Faculdade de Comunicação - UFBA
O TEMA

Porque “Cinema Sem Película”? Procurávamos um título que englobasse a questão do subdesenvolvimento, da falta de recursos, da precariedade presente no cinema brasileiro. Muito por isso, podemos chamar o cinema brasileiro de “cinema sem película”, como contraponto ao cinema industrial e glamourizado, por exemplo, de Hollywood. Para muitos, “cinema” remete ao glamour, às vedetes, à ostentação. A película é o símbolo dessa ostentação, visto que é caríssima para os padrões econômicos brasileiros não-industriais tornando o “cinema” como o conhecemos, uma forma de arte bastante despendiosa. Por outro lado, o título é uma alusão ao próprio vídeo, que foi realizado sem o formato da película, mas trata de cinema. Num dado momento, Umbelino Brasil, um dos entrevistados, questiona o que de fato é cinema: 16mm? 35mm? Será que podemos enquadrá-lo de forma tão rígida? E um cinema longe dessa assepsia hollywoodiana, seria ou não seria considerado cinema? Para os defensores da magia cinematográfica, com certeza, não. 

     O ponto mais abordado do vídeo, sem dúvida, é o de como esse estado de subdesenvolvimento reflete-se nos temas abordados. A falta de recursos na produção é o principal foco, visto que essa é a grande preocupação do cinema brasileiro na atualidade.

     O vídeo possui entrevistas com especialistas no assunto e filmes tratados por eles. O fio condutor do vídeo “Cinema Sem Película” está num filme mudo e preto-e-branco, “Limite”(1930). Única obra finalizada de Mário Peixoto, o filme não consegue se enquadrar em nenhuma das correntes ou surtos que o cinema brasileiro já teve até hoje. Primeiro, por seguir uma linguagem universal, desregionalizada; o filme poderia se passar em qualquer lugar, pois não buscava retratar o brasileiro, mas as dores de qualquer ser humano. Segundo, por seguir uma estética de Eiseinstein, ao mesmo tempo em que procura ser formalista, se preocupar mais com a forma do que com o conteúdo da história.

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