Viva o Povo, Viva o Dois de Julho!

Para além do ufanismo patriótico, o Dois de Julho é o momento gerador da sociedade brasileira independente e, portanto, a primeira revelação do povo brasileiro como agente e ator de sua própria História. O que significa então o Dois de Julho? É a celebração de vitória e cerimônia de auto estima personificada no querido Caboclo preto. É memória do seu próprio nascimento, e dos limites de sua potencialidade. É elemento indispensável de sua identidade, da consciência de seus próprios problemas e realimentação das velhas esperanças. Por tudo isso, a memória do Dia em que o Povo Ganhou, incorporadas em monumentos, locais públicos e equipamentos de uso coletivo está acima e além dos seus próprios heróis individuais, quanto mais de individualidade cuja importância histórica ainda não está suficientemente demonstrada.

Ubiratan Castro - Professor Doutor da FFCH da UFba.

Apesar de estamos no país do futebol, época em que a copa do mundo provoca uma reação inebriante na sociedade que raramente sente-se tão apaixonada e entusiasmada com o seu país, acredito ser pertinente nesse momento, a discussão sobre o desconforto provocado pela lei 4.439 de 15/06/98, que substituiu o nome do Aeroporto Internacional 2 de julho em Salvador. Essa lei que foi decidida pelo Congresso Nacional através do expediente de "acordo de lideranças" dos Partidos Políticos, contrariou profundamente os valores culturais e históricos da nossa comunidade. O povo antes dignificado no antigo nome, foi eliminado juntamente com a memória de sua luta no 2 de Julho. Por outro lado devemos criticar o silêncio conveniente dos jornais de grande circulação na cidade que, sequer, pediram a opinião sobre o impacto simbólico dessa decisão a historiadores e intelectuais tais como: Cid Teixeira, Consuelo Pondé e Jorge Amado. Nomes que frequentemente são projetados pela mídia como defensores das tradições do povo da Bahia, num momento desses não poderiam ficar de fora do debate. É com pesar que vemos as manchetes alusivas à data magna do nosso povo ser transformada em folclorização, quando se vulgariza e se reduz o tema apenas à participação de políticos, que diante dos holofotes das câmaras de tv, acenam com o seu amor perverso ao povo brasileiro.

Roberto Carlos é professor de História e Web Master de Paideia.

www.svn.com.br/paideia/editor2.htm

Projeto de Lei / Discurso de posse de César Borges / Discurso do deputado Edison Lobão

Governo baiano homenageia Luís Eduardo / Nome do aeroporto e data da independência da Bahia

2 de Julho / Luiz Eduardo Magalhães / Diário do Nordeste/Colunistas / Para sempre 2 de Julho

 

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