|
 |
ECOSSISTEMAS
DA REGIÃO
A
Chapada Diamantina, situada no centro do Estado da Bahia,
possui uma rica variedade de plantas e animais. Devido às
altitudes que variam entre 800m e 1.700m, aos ricos que percorrem
a região, formando, juntamente com o relevo acidentado,
belas cachoeiras e grandes poços de água ferrosa,
a Chapada se torna um lugar extremamente atraente para quem
gosta de natureza.
|
A Chapada Diamantina e, particularmente,
a área que compreende o Parque Nacional, demonstra sua riqueza
natural e apresenta distintos ecossistemas: a caatinga, o cerrado,
as florestas.
A CAATINGA
Caatinga
é um termo indígena que significa "mata branca",
é um ecossistema típico da região Nordeste
do Brasil e apresenta uma grande biodiversidade. Apesar da pouca
incidência de chuva, que torna o solo seco e aparentemente
árido, quando a umidade aumenta um pouco, a terra floresce
e torna a paisagem cheia de vida, demonstrando que este solo é
fértil o suficiente para brotar uma vegetação
rica em diversidade e beleza.
A Caatinga apresenta uma vegetação composta de uma
vegetação arbórea (8 a 12 metros), arbustiva
(2 a 5 metros) e herbácea (até 2 metros), e espinhosa
de forma a conseguir preservar por mais a água que armazenam.
Essa vegetação se adapta à falta d'água
e por isso é predominante o arbusto lenhoso, com formas retorcidas.
Em meio da seca da região, ainda se encontram verdadeiros
oásis, onde o solo é mais fértil e a água
um pouco mais abundante e se pode produzir quase todos os alimentos
peculiares aos trópicos.
Entre as espécies mais abundantes se destacam: o umbuzeiro
(Spondias tuberosa), a maniçoba (Manihot epminosa), a umburana
(Bursera leptophloes), o xique-xique (PilosocereUs gounellei), o
juazeiro (Ziziphus joazeiro), a macambira (Bromélia antiacantha),
a quixabeira (Bumeria sartorum), o pau-d'arco (Tabebuia aurea),
a barriguda (Cavanillesia hyloceiton).
A devastação da caatinga vem se acentuando ao longo
das décadas devido ao corte da madeira para a produção
de lenha e carvão vegetal para o abastecimento, principalmente,
das siderúrgicas e olarias e devido ao grande crescimento
demográfico na região.
CAMPO CERRADO
O cerrado
é a segunda formação vegetal brasileira com
características específicas e representa um diversificado
e riquíssimo ecossistema. Com um relevo variados, o Cerrado
possui árvores de folhas grossas e troncos retorcidos misturadas
com uma vegetação rasteira e rala. Variando entre
campos limpos (gerais) e matas isoladas, não muito altas
(capão), o Cerrado é uma verdadeira dádiva
da natureza, onde se encontram nascentes que irão formar
e alimentar outros rios.
Nas margens dos rios, formam-se matas ciliares ou matas de galerias
que têm uma característica específica de conter
a erosão com suas raízes adaptadas às correntezas
e inundações.
O solo característico é profundo e antigo, e, devido
à acidez, torna-se pouco fértil. è rico em
ferro e alumínio.
O cerrado, além de rico em flores exóticas, tem um
extensa variedade de plantas medicinais. Dentre as mais conhecidas
estão: a jurubeba (Solanum paniculatum), o pau-santo (Trichilia
hirta), o pequizeiro (Caryocar brasiliensis), o araçá
(Psidium guajava), o pau-terra (Qualea parviflora).
Na região do Parque Nacional, predomina a classificação
de "campo Cerrado", com características específicas:
árvores pequenas, vegetação lenhosa, associada
com tapete herbáceo denso, alternados com campos abertos.
O Cerrado é, sem dúvida, uma das áreas mais
devastadas devido à atividade agropecuária que além
de fazer queimadas para a criação de pastos, utiliza-se
de agrotóxicos e fertilizantes químicos que poluem
o solo e a água. Além disso, a o garimpo realizado
durante muitos anos na região assoreou os rios, resultando
em grande impacto para o meio ambiente.
CAMPO RUPESTRE
Classificada
por uns como "refúgio ecológico", o campo
rupestre é uma vegetação típica de locais
com altitude em torno de 1000 metros. É constituída,
quase exclusivamente, por espécies endêmicas que se
desenvolvem nas fendas das rochas e em solo arenoso.
As plantas são de pequeno porte e apresentam algumas adaptações
relativas à retenção de água nas folhas,
nos bulbos, nos caules e nas raízes. Nessas altitudes onde
há muita luminosidade e pouca chuva, essa adaptações
visam ajudar a sobrevivência das plantas ante as queimadas
e variação de temperatura diurna.
