Que
venha a salsa!!
Axé,
pagode, pop-rock, reggae e, quando pensávamos que mais
nada iria compor a mistura de ritmo baiana, a salsa cai no
gosto do público. Bandas como Mambolada e Salsalitro
fazem renascer o movimento que, há tempos atrás,
foi introduzido na "terrinha" por Gerônimo.
O sucesso da famosa Rumbahiana fez a cabeça dos soteropolitanos
em 1982, introduzindo instrumentos percussivos caribeños
como congas,timbales, campanas, torpedos e templebocks. Desde
2000, a salsa voltou a mexer com a cintura e a explorar todo
o magnetismo de ritmos, natural do povo baiano. Mas o que
é realmanete a salsa?
O nome
salsa significa uma mistura de ritmos da música caribeña.
A expressão foi criada nos EUA, nos anos 70 e teve
origem no tempero picante da cozinha caribeña, associado
à drinques de uma famosso barman cubano. Segundo o
dicionário da Real Academia Espanhol, a salsa é
uma composição ou mistura de diversas substâncias
diluídas, que se faz para adicionar ou condimentar
as comidas. Mas o que queremos realmente falar é a
da mistura musical que a salsa é composta. Um pouco
de mambo, merengue, lambada e outros tantos ritmos calientes
fazem parte desta mistura que, aqui na Bahia, foi acrescida
da malícia do povo.
Não
só mambo e lambada
O mambo,
a lambada e todos os outros ritmos quentes da salsa, tomaram
conta da cidade e enchem as casas de shows com casais dançando
"coladinhos", mexendo com a sensualidade e a libido.
De uns tempos para cá, qual a menina que não
queira ser a "Larica" da Mambolada, ou gostaria
de ouvir do vocalista da banda que "só com você
é bom"? A nova sensação de Salvador,
Mambolada, tem conquistado públicos de todas as idades.
Para o público feminino o vocalista da banda, Rafique
- segundo ele, "23,75 anos" - é, na gíria
moderna, "o que há". Conheça um pouco
mais sobre a banda e o novo ritmo que caiu na aceitação
dos baianos.
Esperteens
- Há quanto tempo existe a Mambolada e como surgiu?
Rafique
- A Mambolada já está na estrada tocando
desde 1º de Janeiro de 2000. Lui Bastos, nossa empresária,
teve a idéia de misturar os ritmos caribeños,
afro-caribeños com caribó e toda a influência
baiana. Foi assim que a Mambolada nasceu.
Esperteens
- A Mambolada se adequa a uma banda de mambo, salsa ou lambada?
Rafique
- Não usamos rótulos. É uma mistura.
Costumamos dizer que a Mambolada é uma mescla dos ritmos
caribeños e lambada. As pessoas pensam que salsa é
um ritmo, mas é como o samba que tem várias
vertentes. O pagode, o samba de roda e o pertido alto se derivam
do samba. Os norte-americanos rotularam salsa devido ao molho,
ao tempero, devido ao ritmo quente e gostoso. Da salsa vem
o mambo, o merengue...todos estes ritmos maliciosos.
Esperteens
- Antes da Mambolada você já tocava em outras
bandas?
Rafique - Eu já toquei em outras bandas, o Flávio
também (baixista). Eu tocava em outras bandas quando
eu morava no interior, em bandas que tocavam músicas
em festas de 15 anos e formatura.
Esperteens
- E vocês juntos tinham uma banda antes?
Rafique - Não. A Mambolada foi acontecendo.
Eu vim do interior sem pretensão nenhuma de voltar
e tocar em banda, mas conheci Lui. A banda estava em fase
de experimentação, em pesquisa de repertório
e o Flávio já estava na banda. Temos uma interação
maravilhosa, sem hipocrisia nenhuma. O clima aqui é
muito leve.
Esperteens
- De uns tempo para cá a Salsa tem conquistado o mercado.
No São João, por exemplo, ouvia-se muito Mambolda,
Salsalitro... Como você ver o crescimento deste movimento?
Você acha que é algo sazonal?
Rafique - Eu acho que veio para ficar. As pessoas já
estão saturadas de axé, pagode...Deixando bem
claro que não tenho nada contra, gosto de axé
e de pagode. A salsa é uma tendência mundial.
O Rick Martin está difundindo este estilo de música...E
nós difundimos aqui na Bahia com pretensão de
extender a todo o país, porém com uma linguagem
mais nossa.
Esperteens
- Já começaram este plano de difusão
no Brasil?
Rafique - Já estamos difundindo. Já tocamos
em Natal e Aracaju, vamos agora para São Paulo e Rio
de Janeiro.
