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FORMAÇÃO HISTÓRICA DO ENSINO DE CINEMA E AUDIOVISUAL NO BRASIL E A PROPOSTA DA UFBA

Foi no início dos anos 1950, ocasião em que se realizaram os primeiros Congressos de Cinema no Brasil, que se constatou a relevância dos estudos acadêmicos sistemáticos em cinema. Preliminarmente, os cursos foram pensados para atender a necessidade de formação e qualificação de quadros técnicos para uma produção que se mostrava então em crescimento, como parecia indicar a existência das corporações cinematográficas brasileiras, dentre outras, a companhia Vera Cruz.
Organizados por museus, cinematecas, cineclubes e instituições afins, os seminários e cursos livres pioneiros no país demonstravam que o problema da formação profissional, embasada academicamente, constituía uma demanda sócio-cultural que os diversos setores da sociedade deveriam suprir da melhor maneira possível.
Foi com esse espírito que os primeiros cursos superiores de cinema surgiram já na década de 1960, a exemplo da Escola Superior de Cinema da Universidade Católica de Minas Gerais, a Escola Superior de Cinema São Luiz (SP) e os cursos de cinema da Universidade de Brasília, Universidade de São Paulo e Universidade Federal Fluminense (RJ).
As experiências que se consolidaram no decorrer dos anos 1970 resultaram na incorporação dos cursos de cinema, tanto nos níveis de graduação quanto nos de pós-graduação, aos cursos de Comunicação Social e de Artes. Esses vínculos, assim como o estabelecimento dos currículos mínimos, conformou a prática e os estudos cinematográficos aos dois últimos anos da graduação de Comunicação e Artes, trazendo, conseqüentemente, uma série de inconsistências para a formação profissional.
Uma proposta de estrutura curricular autônoma foi apresentada ao então Conselho Federal de Educação em 1989. À época, Cinema constituía apenas uma das diversas habilitações do curso de Comunicação Social (Jornalismo, Relações Públicas, Publicidade, Rádio e Televisão), formatado a partir de currículos mínimos de acordo com as definições das Leis de Diretrizes e Bases de 1961. De acordo com o Conselho Federal de Educação, o profissional da área de Cinema, em virtude da falta de especificidade durante a graduação, não apresentava uma formação adequada às necessidades culturas e sociais do país. A defasagem entre a qualificação oferecida pelos cursos e a sofisticação técnica exigida atualmente para a composição de uma equipe de realização também parecia preocupante ao próprio CFE.
Professores e alunos de cursos de cinema de várias regiões do país participavam ativamente dos Encontros Nacionais de Ensino do Cinema (ENEC) que passaram a ser realizados nos anos 1980, constituindo um importante locus de mobilização e discussão sobre assuntos da área. Por exemplo, no V Encontro Nacional das Escolas de Cinema, realizado em 1988, observou-se a necessidade de reflexão sobre o uso das técnicas em permanente revolução, bem como uma adequada qualificação para uma utilização eficiente. Tal problemática indicava como solução a estruturação de cursos autônomos, fundamentados no desenvolvimento de sensibilidades aplicadas e particulares, assim como o domínio de técnicas específicas da área.
Esse parecer do CFE resultou, na Universidade São Paulo no ano de 1991, em autonomia do curso de Cinema e Vídeo em relação ao de Comunicação Social. O currículo do novo curso proporcionava ao estudante familiaridade com as técnicas de realização e contato com as questões estéticas e culturais próprias à produção, bem como à recepção do cinema e do vídeo. Com a medida, os currículos das escolas de cinema sintonizavam-se gradativamente aos modelos curriculares vigentes em outros países. Especificamente, as questões relacionadas ao suporte e expressão videográfica, na época ainda uma novidade recém incorporada à área, explicitaram a necessidade de atualização do curso às mudanças tecnológicas. Permitiu-se, assim, que especializações fossem criadas, a partir de uma formação básica específica, de modo a contemplar os diversos domínios: da pesquisa às áreas técnicas, como edição, som, fotografia e montagem.
