
"Portiamo la civiltá nel sangue".
(Trazemos a civilização no sangue).
Luigi Pirandello (1867-1936), dramaturgo italiano
Apesar das naturais dificuldades de se obterem números precisos nessa área, todos os autores concordam que no final do século XIX, sobretudo a partir de 1870, registrou-se o maior volume de entrada de italianos no país. Dos 5 milhões de imigrantes que aportaram neste período, 30% eram italianos.
Há, indiscutivelmente, nesses números, sinais indisfarçáveis de preferência na aceitação do italiano como imigrante. Esse sinal claro é resultado de duas ordens de fatores. Uma delas, derivadas das condições adversas, políticas e econômicas, pelas quais passava a Itália nessa fase da história, estimulando de múltiplas maneiras grupos e indivíduos a abandonar o país. A outra está ligada não apenas à conjutura política e econômica que marcava a vida brasileira no final do século passado, mas também a um aspecto ideológico, nem sempre explicitado.
Procurava-se atingir, pela imigração estrangeira, pelo menos três objetivos:
A substituição da lavoura do braço escravo pela
mão-de-obra assalariada. O movimento
abolicionista crescia de forma larga e o descontentamento dos negros crescia na mesma
proporção em que se via reduzir a produtividade das lavouras;
A constituição de uma classe média até então praticamente inexistente no país;
A ocupação e posse de espaços vazios, alargando desta forma as fronteiras físicas do poder central e os limites da expansão da civilização ocidental.
Criou-se ainda, nesse período, pelo menos dois modelos ou sistemas de fixação dos imigrantes nas áreas rurais: o Sistema de Imigração, que teve como alvo imediato a obtenção de mão-de-obra assalariada ou associada; e o Sistema de Colonização, que visava ao aumento da população do país com a intenção político-militar de ocupar e defender espaços vazios, como aconteceu com as famosas colônias dos estados meridionais do país.
Os imigrantes italianos estavam, por assim dizer, encaixados em ambos os sistemas. Grande número, porém, impossível precisar, escapava desses modelos em direção aos centros urbanos. Nas cidades, desempenhavam atividades na indústria e no comércio, constituindo, posteriormente, a parte da população de onde sairiam os capitães de indústrias e os assalariados que dariam volume e consciência política ao incipiente proletariado brasileiro, em especial, ao paulistano. Em 1900, por exemplo, nas fábricas de São Paulo, 81% da mão-de-obra era italiana.
Nessa fase, a participação italiana na sociedade já era muito grande e evidenciava a todo instante o sentido de integração. Em 1889, os italianos fundaram, num gesto de benemerência sem precedentes na história brasileira, a Cruz Branca Italiana para socorrer, em Santos, as vítimas das febres infecciosas. Leia mais na seção Intercâmbios e Influências.
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