Crendices

É uma crença incongruente e insólita gerada pelo medo doentio de pessoas que possuem religiosidade exaltada.
            O medo é o grande gerador dos crendeiros: medo do inferno, medo do diabo, medo do purgatório, medo de pecar, medo de ser perseguido por espíritos, medo de feitiço... Todas essas fobias criam pessoas crendeiras e supersticiosas e um sincretismo de crenças engendradas para transformar pecados em virtudes.
             O crendeiro é fabulador. Sente surgir de tudo que o cerca um mistério atemorizante; um temor doentio que o faz viver num arrebatamento de dúvidas acerbas; em tudo descobre um mau presságio porque em tudo acredita a seu modo.
            Na persuasão de tanger o mal que ele mesmo cria, o crendeiro gera uma crença subjetiva. Em tudo confia porque de tudo desconfia. Procura esquecer-se da recomendação de São Paulo: “...evita as práticas vãs e profanas porque só servem muito para a impiedade; e a prática delas lavra como gangrena...”(II Timóteo, 2-16).
            Faltando um pouco de fé; vem a vacilação e a crendice aparece audaciosa; ela vive de alcatéia por trás de cada pessoa e nos bastidores de todas as religiões.
            O crendeiro é um anormal, criatura que se torna infeliz e sem segurança porque não sabe crer, não sabe Ter fé, vive preso às suas próprias abusões, às crenças estranhas por ele mesmo criadas.
            O crendeiro está em toda parte, em todo meio social, entre o povo e a alta sociedade, entre pobres e ricos, entre ignorantes e eruditos.
            As crendices reúnem o que a mente humana criou para se distrair e proteger-se.

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