|
Congestionamento
de Gatinhos!
Um dia
desses me meti em um rolo tão complicado, nossa, que
engarrafamento. Tudo começou quando eu e meus amigos
marcamos para ir a um lual na praia. Programaço perfeito
mas, já imaginou ficar olhando a lua sozinha? Não
rola né? Em um Lual você tem que estar com um
gatinho. Como estava sem namorado já há um tempão,
vivendo só de paqueras que, ao mesmo tempo que você
tem vários, não tem nenhum, fiquei nesta frustração.
O que fazer? Recorri a agenda telefônica do meu celular
e procurei entre os 250 nomes algum que fosse perfeito para
a night enluarada.
Meu primeiro
pensamento foi para o Kiko, tínhamos ficado juntos
no aniversário de uma amiga uma semana antes. Moreno,
alto, bonito e sensual mas, com um pegueno problema: não
morava na cidade. Ele mora em uma cidade próxima mas,
só vinha aqui de vez em nunca. Bem, vamos ao próximo.
Pensei em ligar para o fofíssimo do Gabriel. Um gatinho
de olhos verdes que tinha conhecido há algum tempo.
Mas o rapaz era muito bossal. Fiquei imaginando eu e ele,
olhando a lua, enquanto ele contava suas "façanhas
heróicas" de pitbull marombeiro. Tô fora,
não precisava fazer sacrifícios. Nisso, entre
um nome e outro, já desesperada, resolvi que iria a
festa sozinha. Quem sabe lá?
Estávamos
já a caminho quando meu telefone tocou. Respondi: OI
LIPE, TUDO BEM / ... / HOJE A NOITE? ANIVERSÁRIO DE
SEU AMIGO? / .../ BEM, EU VOU A UM LUAL, VAMOS COMIGO?/ ...
Era o Felipe, um gato romântico que sempre me ligava
fazendo convites mas que nunca davam certo. EU SEI QUE VOCÊ
SEMPRE ME CONVIDA E EU NUNCA POSSO MAS, .../ Tentei convencê-lo
a ficar um pouco no Lual antes de ir ao aniversário.
Ele disse que tentaria.
Já
havíamos chegado quando ouço o toque do celular
mais uma vez. Atendi: .../ MINHA LINDA, SOU EU KIKO, ESTOU
NA CIDADE E QUERO TE VER / ... / OK, ESTOU INDO PARA AÍ,
TE LIGO. Nossa, meu coração bateu forte. Ele
estava indo em minha direção, enfim, tería
alguém super maneiro para dançar a luz da lua.
Estava a esperá-lo quando todo o rolo começou.
Felipe me ligou confirmando que passaria lá. E agora,
o que fazer? Como conseguiria me dividir entre os dois sem
que ninguém soubesse e se chateasse?
Não
demorou muito e eu estava envolta nos braços do Kiko,
dançando, cantando e rindo. Tudo corria muito bem.
Exímio dançarino, estava a me rodar quando vi,
de longe, alguém que me procurava - o Felipe. Perdi
a voz, fiquei vermelha, azul, amarela e por último
sem cor. - Você está bem? Ficou tonta? Acho melhor
pararmos um pouco, vacilando, respondi: É, isso, vou
sentar um pouco. Você poderia buscar água para
min? E lá se foi ele como um herói que vai cumprir
a dificílima tarefa de pedir água ao garçom.
E eu observando Felipe ao longe, me caçando. De repente,
cansado de olhar, ele pega o celular e ... o meu toca - é
ele - atento, não atendo, é melhor desligar,
desliguei o telefone, mas podia ver sua expressão chateada
ao ouvir a caixa de mensagens. Minhas observações
foram cortadas pelo copo de água em minha frente, bem,
ele voltou, tagarela como sempre, conversava muito e fez com
que eu perdesse de vista o Felipe. Enquanto tentava, disfarçadamente
encontrá-lo alguém tapa minha visão e
diz: Advinha quem está com saudades de você?
!!!!!!!!!! - Nervosíssima, me apressei em tirar aquelas
mãos do meu rosto e virar para trás - era o
Gabriel, caramba, ele não tinha visto o Kiko ali, bem
pertinho conversando com amigos, e estava todo sorridente
querendo me abraçar. Oi Gabriel, quanto tempo, e aí?
Beleza? Tudo bem mesmo? Dançar? Bem, olhei para o lado
e o gatinho ciumento já me olhava com um ar de interrogação
querendo saber com quem conversava e, não resistindo,
estava vindo em nossa direção,- OI, BOA NOITE,
disse secamente, olhando meio atravessado para Gabriel, VAMOS
DANÇAR "MINHA" GATINHA? Bem, eu não
tinha o que fazer, puxada pelo braço, fui dançar
com Kiko. Mas Gabriel não estava conformado. Alguém
poderia trocá-lo por outro?. Não saía
dali. Conhecia um pessoal que estava conosco e ficou lá,
batendo altos papos, enquanto me olhava insistentemente. Eu
toda sem graça, por alguns momentos esqueci de Felipe
e decidi curtir a festa com o gatinho que parecia altamente
apaixonado. Em algum momento posterior ainda vi Felipe de
longe, me procurando ou falando com alguém. No outro
dia ele me ligou dizendo que, infelizmente não tinha
conseguido me encontrar - ou seja, UFA - ele não viu
nada. A noite acabou sendo maravilhosa. Esse dia não
me sai da memória, foi engraçado e embaraçador
ao mesmo tempo. Que sufoco! Mas, hoje vejo como o mundo dá
voltas e a ironia do mesmo: Sábado, 11 horas da noite,
estou aqui dedicada a apenas uma companhia: meu computador.
Pôxa, por quem alguns dias recebemos tantos convites
e em outros, parece que todos esqueceram que existimos?
Você também tem causos para contar? Envie-nos
para apimentar nosso site.
Home

|
Copyright©
2001
|
|
Produzido
por Daniele Canedo e Thaiane Machado
|
|