Como é de amplo conhecimento, a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação deflagrou, em 1997, a discussão sobre as Diretrizes Curriculares dos cursos superiores. Para tanto foram constituídas Comissões de Especialistas que debateriam preliminarmente os currículos.
Em seguida, a organização das instituições nacionais dedicadas ao ensino de cinema e audiovisual seria institucionalizada com a constituição, em dezembro de 2000, do Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual (FORCINE). No ano de 2003 realizou-se o primeiro encontro nacional do FORCINE, na cidade de Belo Horizonte (MG). Por ocasião do I Congresso Forcine, diversas propostas foram encaminhadas ao Ministério da Cultura, Ministério da Educação, Ministério das Comunicações e Ministério da Ciência e Tecnologia propondo o encaminhamento de ações conjuntas, sobretudo solicitando apoio às instituições capazes de integrar ensino, produção e pesquisa em cinema e audiovisual.
No contexto FORCINE foram tratados, também, alguns pontos relacionados ao ensino de graduação nos Encontros realizados na Bahia (2004) e São Paulo (2005). Nesse sentido foi observado, quanto às Diretrizes Curriculares, a necessidade de gerar condições para um reconhecimento específico da área de Cinema e Audiovisual, dando-lhe um estatuto de campo autônomo, e propondo a adoção de uma diretriz curricular própria, incluindo aquelas tradicionais competências referentes ao ensino de cinema e audiovisual, assim como a incorporação de novas mídias. Dada a particularidade desse campo, dito multidisciplinar, recomendou-se o estudo de um projeto de licenciatura que permitisse formar professores na área de cinema e do audiovisual, capacitados a trabalhar tanto no ensino básico quanto no fundamental.
No ano de 2006 foi aprovada pelo Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação (Cf. Processo 23001.000088/2005-78) o desmembramento dos cursos de Cinema e Audiovisual da Comunicação Social com a finalidade de obterem uma estrutura diferenciada e independente.
A Universidade Federal da Bahia busca a criação de uma ESCOLA DE CINEMA E AUDIOVISUAL dentro do arcabouço de um ensino novo, e nele pensa em processar a reengenharia do cinema e do audiovisual. Esse novo procedimento relaciona-se diretamente com a convergência das mídias e com a ruptura do padrão linear da produção, da distribuição e consumo dos produtos audiovisuais.
O projeto de Cinema e Audiovisual na UFBA emerge neste momento de necessária interlocução com as revoluções tecnológicas da eletrônica, da informática e telecomunicações que atingem diretamente a base da indústria audiovisual, alterando profundamente alguns segmentos dessa indústria. Do ponto de vista econômico, a indústria do audiovisual configura-se como uma das atividades culturais de ponta no mundo contemporâneo, inserindo-se na cadeia produtiva das “indústrias criativas”. O vínculo direto com o lazer e com a cultura coloca essa atividade no rol das indústrias estratégicas para uma nação.
O Projeto de Cinema e Audiovisual na UFBA pressupõe uma efetiva relação no campo do ensino, da pesquisa e da formação na área do Cinema e do Audiovisual que vem tomando novos rumos diante das condições mundiais de produção e de exibição. As eficazes tecnologias digitais de imagens e sons aplicadas aos modos de reflexão, de criação e de produção têm na atualidade um profundo efeito nas modalidades tradicionais de cinema e televisão e determinam mudanças nos métodos e programas de ensino do cinema e do audiovisual.
Nessa perspectiva, o Seminário CINEMA UFBA se propõe a analisar, discutir e buscar soluções para as questões  especificas relacionadas com a metodologia do ensino da produção do audiovisual nas escolas, considerando que as experiências até agora postas em práticas serem valiosos subsídios na formação da sua ESCOLA DE CINEMA E AUDIOVISUAL.