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de Jacques Rivette (Paris nous appartient, 1960, Suspense)
SINOPSE
Anne Goupil é uma estudante de literatura na Paris de 1957. Seu irmão mais velho, Pierre, a leva para a festa de um amigo onde os convidados incluem Philip Kaufman, um americano tentando se livrar do Macartismo, e Gerard Lenz, um diretor de teatro que chega com uma misteriosa mulher, Terry. A conversa na festa gira em torno do aparente suicídio de Juan, um ativista espanhol amigo dos convidados que recentemente terminara o namoro com Terry. Philip avisa a Anne que as forças que mataram Juan logo farão o mesmo com Gerard. Este está tentando montar uma peça baseada em "Pericles", de Shakespeare, apesar de não conseguir financiamento. Anne consegue um papel na peça para ajudar Gerard e tentar descobrir a causa da morte de Juan.
CRÍTICA
Apesar de "Paris Nos Pertence" aparentar ser mais amador que qualquer dos primeiros filmes da Nouvelle Vague (comparado apenas a "O Signo do Leão", de Eric Rohmer, em termos de baixos custos de produção), a forma como o diretor Jacques Rivette concebe a complexidade parisiense permanece como uma abordagem bela e madura.
O espectro de uma conspiração internacional e de um apocalipse iminente assusta os personagens - um estudante questionador, um grupo de atores que estão montando uma produção barata de "Pericles", vários artistas, um americano exilado do Macartismo, - quando o estudante sai numa busca para recuperar uma fita de música de um imigrante espanhol que pode ou não ter se suicidado; referências que vão de Kiss Me Deadly à clara sequência da Torre de Babel em "Metropolis" informam sua misteriosa jornada.
Poucos filmes foram mais efetivos na captura de um período e um meio como esse, o qual evoca a poesia e o potencial medo da paranóia da boemia e noites em claro em minúsculos quartos, acompanhado de um fragrante e jovial idealismo e sonhos utópicos exprimidos pelo título do filme (que é uma contradição ao epígrafo de Charles Peguy na abertura do filme: "Paris pertence a ninguém").
Rivette em pessoa - e amigos e colegas como Jean-Luc Godard, Claude Chabrol, e Jacques Demy - fazem memoráveis participações especiais.
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