Entrevista - COLHER DE PAU

Salvador, mês de novembro, véspera do verão, começo das festas populares baianas e expectativas para o carnaval. Toda sexta feira, uma galera jovem e bonita lota uma casa de show, na orla da cidade, para ouvir... forró. É isso mesmo. A banda Colher de Pau, criada em 1996, faz um forró alegre e profissional, o que atrai a turma para curtir as sextas sem lei, nome dado ao projeto. Em meio a gravação do terceiro CD da banda projetado para está nas lojas a partir de fevereiro, Léo, o vocalista e guitarrista conversou com o ARRASTABYTE. Falou sobre dificuldades e prazer de fazer forró, sobre a banda e suas novidades.

ARRASTA- Como é fazer forró em Salvador, considerada terra do axé?

LÉO- Eu não acredito muito nessa expressão. Acho que o termo terra do axé não define nada. Existem muitas vertentes do axé. A Timbalada é diferente do Asa de águia, por exemplo. Hoje até confundem axé com pagode. Daqui a pouco alguém estará chamando o forró feito na Bahia de axé. A Bahia é um estado nordestino. Embora em Salvador a preferência seja do axé e do pagode, nas cidades do interior o que mais se houve é forró. Além do mais, as pessoas que moram em Salvador gostem sempre de ir ao interior do estado. Sendo realista, ainda há a valorização do forró, aqui, nos meses antecedentes às festas juninas. Mas a banda Colher de Pau quer tornar o forró pop.

ARRASTA- Como começou a banda?

LÉO- Agente quando montou a banda, não tinha o intuito profissional, mas para se divertir. A banda é formada por primos e começamos tocando tudo. No início, não tínhamos nem bateria. Tocávamos em barzinhos, sambas e jogos de faculdade. Em 96, chamaram agente para tocar forró, em festas da faculdade. Então a banda aconteceu e eu fiquei muito feliz, porque é um estilo que eu gosto muito e que tem suas raízes.

ARRASTA- A banda já tinha alguma cumplicidade com o forró?

LÉO- Com certeza. Nossa família é de Cachoeira, interior baiano e sempre viajávamos para passar o São João lá.

ARRASTA- Vocês faziam um estilo country e agora estão se aproximando do forró pé de serra, como se deu essa mudança?

LÉO- Quando agente, em 97, assumiu o estilo de forró, nós procuramos fazer alguma coisa que chamasse atenção. Na época, o country estava em alta e decidimos optar por ele. Isso fez a banda ter maior sucesso. De dois anos para cá, agente vem mudando porque o forró pé de serra faz mais o nosso estilo e é a preferência da banda. Além do que, o público curte muito. Nós estamos cada vez mais procurando a nossa identidade.

ARRASTA- Como nasceu a "Sexta sem Lei?"

LÉO- Quando fomos fazer o evento no verão, precisávamos de um nome que fosse atrativo, legal. Lembramos então de quando saíamos juntos para festas, às sextas feiras. Chamávamos essa saídas de sextas sem lei, por causa de um seriado de bang-bang que costumávamos assistir. Gostamos do nome para o projeto e ficou sendo assim.

ARRASTA- O que é que um banda de forró, de Salvador, faz durante o carnaval?

LÉO- Vai atrás do trio elétrico ou tira folga. Mas agente está preparando uma surpresa para o próximo carnaval. Acredito que novos estilos podem fazer parte desta festa.

ARRASTA- Você concorda com a afirmação de que o axé está morrendo?

LÉO- Lógico que não. Não podemos definir todos os tipos de música baiana como axé e anunciar a morte de todos ao mesmo tempo. Será que Caetano Veloso já não fazia esse tipo de música para o carnaval? "Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu". Não vai morrer. Só vai haver uma seleção. O que é bom vai ficar e o que é ruim vai sair.

 
 

 

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