Os bascos têm mais de 5 mil anos de história.
Sua origem é desconhecida, mas sabe-se que defenderam
a sua independência contra os romanos, godos e
visigodos, na Antigüidade e Idade Média.
A língua basca (euskera) parece, sequer,
pertencer ao tronco indo-europeu, fonte do latim e das
demais línguas ocidentais. Hoje existem cerca
de 500 mil bascos habitando quatro províncias
espanholas (Vizcaya, Guipuscoa, Alava e Navarra) e três
francesas (Labourd, Baixa Navarre e Soule).
2. Os bascos e a ditadura franquista
A Guerra Civil espanhola (1936-1939) colocou um
ponto final na efêmera II República, instalou
a ditadura de Francisco Franco e cortou, no nascedouro,
as leis de autonomia da minoria nacional basca. O País
Basco foi um dos primeiros a ser atingido pelos conflitos,
sofrendo o célebre bombardeio de Guernica, imortalizado
pela pintura de Pablo Picasso, quando a aviação
de Hitler devastou aquela localidade basca que tinha
sido sede, no passado, das reuniões do Conselho
dos Anciãos (órgão governamental
supremo da comunidade basca)
A ditadura franquista (1939-1975) foi, antes de
tudo, um regime extremamente centralizador. Toda e qualquer
manifestação autônoma das comunidades
regionais sofria dura repressão. A língua
basca foi proibida,e seu ensino constituía ato
de subversão. O uso das cores branco verde e
vermelho, da bandeira basca, era duramente punido.
A organização separatista ETA, originou-se
da ala jovem do tradicional e conservador (mas ilegal,
sob a ditadura de Franco) Partido Nacionalista Basco
(PNV). No início, a ETA limitou-se a uma atividade
de difusão cultural dos valores e costumes bascos
mas, a partir de 1966, lançou-se à ação
política e à luta armada. A ação
armada mais retumbante da ETA ocorreu em 1973, quando
um comando da organização fez explodir
o carro que transportava o primeiro-ministro franquista,
Luis Carrero Blanco, matando-o em plena zona urbana
de Madri. Durante o longo período franquista,
o terrorismo basco acabou sendo uma manifestação
da luta contra a ditadura.
3. Os bascos na democracia espanhola
Desde 1974, a ETA estava dividida em duas correntes:
a ETA Político-Militar, que rejeitava o terrorismo;
e a ETA Militar, ou simplesmente ETA-M, que fazia da
luta armada e do terrorismo o meio mais importante para
a conquista da autonomia basca.
Em 1979, no contexto das reformas democratizantes
do rei Juan Carlos e de seu primeiro-ministro, Adolfo
Suárez, eram aprovados em referendos os estatutos
da autonomia basca, previstos na Constituição
promulgada um ano antes. A região ganhava órgãos
de governo próprios e eram suspensas todas as
restrições à divulgação
de cultura dessa minoria nacional. As datas nacionais
bascas passavam e ser livremente comemoradas e, em muitas
escolas, o euskera voltava a ser ensinado.
De 1979 a 1982, viveu-se uma trégua entre
as autoridades e a ETA. O novo estatuto provocava uma
grande discussão nas fileiras da ETA, levando
muitos militantes a defenderam o fim da luta armada.
Em 1982, consumou-se a divisão na ETA. A
Espanha passava a ser governada pelos socialistas de
Felipe González e a ETA-M retomava, com grande
estardalhaço, a luta armada e os atos de terrorismo.
Ao mesmo tempo, a ETA-M, com o apoio de Herri Batasuma,
representação parlamentar e pública
da facção, formulou um programa de cinco
pontos que significava uma rejeição do
estatuto de autonomia de 1979 e a opção
por uma linha claramente separatista. Esse programa
ficou conhecido como Alternativa KAS, já
que a primeira frase de cada ponto começava com
a letra "K", quando escrita em euskera.
Durante cinco anos sucederam-se as ações
violentas do ETA-M, atingindo indistintamente militares,
policiais e civis, dentro e forra das províncias
bascas. A reação do governo de Madri conduziu
a uma intensa repressão policial e, praticamente,
à ocupação militar do País
Basco. Acordos entre o governo de Felipe González
e o governo socialista francês de François
Mitterrand acabaram com os tradicionais refúgios
de militantes bascos espanhóis nas províncias
bascas francesas. Paris passou a extraditar para Madri
centenas de dirigentes da ETA escondidos
naquelas províncias.
Os anos de terror produziram um repúdio generalizado
na sociedade espanhola contra o ETA-M. AUtoridades,
partidos de situação e oposição
e sindicatos conduziram manifestações
públicas imensas, principalmente em Madri e Barcelona,
contra os principais atos terroristas da ETA-M.
No país Basco, o terrorismo resultou numa
fissura profunda: de um lado o Partido Nacionalista
Basco, que representava a ETA; de outro o Eukadino Ezkerra,
partido que não aceita a luta armada.
Atualmente, a maior parte da população
rechaça a luta armada, defendida pela ala mais
radical da ETA, ou seja, a ETA-M.
Em 1999, sem o apoio popular, a ETA declarou oficialmente
o cessar-fogo, o que não impede que os radicais
bascos continuem com os atentados a bomba, como os ocorridos
no primeiro semestre de 2001.