
A tarde era de um calor moderado quando aportava em Santos,
depois de uma escala no Rio de Janeiro, um navio apinhado de 166 imigrantes, a maioria de
nacionalidade italiana. Dia 16 de dezembro de 1877, o jornal A Província de São Paulo
chegou a informar, numa curta nota, a chegada da embarcação. A data não representa o
registro oficial do começo da imigração italiana em massa no país, o que aconteceu,
segundo os historiadores, a partir de um ano antes. De qualquer forma, era uma das
primeiras notícias publicadas sobre a presença dos peninsulares pela imprensa no Brasil.
A imigração nasce da necessidade dos fazendeiros, principalmente produtores de café, de
repor a mão-de-obra escrava; o movimento abolicionista era crescente e o tempo era de
mudança de mentalidade no país. E foi assim que, no período que vai de 1870 a 1879, o
Brasil recebeu 193.931 estrangeiros, entre os quais a presença de pouco mais de 47 mil
italianos. Entre de 1890 e 1899, esse número cresce absurdamente e atinge 1,205 milhão
de imigrantes, 57,8% deles originários da Itália. Segundo levantamentos da época, 70%
de todos os italianos que chegavam ao país tinham como destino São Paulo. O restante
seguia para o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Espírito Santo e Bahia, basicamente.
A partir daí, a presença italiana no Brasil se consolidaria e o que se viram foram influências marcantes desta raça de desbravadores que muitas vezes largavam a terra natal, em pleno processo de Rissorgimento (a unificação italiana) em busca de melhores condições de vida numa terra para eles completamente desconhecida. Na Bahia, os peninsulares, os primeiros deles degredados, iriam marcar presença também na colonização do novo país.
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