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Origens

Família italiana em Jequié - BA

Dois episódios incomuns constituem capítulos importantes da presença dos italianos na Bahia. O primeiro deles diz respeito ao exílio em 1837 no Brasil, como indulto para um grupo de 62 presos políticos do Estado Pontifício, detidos no cárcere de Civitacastellana. Acrescidos de mais 91 pessoas, entre frades capuchinhos e voluntários em geral, o grupo aporta num dia 22 de abril Salvador. Todos eles se comprometiam a reembolsar o Estado Pontifício dos empréstimos que tomaram para a viagem.

A população local recebeu com hostilidade os viajantes e a Sociedade de Colonização acreditava que se tratasse de perigosos facínoras, mas os italianos conseguiram, a duras penas, se sustentar com apoio de alguns compatriotas.

Não fica aí a entrada dessas dezenas de italianos adeptos de doutrinas políticas que agitavam a Itália antes da Unificação e a vinda de poucos delinqüentes de crimes comuns. Haviam aportado na Bahia quando esta se achava às voltas com as idéias liberais do médico Sabino Vieira, que provocaria a revolta que abalou a região de novembro de 1837 a março de 1838, dominada pelo governo geral. Aquelas idéias sensibilizavam a muitos dos deportados políticos, os quais aderiram ao movimento que seria conhecido popularmente como a Sabinada. Três dos italianos foram feridos nos combates travados na cidade, um morto e quatro libertados da prisão. Alguns desses retornam à Itália, outros mudam-se para o Rio, e falham os entendimentos para a vinda de mais uma leva de degredados, desta vez de Nápoles.

Passaporte de Giuseppe Vita

Ferrovia – Outro episódio incomum tem a ver com a introdução, em 1858, de mil trabalhadores italianos para as obras de construção da estrada de ferro da Cidade do Salvador ao São Franscisco. Para tanto, desembarcariam nada menos que 912 peninsulares na Bahia. Todos eles vinham para estas paragens pela contingência da pobreza e da miséria, que os obrigava a aceitar trabalho em outros países . Muitos, a exemplo do operário Giuseppe Vita, bisavô deste que vos escreve, instalariam-se nas cidades de Jequiriçá, Jaguaquara e região, muito por conta destas terras apresentarem características morfológicas e climáticas bem parecidas àquelas de áreas montanhosas como a Região da Basilicata, por exemplo.

Aqui, como em todo o país, os italianos encontraram terreno fértil para a notabilidade de suas habilidades intelectuais e políticas. A integração dos italianos oriundi na vida pública com exercício de cargos de juizes de paz, de conselheiros municipais e vereadores, de intendentes e prefeitos, se verifica desde a segunda metade do século XIX por aqui, graças à facilidade da naturalização e à maleabilidade de nossos costumes. Haveria muitos exemplos a registrar. De Jequié, comprova-se aquilo com o caso conspícuo de Antonio Lomanto Júnior, nascido e criado naquele município, filho de imigrante de Trecchina, vem à capital estudar para dentista e retorna a sua terra, onde pratica a profissão angariando simpatias, a par da atividade como fazendeiro progressista. Estas qualidades o credenciariam para vereador, deputado estadual, prefeito da cidade duas vezes. Nessa trilha, ganha prestígio como líder municipalista e admirado em todo o estado, elege-se governador em 1963, terminando o mandato em 67 com grande popularidade. Elege-se deputado federal e, finalmente, senador da república de 78 a 86.

 

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