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A superstição varia de pessoa para pessoa; de lugar para lugar;
de região para região. Umas ficam adstritas entre componentes de
determinadas classes : em uma família, em um povoado. Outras ficam
morando em uma única pessoa , com seu criador, e a maioria se difunde
entre as massas, entre os povos.
Mas quem são as
pessoas que praticam? Os estudos a esse respeito preocupa-se com certos
fatores, tais como a
inteligência ou a idade, e ainda se tais fatores inibem ou facilitam a
adesão às crenças supersticiosas. As diferenças interindividuais estão
no centro das atenções dos estudiosos que procuram relacionar esses
fatores e de que forma se dá a adesão supersticiosa.
Quase sempre em elevada percentagem a superstição é mais
acentuada, tem mais domínio, entre criaturas da classe acima da média,
entre intelectuais e pessoas de mando e de poder. Napoleão Bonaparte
quando tinha vinte e sete anos, no meio de uma batalha na Itália
percebeu no turbilhão de um combate que no seu bolso se quebrara o
vidro que protegia a miniatura de Josefina. Empalideceu horrivelmente,
parou o cavalo e disse: “Quebrou-se o vidro! Minha mulher está doente
ou é infiel. Prossigamos!”
Pesquisas recentes
foram feitas considerando variáveis como sexo, idade, origem social,
grau de instrução, nível sócio–profissional, inteligência e variáveis
de personalidade .Confirmou-se que as mulheres e os jovens são
particularmente permeáveis às crenças supersticiosas e paracientíficas.
A tendência à supertição é quase duas vezes mais forte entre as
mulheres que entre os homens. Mas essa diferença entre os sexos se
atenua ou mesmo desaparece no meio estudantil, onde a maioria pertence a
faixa etária jovem. No que se refere ao grau de instrução,
verifica-se que não só as pertencentes a um nível de educação são
as mais suscetíveis às superstições. Pelo contrário, os mais instruídos
e os científicos também são supersticiosos como já foi dito.
A atividade profissional também exerce influências quanto a
recorrência às crendices. Por exemplo, nas profissões caracterizadas
pela ocorrência de riscos e que possibilitam incertezas social e física
são as que mais se encontram adeptos à superstição: pilotos, atores,
pescadores marítimos, etc. Quando o fator é inteligência, nota-se que
quanto menor é o nível de estudo, maior é o ceticismo em relação as
superstições, principalmente àquelas intituladas com tradicionais.
Geralmente as pessoas mais supersticiosas são aquelas que acreditam que
os acontecimentos
de suas vidas estão sob o controle de forças que lhe são
exteriores. A superstição tem se revelado como um meio de reduzir a
angústia resultante de sentimentos de impotência ou de um estado de
incerteza ao dar ao homem a ilusão de controlar os acontecimentos
importantes de sua vida,
permitindo adaptar-se ao seu meio físico e social.
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