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DEFESA DA MISCIGENAÇÃO

A Timbalada, nesta questão, é bastante diferente do Olodum. Enquanto este levanta a bandeira da identidade negra exaltando as origens africanas, a "tribo" de Brown é conhecida pela sua identidade difusa. Segundo os membros da Timbalada, no grupo não há negros e sim miscigenados. Como afirma o timbaleiro Antônio Jorge Sena, conhecido como "Dois metros", "a Timbalada é a representação da miscigenação baiana".
O discurso elaborado por Carlinhos Brown e difundido entre os timbaleiros reflete a idéia de que para ser músico é preciso aceitar todas as influências possíveis. Enaltecer apenas o negro seria prender-se a um universo restrito, o que iria de encontro aos interesse do grupo. A prioridade da Timbalada é a música; o discurso político e a questão racial estão fora dos objetivos do grupo.
Deste modo torna-se bastante evidente a filosofia da Timbalada: ser miscigenado significa incorporar diversos valores e costumes e utilizar esta diversidade na produção musical. Segundo os timbaleiros, deve-se esquecer o passado de sofrimento e se divertir.
A pintura dos corpos provém da idéia da miscigenação e representa uma alegoria dos índios. São feitos a cada show desenhos diferentes numa representação das diferentes tribos do Brasil. Além disto, regendo os "índios" tem-se o cacique, Carlinhos Brown, usando roupas feitas de palha, tampas de garrafa e plástico para caracterizar uma tribo misturada e "globalizada". Todos desejam fazer parte da tribo liderada pelo cacique Brown e se isso implica em tocar seminu, pintar o corpo ou vestir saia não há problemas. O mais importante é a possibilidade de ser um membro da Timbalada.

 

 

 
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Informações com Viviam Cruz Pimentel de Matos e Mariana Luz Donato