadurecidos
na faculdade. Então o risco de tal decisão está
justamente na abertura da imprensa a qualquer interessado, derrubando
assim quase um século de luta pela formação
de um bom jornalismo, o que certamente provocaria diversos danos
à sociedade.
Os jornalistas que concordam com a decisão da juíza
Carla Rister advertem que o problema está nas faculdades,
que não garantem uma formação profissional
de qualidade, o que tornaria as pessoas com algum preparo técnico
capaz de concorrer com profissionais diplomados, já que o
curso de jornalismo não corresponderia às exigências
da profissão. Cerca de 70% dos estudantes de jornalismo que
se formaram em 2001 na região Sudeste acharam que seus cursos
foram pouco exigentes, segundo dados do provão. "Mesmo
os cursos mais rigorosos não cobram tanto como as empresas,
então os estudantes têm essa sensação",
afirma Jair Borin, professor da USP.
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SEQUESTRO E MÍDIA
O
crescimento nos índices de seqüestro, principalmente
no estado de São Paulo, e o envolvimento de pessoas públicas
vêm suscitando polêmica sobre a liberdade de imprensa
e sua responsabilidade social. Jornalistas, autoridades da segurança
pública e juristas se dividem quanto aos limites dos direitos
de cobertura jornalística de casos de seqüestro e em
quais circunstâncias esta poderia ser feita. Teria direito
um meio de comunicação de veicular informações
mesmo contrariando a vontade da família do seqüestrado
e as recomendações policiais?
A deputada federal Laura Carneiro propôs ao Congresso Nacional
a criação de uma lei que proíbe os meios de
comunicação de noticiarem seqüestros em andamento
sem aprovação da família da vítima.
"Entre a liberdade de imprensa e a vida de uma vítima,
optei pela vítima", afirma Laura Carneiro. No entanto,
jornalistas e órgãos da imprensa afirmam que omitir
o seqüestro é defender o seqüestrador e retardar
elucidação do caso. É exemplar o caso de Washington
Olivetto: tanto o caseiro que denunciou a quadrilha como a jovem
que libertou o refém possivelmente poderiam ter agido de
forma diferente se ignorassem que ocorrera o seqüestro. Além
da cobertura da imprensa fortalecer o disque-denuncia, um dos mais
importantes eficazes instrumentos da Divisão de Seqüestro.
Pode-se argumentar, por outro lado, que a notícia do seqüestro
do prefeito de Santo André por um jornal local, com grande
estardalhaço, convencera os seqüestradores de que era
mais prudente eliminar o refém. Essa tese aparentemente reforçaria
a posição inicial da deputada.
A questão é de como se é noticiado, dos cuidados
tomados para reportar estes casos tão delicados. A imprensa
ao agir de forma leviana e sensacionalista poderia ajudar o seqüestrador
informando-o sobre o tamanho da fortuna da vítima, ou os
caminhos da investigação policial. A Rede Globo fora
condenada, em março do ano passado, por ter noticiado o seqüestro
do empresário Luiz André Matarazzo e seu filho menor,
em Indaiatuba (SP), em março de 2000. Os dois foram capturados
a esmo por bandidos que não conheciam a identidade deles.
O empresário orientou o filho a não revelar o sobrenome
Matarazzo, e foi libertado para arrecadar o butim de R$ 100 mil,
enquanto o garoto, sustentando que seu sobrenome era Lara, ficava
no cativeiro. Mesmo com Luis André Matarazzo pendido ao repórter
Roberto Cabrini que omitisse a noticia, sobretudo pelo sobrenome,
o diretor de jornalismo da Rede Globo, Evandro Carlos de Andrade
permitiu que no Jornal Hoje saísse a notícia que a
criança ainda presa em cativeiro tratava-se do primo do senador
Eduardo Suplicy e do ministro da Comunicação Andréa
Matarazzo.
A
divulgação imediata do seqüestro de Patrícia
Abranavel, filha do apresentador Sílvio Santos, em 21/08,
requentou a ainda mais a polêmica. A TV Globo noticiou o seqüestro
imediatamente, e foi seguida pelo principal jornal do grupo, O Globo,
e também pelo Jornal do Brasil, Zero Hora (RS) e O Povo (CE),
e numerosos meios de comunicação regionais, como o
Diário do Grande ABC (SP). Silvio Santos utilizou então
de sua grande influência na imprensa para pedir sigilo no
desenrolar das negociações com os sequestradores.
Seu pedido foi atendido, e o seqüestro de sua filha só
voltou a repercutir quando Patrícia foi libertada, deixando
muitas incógnitas sobre as circunstâncias de sua libertação.
Uma imprensa responsável e séria, com discernimento
para medir as conseqüências dos seus atos, não
precisaria de nenhuma legislação para coordenar e
fiscalizar seus procedimentos. Afinal, cada caso demanda de critérios
e cuidados especiais, respeitando em primeiro lugar sempre a vida
dos envolvidos.
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A QUALIDADE DA TV
Nunca
a qualidade da televisão foi tão debatida. A invasão
na TV brasileira pelos reality shows veio reafirmar a soberania na
programação de programas com forte grau de apelo popular.
A espetacularização e o sensacionalismo abrangem desde
talk shows ao jornalismo.
A Bandeirante é um dos maiores exemplos disto. Durante a semana,
suas tardes são resumidas a fofocas, esquisitices e acusações
de adultério e paternidade não assumidas, nos programas
Melhor da Tarde e A Hora da Verdade. Na noite, Marcos Mion apresenta
Descontrole, onde insulta telespectadores e o público presente,
mostra quadros absurdos onde não faltam palavrões e
situações baixas e torpes.
São justamente os talk shows que impregnam as TVs nos finais
de semanas, deixando o telespectador sem alternativa senão
assistir aquele espetáculo repetitivo e de gosto duvidoso.
Muitos quadros são antológicos pelo seu baixo nível,
como a banheira do Gugu e a sushi erótico do Faustão.
Vale tudo pela briga pela audiência. Silvio Santos outro dia
teria dado uma bronca nos participantes de 'Casa dos Artistas': estava
faltando intriga, sexo, emoção, ibope no programa. A
notícia da tal bronca, de qualquer modo, foi mais comentada
do que qualquer acontecimento dentro da casa.
Os defensores da televisão atual alegam que a programação
televisiva é construída através do gosto popular,
desta forma seria a TV a representação e o reflexo da
sociedade brasileira. Por isso os canais educativos, como a TV Cultura,
apesar de exibir programas de ótima qualidade tem um público
restrito, pois até hoje não caiu no gosto do grande
público.
O problema da televisão brasileira não está no
fato de sua programação possuir o caráter popular.
Afinal isto não é sinônimo de má qualidade.
O que falta é criatividade, diversidade e principalmente qualidade,
características que todos os telespectadores vão adorar
ver na TV.
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