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HERTZ GUTMANN
Uma das maisimpressionantes
obras parnasianas jamais escritas, O SORRISO
DE HERTZ é um clássico da literatura alemã,
citado pelo grande poeta Goethe como a "pedra
filosofal da literatura humanística moderna".
O SORRISO DE HERTZ
Ó, clarão de cálcio da fina flor formada
Tua luz reluz o nosso olhar de aventureiro
Tua coroa de poesia em prisma contornada
Alvidez mais altiva que pele de cordeiro.
Ó, primor magestoso consagrado à criação
És pavão de cânticos, não mero sorriso
Foste mármore de Carrara esculpido à mão
Perfeitos molares, caninos e cisos.
Rogo ao céu, perante a luz de eterno ardor
Que brilhe sempre sobre nós aquilo que vi
Que primor rocha de dentina a tudo vele.
Pois há de vida enleada ter mais poesia e
amor
Que quando, enfim, a sublime criatura ri
É certo também que o próprio Deus ri por ele.
A história de um Sorriso
O Sorriso de Hertz foi escrito
pelo autor na sua casa de campo em Dusseldorf,
ao ar livre, com um espelho de 2 metros quadrados
colocado a sua frente. Hertz Gutmann conheceu
a fama a partir dos estudos poéticos que costumava
fazer de partes do corpo humano, geralmente
a suas próprias.
Narrando o que acontece a certos aspectos
do corpo do herói durante, em Dusseldorf,
e muito antes de Joyce, Hertz Gutmann contribuiu
o suficiente para revelar a massa de angústia
e de saber enciclopédico que desabam sobre
o homem contemporâneo. E, procurando abranger
a totalidade do mundo físico e metafísico,
introduziu-lhe o relativismo em sua forma
extrema, a ponto de anular a idéia preconcebida
de tempo e espaço.
Seu primeiro livro, de contos, "Wasser Widerschein",
revelou um caráter sensível e observador.
Nos seus primeiros trabalhos, a influência
do classicismo é muito forte. No seu segundo
livro, "Spiegel Widerschein", a técnica deu
vazão a sentimentos e reflexões tão transcendentais
quanto distantes do homem comum. A sua genialidade
consiste no fato de tratar de si mesmo, em
poemas altamente autobiográficos, de maneira
autêntica, sempre buscando novos ângulos da
sua personalidade.
Entenda-se, porém, que essa tendência para
o rigor estético e a construção rígida dos
poemas, equivale a uma reação espontânea contra
a saturação operada nas formas literárias
cultivadas desde o classicismo, significando
a ascensão e o enriquecimento da poesia e,
claro, do próprio artista. Herman Broch, escritor,
editor e crítico literário do Deutsch Observatorium.
GUTMAN, Hertz. Spiegel Widerschein. Editora
Ultrech, Berlim, Alemanha, 1860.
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