Dentre essas plantas que apresentam, na maioria das vezes, cores
vivas e variadas, se destacam: a orquídea (Cattleya ellongata),
as mudas de árvores anãs parecidas com o "bonsai"
(Cambessedesia, Lavoisieria, Microlicia), os cactos e as begônias.
FLORESTA SEMPRE-VERDE DE ALTITUDE
Formando
as "matas de encosta" e "matas de neblina",
são florestas que se desenvolvem nas encostas das serra,
no sopé dos morros e nos vales íngremes e fechados.
Tem como característica a permanência das folhas verdes
durante quase todo o ano devido à umidade que condensa nessas
altitudes.Daí o nome "sempre-verde".
Entre as serras, encontram-se as matas de grotões que apresentam
características específicas como árvores de
raízes resistentes e fixadoras, devido à sua localização
nas beiras dos rios.
Durante o período mais seco, entre julho e novembro, a floresta
se torna alvo das queimadas que já trouxeram grandes prejuízos
para a fauna e flora da região. Além disso, ainda
existem as perdas devido ao assoreamento dos rios e dos córregos,
favorecidos pelas chuvas torrenciais, quando encontram o solo desprotegido
pela mata. Apesar disso, e graças ao difícil acesso
a essas matas, elas permanecem relativamente preservadas.
No
Parque Nacional ainda se encontram outros ecossistemas como a Floresta
Estacional Semidecidual de Planície, caracterizada por se
desenvolver em áreas planas, onde o solo é profundo
e as chuvas freqüentes; e o Marimbus, uma área inundada,
com lagoas de águas mansas interligadas, formando um alagadiço
que possui verdadeiros nichos ecológicos. Entretanto, esses
tipos de vegetações não são encontrados
no Vale do Capão.
Em função da localização geográfica,
encontrando-se numa área tropical, a fauna da Chapada bastante
variada, assim com a flora que alegra o Parque com seu exuberante
colorido.

FAUNA
As
aves são os animais mais fáceis de observar no Vale
do Capão devido a sua grande quantidade e variedade no Parque
Nacional, totalizando mais de 300 espécies conhecidas. Num
dia de caminhada pode-se observar mais de 30 espécies diferente.
Entretanto, para isso, é preciso caminhar sem barulho, usando,
de preferência, roupas de cores discretas e binóculo.
Destacam-se: o beija-flor gravatinha-vermelha (Augastes lumachaellus)
e o beija-flor marrom de orelha azul (Colibri delphinaegreenewalti),
o papagaio verdadeiro (Amazona amazônica), o pica-pau-anão-pintado
(Picumnus pygmaeus), o periquito-rico (Brotogeris tirica), o gavião-pé-de-serra
(Geranoetus melanoleucus), águia cinzenta (Harpialyetus coronatus)
- estes dois últimos mais escassos na região.
Apesar de uma variedade e diversidade grande de mamíferos
na região, é mais difícil observa-los. Dentre
os animais dessa espécie se destacam: a onça-pintada
(Panthera onca), a jaguatirica (Felis pardalis), o gato-do-mato
(Leorpadus sp), o veado (Mazaba sp), o macaco-prego-de-peito-amarelo
(Cebus apella xantosthernos), o tamanduá-mirim (Tamandua
tetradactyla), o porco selvagem (Tajacu albirostris), todos ameaçados
de extinção. O Tamanduá Bandeira (Myrmerco
phaga tridactyla), a anta (Tapirus terrestris) e o tatu-canastra
(Priodontes maximus), antigamente presentes na região, foram
extintos devido à caça predatória. Já
o mocó (Kerodon sp) pode ser visto com facilidade e até
fotografado tomando sol nas pedras.
Os répteis e anfíbios podem ser observados mais facilmente
ao longo das trilhas. Formam o grupo mais extenso da Chapada Diamantina,
constituído de sapos, cobras, calangos, teiús, iguanas
jararacas de pequeno e médio porte, entre outros animais.
Com o crescimento das vilas e, principalmente, do turismo ecológico
na região, os animais se recolheram em locais de mais difícil
acesso, como os fundos dos vales, grotões e áreas
florestais mais densas, como forma de proteção.

Flora
A flora
que compõe a Chapada Diamantina é rica e variada,
emitindo sua exuberância, tanto nas regiões mais secas,
como nas beiras dos rios. Jardins naturais, matas ciliares, capões
de matas, campos rupestres formam o grande mosaico de cores alegres.
É possível encontrar grandes áreas coberta
por lindas bromélias compondo um local de rara beleza. As
orquídeas podem ser encontradas em meio à vegetação
mais baixa, nos caminhos das trilhas.
Esse magnífico parque ecológico encanta centenas de
pessoas que todos os anos por ali passam.
|