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QUASE DEU BRASIL. |
| Quem tem gasolina correndo nas
veias não esquecerá do dia 30 de março de 1972. Nesta
data, o Brasil começava a entrar de forma definitiva na
porta da frente do Campeonato mundial de F-1. Um esporte
que, até dois anos antes, só era conhecido dos
brasileiros através de fotos, notícias em jornal
(principalmente quando um piloto morria) e uma ou outra
cobertura em revistas. A partir da estréia de
Fittipaldi, em 70, e sua vitória no GP dos EUA, o jogo
virou. Logo, a F-1 não tardaria a virar mania nacional e
as vitórias de Senna, Emerson e Piquet se tornariam uma
alegre rotina, até 1994. Graças ao àrduo esforço do empresário Antônio Carlos Scavone, falecido num desastre de avião no Aeroporto de Orly (França) em 1973, a F-1 chegou ao Brasil tal como fora feito com os carros da F-2 e F-3 anos antes. Mas a idéia de Scavone era convencer os homens da FIA que o Brasil tinha totais condições de sediar uma prova válida pelo Campeonato Mundial. Se os europeus tinham o enorme Nürburgring com seus 22 Km de extensão e 183 curvas, o Brasil tinha a espetacular pista de Interlagos, com quase 8 Km e visão privilegiada do circuito para grande parte do público. Scavone tentou trazer as grandes equipes de F-1 na época (Tyrrel, Ferrari, McLaren e Lotus), mas acabou contando apenas com esta última, até porque o primeiro piloto da equipe de Colin Chapman era Emerson Fittipaldi, maior nome do automobilismo brasileiro na época. Doze carros foram inscritos para o primeiro GP Brasil: Emerson e Dave Walker (Lotus), Carlos Reutmann e Wilson Fittipaldi Jr. (Brabham), José Carlos Pace e Henri Pescarolo (Williams-Politoys), R. Peterson e Luiz Pereira Bueno (March), e H. Marko, Jean-Pierre Beltoise, Alex Soler-Roig e Peter Gethin (BRM). Nos treinos, Emerson provou seu favoritismo ao marcar a pole, façanha que foi capaz de levar o público calculado em 220.000 pessoas à Interlagos no dia da Corrida. Com poucos carros e uma prova prevista para 37 voltas, a corrida tinha tudo para ser monótona. E foi o que aconteceu. Dada a largada, duas das quatro BRM ficaram inertes no grid, enquanto Pace, que largava em quinto, teve o acelerador de seu March travado na primeira volta, graças aos pedriscos que sujavam a pista. Emerson manteve a dianteira e dominou a corrida até faltarem 3 voltas para o final. Quando subia a reta dos boxes para completar a volta 34, uma estranha rodopiada o fez parar nos boxes para inspeção. Os mecânicos constataram a quebra de um elemento da suspensão traseira, que provavelmente causou a rodada que o eliminou da corrida. A vitória acabou caindo no colo do argentino Reutmann, que pilotava uma Brabham BT34, conhecido com "pata de lagosta" pelo insólito desenho de sua dianteira. O sueco Ronnie Peterson foi o segundo e Wilsinho o terceiro. Menos mal que outro brasileiro, Luiz Pereira Bueno, com um dos piores carros da corrida (March 711), chegou em sexto lugar. A fragilidade da Lotus de Emerson foi posta em questão pela imprensa especializada por algum tempo. Até que o brasileiro venceu o GP da Espanha , em 1 de maio, em Jarama, e iniciou a arrancada que o levaria ao seu primeiro título mundial. No ano seguinte, quando se realizou a primeira prova válida pelo campeonato mundial de F-1 (e com a presença de Tyrrel, Lotus e McLaren), Emerson Fittipaldi venceu com sobras, o que faria também em 74, com um McLaren M23. Texto: Rodrigo Mattar (Revista Club Motor) |
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