MST MOVIMENTO SEM TERRA

 

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) nasceu em um processo de luta contra a política agrária implementada durante o regime militar, que fortaleceu ainda mais o latifúndio. Esse processo de luta no seu caráter mais amplo, tem sua origem no conflito histórico dos camponeses contra a expropriação e a exploração do seu trabalho no campo; contra a forma em que se estabeleceu o regime de propriedade da terra e suas adaptações desde a economia colonial até as mais surrealistas formas de exploração do Capitalismo.
Nas décadas de 50 e 60, várias manifestações começam a surgir de forma mais consciente e organizada, como as Ligas Camponesas, cujo principal líder foi o advogado católico Francisco Julião. Essas ligas tentaram criar uma forma mais ágil e menos burocrática de representação sindical (Brasil Nunca Mais, 1986, p.126). Nascidas de reivindicações elementares, elas abriram o horizonte para outras novas formas de luta e de estratégia de ocupação e distribuição de terras. Mas foi em meio ao processo de formação de vários movimentos sociais no decorrer dos anos 70, que foi gerada a semente do MST.

 

 SEMENTES LANÇADAS

As lutas que engendraram a semente do Movimento dos Sem Terra, foram as ocupações realizadas no estado do Rio grande do Sul, em 1979; nos Estados de Santa Catarina e do Paraná, em 1980, no oeste do Estado de São Paulo e no Estado do Mato Grosso do Sul.
As lutas na cidade também foram de grande importância para desabrochar o clima de enfrentamento e resistência dos vários movimentos que constituirão a base do MST. A mais relevante luta do meio urbano foi a organização dos trabalhadores metalúrgicos do ABC paulista durante as greves que eclodiram no Processo de redemocratização do país.

"a novidade eclodida em 1978 foi primeiramente enunciada sob a forma de imagens, narrativas e análises referindo-se a grupos populares os mais diversos que irrompiam na cena plública reivindicando seus direitos, a começar pelo primeiro, pelo direito de reivindicar direitos. O impacto dos movimentos sociais em 1978 levou a uma revalorização de práticas sociais presentes no cotidiano popular, ofuscadas pelas modalidades dominantes de sua apresentação..." (Sader, 1988, p.26/27).

Em meio ao turbilhão das novas formas de luta inauguradas é que o "novo sindicalismo", representado pela CUT, e a fundação do Partido dos Trabalhadores - PT representaram a luta pela conquista dos direitos da classe trabalhadora, motivando, portanto, o processo organizativo das lutas que se realizavam no campo.
Então, essas instituições, juntamente com a Igreja Católica, que foi de grande importância para a organização e canalização das lutas camponesas, foram as balizas político-culturais do novo movimento de trabalhadores rurais que surgia.

 

GESTAÇÃO

Apesar de a Igreja ter apoiado o golpe de 1964, a partir de 1973 ela começa a rever sua postura, empreendendo uma "visão libertadora da nova evangelização" (Boff, Leonardo, 1990 e 1992). É a extensão da igreja nos trabalhos comunitários.
Em meados da década de 70, nos anos explosivos do regime militar, as Comunidades Eclesiais de Base (CEB's) foram a veiga para a reflexão e organização das lutas populares no campo.
Em 1975, a Igreja cria a Comissão Pastoral da Terra (CPT), que foi uma de suas maiores contribuições para a organização na luta dos trabalhadores. Foi a CPT quem primeiro reuniu, em Goiânia, em 1982, as experiências de luta vividas pelos trabalhadores. A partir daí, muitos outros encontros foram acontecendo em variados estados. Desses encontros, algumas lideranças começaram a discutir a possibilidade de organização de um movimento mais amplo. Até que, em 1984, na cidade de Cascavel, no Estado do Paraná, foi realizado o Primeiro Encontro Nacional do Sem Terra, no qual foram elaborados os objetivos gerais do MST:

1 - Que a terra só esteja nas mãos de quem trabalha;
2 - Lutar por uma sociedade sem exploradores e sem explorados;
3 - Ser um movimento de massa autônomo dentro do movimento sindical para conquistar a reforma agrária;
4 - Organizar os trabalhadores rurais na base;
5 - Estimular a participação dos trabalhadores rurais no sindicato e no partido político;
6 - Dedicar-se à formação de lideranças e construir uma direção política dos trabalhadores;
7-Articular-se com os trabalhadores da cidade e da América Latina. 1

1. Agenda dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

O MST, hoje, é um dos movimentos populares mais amplos e significativos, que cultivam a ruptura com a tradição da estrutura latifundiária na América Latina. A forma em que o MST vem se constituindo, a sua competente capacidade organizativa e de estratégias de ocupação e territorialização, promoveu efeitos sociais de amplitude que atingem de forma contundente as relações socio-espaciais e políticas.

 

home | a saga | poeterra | cantigas | fotos | contato