Esperteens
- Justamente por Salvador ter este mercado de axé há
muito tempo, foi muito difícil começar uma banda
com este ritmo diferenciado?
Rafique - Tudo que envolve ritmo aqui na Bahia as pessoas
assimilam com muita facilidade. Lógico que não
houve uma recepação imediata, mas muita recepetividade
ao passar do tempo.
Flávio - No início tocávamos numa
boate pequena aqui em Salvador, mas com o passar do tempo
acabamos criando tumúlto. As pessoas começaram
a curtir este ritmo diferente. A Mambolada começou
a crescer e chegou um momento que a boate era pequena para
o nosso público.
Rafique - O legal é que tudo aconteceu naturalmente.
Nada foi "injetado" ou houve um empresário
de "cacife". As pessoas realmente começaram
a curtir o som da Mambolada.
Esperteens
- Em relação ao mercado musical, você
acha que tem mercado em Salvador para este ritmo?
Rafique - Tem espaço para todo mundo. O pop,
por exemplo tem ganhado muito espaço, assim como o
raggae. O Diamba, o Adão Negro são bandas que
estão conquistando públicos cada vez mais...O
axé é um ritmo que ainda continua. Estamos num
momento iluminado, por que tudo que é novo causa alguma
sensação. Aqui em Salvador ainda há uma
mistura. Nós tocamos no carnaval e no São João,
tem espaço para todo mundo.
Esperteens
- Este CD que está tocando em todos os cantos
da cidade é o primeiro da banda?
Rafique - Este CD foi um acaso. Nós fechamos
uma casa de show aqui em Salvador, para mostrar nosso trabalho
a prefeitos e contratantes do estado da Bahia. Queríamos
que eles tivessem a idéia do que é a Mambolada.
Não sabemos como, mas foi gravado este show da banda
e por isso se encontra em todos os cantos de Salvador.
Esperteens
- Vocês ainda não lançaram um CD oficial?
Rafique - Nós estamos na preparação
do repertório. Todos estes Cd's que estão na
praça são de shows gravados. Inclusive a Mambolada
começou a gravar shows também, como uma forma
de divulgação. Nesta preparação
do CD em estúdio, temos algumas músicas nossas,
regravações e trabalhos de outros compositores.
Esperteens
- Como vocês cantam um ritmo caliente, o assédio
das fãs é certo. Vocês gostam? A meninas
passam a mão mesmo?
Rafique - Passam muito a mão e chama de "gostoso"
(risos). É bacana por que é seu trabalho se
concretizando. É gostoso! (risos). Não vou mentir
dizendo que não gosto.
Esperteens
- Já pintou algum romance com fã?
Rafique - Já...Lógico! (risos). Inclusive
quando eu tocava em bandas na época que morava no interior,
eu conheci a mãe de meu filhinho, o Rafiquinho, que
hoje tem quatro anos. Mas sou solteiro! Acontece sim...Mas
quem agarra mais é o Flavio! (risos).
Esperteens
- Quais os planos da Mambolada?
Rafique
- O primeiro é "dar a luz" ao primogênito
da Mambolada. O nosso primeiro CD, um trabalho para que possamos
fazer programas televisivos no sul do país, exigem
que tenhamos gravadora.
Esperteens
- E carnaval? Já fecharam com algum bloco?
Rafique - Já tem blocos em vista. Há
blocos que querem a Mambolada e há planos de criação
de um novo bloco tocando somente este ritmo.
Esperteens
- E aquela música que mexe com a libido das fãs,
"Só com você"... Conte-nos a história
desta música, a inspiração...
Rafique - Essa música mexe muito com a sensualidade.
O que me veio na cabeça foi o seguinte são aqueles
relacionamentos que o mais gostoso é o sexo. É
a história de um relacionamento que não dá
mais certo e a mulher parte para outro,mas fica com saudade.
"Só com você que é bom" (risos).
Eu tenho muitas amigas mulheres e já ouvi muitas histórias
como estas.
Esperteens
- Vamos fazer uma pergunta que já nos fizeram inúmeras
vezes: O que é "Larica"?
Rafique - Existem várias significações.
Na música refere-se a uma mulher e também a
fome. "Larica de noite, Larica de dia, Larica de tarde,
Larica vicia...". É fome de amor.
Esperteens
- Para finalizar, dá um recado para as nossas esperteens.
Rafique - Desejar muita saúde, muito beijo na
boca...mas só beijo na boca. E para quem não
conhece a banda, venha mambolar.
Confira
mais fotos da banda.
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Copyright©
2001
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Produzido
por Daniele Canedo e Thaiane Machado
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