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Brasil
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Quando
o jornalista Líbero Badaró foi assassinado em 1931 no Império
brasileiro com a complacência do imperador, já estava sendo
traçado o perfil compactuante do poder com a impunidade e
censura no país. Já era nítido, nessa época, que opor-se ao
sistema dominante, sendo fiel à verdade proposta no jornalismo,
remetia irremissivelmente a punições, que variavam sob as
mais diversas instâncias: algumas vezes, o jornal era fechado;
em outras, os responsáveis pelas "denúncias comprometedoras"
pagavam com suas vidas.
A significativa
incidência de assassinatos a profissionais de imprensa no
Brasil deveria constituir preocupações, debates, emendas e
votações nos projetos de reformas do Poder Judiciário. Contudo,
é patente o descaso das autoridades nos inquéritos estagnados
na Justiça e a plangente impunidade atribuída aos responsáveis
pelos homicídios. Em razão desse sistema inerte, a cada dia
que passa, os profissionais são expostos à criminalidade,
o que, consequentemente, faz do jornalismo uma profissão arriscada
e completamente suscetível à supressão de seus principais
requisitos: a verdade, a informação e a imparcialidade.
O verdadeiro
impasse para que essa profissão, de fato, não tenha perdido
sua integridade e autenticidade está nos ideais dos corajosos
jornalistas que vêm desafiando, até hoje, esse sórdido sistema
repressor. Afinal de contas, onde uma democracia não é popular,
direitos não são os mesmos para todos e inocentes são sempre
réus, alguém tem que lutar pelo direito constitucional de
exercer e de dispor da liberdade de imprensa. Não se pode
impedir a divulgação de notícias, nem proibir fontes de deporem
às entrevistas, pois, dessa forma, a atividade jornalística
perderia seu real sentido. Seria, de fato, uma "mordaça" a
essa profissão e ao seu inerente direito de transmitir informações
à sociedade.
Daniela Andrade
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