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de Alain Resnais (Hiroshima, Mon Amour, 1959, Romance)

SINOPSE

A história, que é complexa (na manipulação do passado e presente) e simples (focaliza um curto caso amoroso) ao mesmo tempo, concentra-se num caso amoroso de dois dias em Hiroshima, entre uma francesa e um japonês. O espectador encontra os dois personagens nus, às quatro horas da madrugada. Eles conversam brevemente e ela, por um instante, nota um leve tremor na mão do seu parceiro.

Esse movimento relembra-a da dor que sente pelos mortos de Hiroshima, além da perda que ela mesma sofreu no passado, quando o jovem soldado alemão que ela amou em Nevers foi morto no dia que essa cidade foi libertada da guerra. Castigada por sua família, a jovem francesa foi aprisionada num escuro porão, desgraçada por ter amado o inimigo. Neste momento de reflexão, ela projeta a cidade inteira - a bomba, a morte, o sofrimento e a mutilação física - sobre o seu amante japonês, ao qual ela chama de Hiroshima, porém também sabe que irá esquecê-lo. Eles dois se abraçam ao tempo que o filme termina, chamando um ao outro pelos nomes das cidades que representam: Nevers e Hiroshima.

CRÍTICA

Hiroshima, Mon Amour, para alguns, foi tão importante para o desenvolvimento da arte de fazer cinema como Cidadão Kane (1941). O primeiro longa-metragem de Resnais, anteriormente reconhecido por seus fabuloso e ágeis documentários, o filme é uma adaptação de um manuscrito da escritora francesa Marguerite Duras, uma das melhores do século XX. Retrata músicas, diálogo encantador e uma sentença crucial: "Eles fazem filmes para vender sabonete, por que não um filme para vender paz?". A combinação do texto de Duras com a mistura de imagem e som de Resnais, transforma o filme em algo bem moderno. Silencioso e hipnótico, deixa você tão consciente do talento artístico dele, que você pode se sentir em uma igreja e ter a necessidade de soltar uma nervosa risada.

A película, que abre com os corpos entrelaçados de uma atriz francesa (Emmanuelle Riva) e de um arquiteto japonês (Eiji Okada), é considerada uma poderosa propaganda contra bomba atômica. Os amantes estão cobertos com cinzas simbólicas e, quando a mulher diz que já viu tudo em Hiroshima, ele diz que ela ainda não viu nada. No decorrer do filme, a atriz conta ao arquiteto sobre sua primeira experiência amorosa: tinha sido com um soldado alemão, que foi morto no último dia de batalha. Seu relato longo e masoquista prolonga-se no ar. Com o seu romance fadado ao passado e o relacionamento tortuoso do presente, este é um retrato de uma mulher em um tom altamente cultural. Riva fornece uma memorável performance. Eiji Okada não fala nada mais do que um analista poderia dizer, ele é apenas uma espécie de caixa de ressonância. Por ser japonês, ele deve representar a consciência do mundo, trazendo uma inconveniente sutileza, simpatia profissional e alta classe de modos para sua função. As imagens dos dois na cama são intercortadas com o que se supõe ser um documentário sobre os efeitos da bomba em Hiroshima, mas algumas cenas são pura encenação.

Entrelaçando som e imagem, cenas de um brutal documentário e seqüências tenras de amor, passado e presente, cidade e indivíduo, paixão e desespero, Alain Resnais cria um filme de tirar o fôlego que, como muitas outras obras de arte, nunca pode ser inteiramente apreciado e entendido. Hiroshima, Mon Amour precisa ser sentido - combinando os leves carinhos do amor de dois corpos interligados com a pele queimada e cheia de bolhas de uma vítima de ataque atômico - e os sentimentos que são aqui evocados desafiam o entendimento e explanação. O filme ganhou diversos prêmios em Cannes e foi indicado para o Oscar de Roteiro.

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Criado em 2002 por Paula Cruz e Leonardo Maia