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HISTÓRICO DO ENSINO E DA REALIZAÇÃO DO CINEMA NA BAHIA

A Bahia é o único estado brasileiro fora do eixo Rio - São Paulo que possui escolas de Teatro, Música, Dança e Belas Artes com uma tradição de mais de meio século todas ligadas à Universidade Federal da Bahia. Porém, as únicas experiências no campo de ensino de cinema na UFBA foram desenvolvidas no âmbito da extensão, quando foi criado o Grupo de Cinema Experimental, nos anos 1970, e na realização de um curso profissionalizante que contou com a participação do seu Setor de Cinema, da Embrafilme e do Instituto Cultural Brasil-Alemanha. Fora do campo do ensino público, foi implantado na Bahia, no ano de 2001, na esfera do ensino privado um Curso de Cinema e Audiovisual (Faculdade de Ciências e Tecnologia).
A cidade do Salvador, Bahia, se estabeleceu, a partir da década de 1950, como um dos extratos mais significativos da vida cultural do país, vivendo um momento transformador. Sendo assim, ponto estratégico de novas proposições culturais, entre elas, a da criação do Cinema Novo, movimento de vanguarda que alterou não só os padrões formais como, também, o conteúdo do filme brasileiro.
Os elementos mais predominantes na concretização da afirmação dessa sensibilização cultural baiana foram marcados na ação do agitador cultural Glauber Rocha exercendo a crítica cinematográfica; na atuação do Clube de Cinema da Bahia, tendo a frente o crítico Walter da Silveira; na presença de ilustres visitantes estrangeiros, por exemplo, Roberto Rossellini com o projeto de filmar Geografia da Fome do escritor Josué de Castro, do francês Marcel Camus com a idéia de realizar Os Bandeirantes; e na efetiva participação dos brasileiros Trigueirinho Neto – autor do primeiro filme baiano de temática negra – Bahia de todos os santos (1961); Alex Viany, realizando Sol sob a lama (1962) e de Nelson Pereira dos Santos filmando Mandacaru Vermelho (1961). Essas produções impulsionaram o surgimento do Ciclo Baiano de Cinema.
Na fase contemporânea a Bahia volta à cena com uma expressiva produção de filmes em curta-metragem, revelando novos talentos e investe na produção de longas-metragens com a realização de Três Histórias da Bahia (José Araripe, Sérgio Machado e Edyala Iglessias); dos premiados Eu me lembro (Edgard Navarro), Samba Riachão (Jorge Alfredo) e Cascalho (Tuna Espinheira). Completam a recente produção, em lançamento, Esses Moços (José Araripe); e em fase de conclusão Jardim das Folhas Sagradas (Póla Ribeiro), Pau Brasil (Fernando Beléns), Revoada (José Umberto) e Estranhos (Paulo Alcântara).
No entanto os realizadores de filmes e vídeos aqui produzidos enfrentaram grandes desafios no que diz respeito à conquista de espaços, de excelência técnica e artística nos seus trabalhos. Apesar disso, continuamos a revelar a diversidade dos nossos temas através de formas narrativas expressivas que deram conta de nos patentear para o país.