Foto: Russ Wilson
Faculdade de Comunicação - UFBA

 

 



Justiça?

 

As provas categóricas de que as evidências agravam-se a cada dia são as estatísticas, que são alarmantes. No ano 2000, 52 profissionais de imprensa foram assassinados em 26 países. Em 95 foram 48 mortos, um número maior que em 96, quando morreram 28. Entre 1989 e 2000, na Colômbia, foram assassinados 103 jornalistas, 53 foram raptados e cerca de dez foram exilados. Nesse mesmo país, foram assassinados três profissionais em seis dias apenas. Na América Latina mais de duas centenas de jornalistas foram mortos na última década.

O secretário-geral da Federação de Jornalistas Árabes, Saloheddine Hofez, afirma que "os governos árabes tendem a tornar ainda mais pesadas as penas contra jornalistas ou aqueles que exprimem suas opiniões". A SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) critica as autoridades pela cumplicidade e impunidade dos responsáveis pelos crimes e agressões contra jornalistas. Mas a censura continua a fazer cortes (centenas de publicações foram censuradas no ano passado), profissionais continuam sendo agredidos, condenados à prisão, a pagar indenizações e expostos a homicídios sem devidas apurações. Portanto, é fundamental que a sociedade não só proclame por justiça nos processos dos assassinatos. É imprescindível que se lute também pela integridade da liberdade de imprensa, desde o âmbito de publicações, opiniões ao direito de liberdade do cidadão. Afinal de contas, não se pode permitir que essa vertente indispensável da liberdade seja mais uma vítima morta pelas regras cruéis da injustiça, da inverdade e da mordaça do mundo contemporâneo.

Daniela Andrade

Cuba - Brasil

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