JOHN GREATBEAUTY

Ele já lançou três discos na sua curta carreira de apenas dois anos. O sucesso alcançado por este artista peculiar, com sua filosofia extremamente narcisista, pode ser visto como o retorno da figura ideológica do artista. As músicas, inteiramente compostas por ele, falam quase sempre dele mesmo, do seu cotidiano, suas aspirações, e seu desejo de passar ao mundo uma mensagem de paz e alegria, expressado principalmente na letra de "Against the angst":


"Should I be a leader
Of many souls
Perhaps then
The world will be happy.
But remember:
When I die, it all ends."

Vain - A quê você atribui seu sucesso?

Greatbeauty - Ao meu talento, claro. Não agradeço a ninguém. O meu talento é tão inegável, que me levou ao sucesso rapidamente. Muitos afirmam que as vendas do último disco "Through the inner soul", foram impulsionadas pela minha beleza. Eu discordo: acredito que a minha música surte um efeito tamanho nas pessoas, algo irresistível.

Vain - Na letra de " My Ego and I (slight return) ", você conclama a humanidade a aceitar o nascimento do artista como um sinal positivo de que o mundo tem esperança. Você quer com isso colocar o artista acima do homem comum?

Greatbeauty - Eu não sou um homem comum, e é isso que me torna especial. Sei que muitos não compreendendo a importância histórica desse fato, que é o nascimento do artista, simplesmente neglicenciarão a minha existência. Mas isso é absolutamente normal, já que não posso cobrar deles a mesma aguçada percepção que possuo. Nem todo mundo é perfeito. Aliás, mais ninguém o é. Mas eis que, uma vez sabendo que já existo, as pessoas entenderão que, afinal de contas, o mundo não é tão ruim assim. Não existem só guerras, ou fome e sofrimento. Há, de certo, as flores. E existo eu, e quero que percebam o quanto isso é importante.

Vain - O que o artista diria, então, para a família de Stephen Reyes, que suicidou-se no verão passado? O psiquiátrica do rapaz afirmou que a causa do suicídio foi uma intensa fixação no artista, com sentimentos de inferioridade e depressão.

Greatbeauty - Imagino eu (e quando imagino, é verdade) que algumas pessoas devam ficar tristes ao perceberem que, de fato, são mais insignificantes do que pensavam. Mas não fiquem, eu digo. Pensem (esforcem-se!), agora vocês têm um novo mundo de possibilidades pela frente. Imaginem os admiráveis avanços nas ciências e nas artes com o advento de minha existência.

Niven - O governo americano está querendo censurar a publicação de seu livro autobiográfico "Burning Light". Seria pelo conteúdo pornográfico ou pela exaltação excessiva ao ego do artista?

Greatbeauty - Acredito que o governo interpretou mal o livro. Sendo minha biografia ele já é uma obra de arte legítima. Resolvi escrever esse relato para que o mundo saiba que eu nasci. É importante que as pessoas, absortas num mundo sem nenhuma perspectiva, tomem consciência de que existo. Se as flores, que não podem dizer que são importantes ( percebam: importantes apenas), tem o seu altar, por que não eu? Eu digo, podem cheirar as flores, flores são boas, e vocês acreditam. Por que não acreditar em mim?

Esta entrevista foi publicada no Washington Post de 22/04/86