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Curso: Introdução ao Discurso
Filosófico da Modernidade

Realidade e conhecimento no pensamento moderno


1. O Segredo da Arte. Descartes, além do cogito.
2. O Empirismo Britânico e a "Via Cartesiana".
3. Kant e o Princípio Poesia.
4. Hegel. A outra modernidade.
5. A Tautologia Poética em Feuerbach.
6. Karl Marx e a Modernidade Pós-Hegeliana.
7. Ernst Cassirer e a "Via Kantiana".


I. APRESENTAÇÃO
 

Adentramos um novo século constatando, entre perplexos e encorajados, que alguns dos discursos mais significativos do nosso tempo fazem emergir, de uma forma completamente nova, a questão do conhecimento do mundo, da realidade, do ser - o problema da experiência humana. De toda parte, no âmbito da ciência ou na vivência quotidiana, nos chegam fragmentos de um discurso que enuncia a crise de identidade do nosso tempo.

Esta crise tem várias faces. De um lado, há a convicção, que se vai fazendo imperativa, de que as categorias, os temas e o dicionário com que pensávamos a realidade e os modelos, formas e enciclopédias interpretativas com que a sentíamos e vivenciávamos parecem não mais adequados à sensibilidade e ao modo de pensar do homem contemporâneo, como tampouco parecem suficientes - por razões "éticas" ou gnosiológicas - para dar conta da identidade da nossa época. Nos últimos vinte ou trinta anos assistimos ao esforço de "nomeação" dessa identidade que se presume que era a nossa e tudo indica que enfim, ela pode ser grafada com o mesmo nome com que os pensadores dos séculos XVII (e já um pouco antes) indicaram "novidade" que eles próprios representavam em face da última Idade Média: Modernidade. Uma decisão curiosa e não desprovida de problemas - mas que certamente marca e determina a nossa relação com a história do pensamento ocidental que, a partir de então, passou a ter um seu segmento (um período que vai de Bacon e Descartes até o final do século XIX) visto com grande cuidado e suspeita.

Por outro lado, há o enorme esforço - às vezes cuidadoso, às vezes entusiasmado - de se estabelecer as fronteiras e os limites do conjunto de alternativas de que a nossa época se dota ante a "modernidade". Um esforço que não se traduz apenas nas tentativas de "nomeação" da novidade, embora isso não possa ser considerado secundário, mas no ensaio de "fundá-la" - por mais paradoxal que isto possa parecer. Quanto à "nomeação", ela parece seguir os rituais psicológicos normais da identificação: é preciso primeiro "descobrir" o outro, depois nos excluirmos dele, constituindo-nos, portanto, como o não-outro, o não-ele, nós. A "modernidade" é o outro, a nossa época seria o outro do outro, altrimentes que "modernidade", a "não-modernidade", "a-, anti-, contra-, pós-modernidade". Mas o que significa ser isso? Por enquanto significa, sobretudo, uma negação. Por isso, a identidade da nossa época (entendida como "pós-moderno" ou o que quer que seja) depende da identidade da "modernidade", este conjunto que se decidiu ser o nosso outro. Trata-se, portanto, de esquadrinhá-la, examiná-la, compreender o seu funcionamento, o que ela afirma ou proíbe, porque, a rigor, ao conhecê-la não é a ela que pretendemos conhecer, mas à nossa época.

Este parece ser o raciocínio que explica porque a "modernidade", de repente, justamente, no momento em que se professa (como nunca antes) a sua invalidação e superação, torna-se o tema da moda, das discussões acadêmicas aos talk-shows, da publicidade ao jornalismo cultural. É claro que a modernidade já foi alvo e tema de discussão na história do pensamento. Mas neste caso (pensemos em Bacon e Descartes e, mais tarde, em Hegel em quem a terminologia enfim está amadurecida e o "problema da modernidade" torna-se uma questão filosófica) aqueles que sustentavam a discussão afirmavam-se "modernos" e com isso exibiam a superioridade da própria época. Não é o caso de o discutir aqui, mas é evidente, em primeiro lugar, que a modernidade dos modernos e a "modernidade" do par semântico "modernidade" vs. "a-modernidade" (ou "pós-modernidade") não são co-extensivas e, propriamente, idênticas.

Além disso, a "modernidade" do pós-moderno é um conceito operacional e estratégico: é um contraponto (psico-)lógico num processo de produção de identidade.
Há também um paradoxal esforço de "fundação" da identidade da nossa época, a que estamos testemunhando nestes dias. Paradoxal, na medida em que o fundamento (Grund) é justamente uma das teses "modernas" que se trata de questionar - mas deixemos também isso em suspenso. Pois bem, a "fundação" vai em dois sentidos. O primeiro deles, consiste em fornecer uma espécie de justificativa sociológica da superação da modernidade, mostrando como as formas contemporâneas das interações sociais (a nova sociabilidade) e as transformações hodiernas dos modos de significação e sensibilidade não podem mais ser pensadas e compreendidas pelas categorias modernas. A "modernidade" não teria mais sentido, porque as pessoas não se relacionam de forma moderna, não codificam nem comunicam de forma moderna, não pensam nem sentem de forma moderna. O segundo sentido da "fundação" consiste em recuperar teses, princípios e postulados, daquilo que a modernidade excluiu e baniu, de maneira a dar-se uma espécie de legitimidade histórica pela própria inserção na tradição. Com isso criam-se "retornos" e revisitações de intenções de pensamento de outros tempos, mas também perfilações estratégicas (às vezes problemáticas) ao lado de correntes e idéias por muito tempo esquecidas. Por isso os heideggerianos tornaram-se leitores atentos e generosos dos pré-socráticos (rebatizados como "pensadores das origens"), os nietzscheanos voltaram-se para a "época trágica" dos gregos e outros promovem o retorno das brumas pré-modernas com o seu "reencantamento" do mundo.

Ora, é justamente pelo fato de que na nova questão da modernidade entra em jogo o destino da identidade da nossa época que grande parte das energias intelectuais contemporâneas parece voltada para isolar e examinar este conjunto de teses, intenções de pensamento e standards da nossa relação com os outros - a "modernidade" - para indicar o seu alcance, as decisões teóricas e práticas de onde se origina e, sobretudo, as suas conseqüências e limites.

Assistimos, nas últimas décadas, a um fenômeno muito interessante no âmbito das discussões sobre a cultura e a sociedade contemporâneas. Uma época de pensamento, isto é, um recorte temporal de paradigmas, modelos e discursos teóricos, entra em cena como objeto de investigações, eixo temático e centro de controvérsias. A modernidade, é dela que se trata, torna-se a questão aglutinante de nosso tempo: no debate acerca da modernidade tem se envolvido boa parte das melhores energias intelectuais contemporâneas, em todas as latitudes; a partir da tomada de posição em face dos seus temas e intenções de pensamento têm-se estabelecido fronteiras teóricas importantes; o verbete modernidade torna-se, de repente, campeão absoluto de títulos, nos mais variados campos da cultura, da arquitetura à literatura, da política à filosofia.

 

Continuação da apresentação: Pg2


Metodologia:

Sendo um curso on-line, a metodologia didática seguirá a dinâmica de sete semanas temáticas. Em cada uma dessas semanas, o aluno terá contato com vários tópicos relevantes de uma Introdução ao Discurso Filosófico da Modernidade. A cada semana o aluno deverá cumprir atividades visando o seu
aproveitamento total no curso. Estas atividades acontecem em três níveis:

Nível 1 - Introdução. Apresentação dos conteúdos, disponibilização on-line dos textos relativos aos tópicos dessa semana, e proposições reflexivas a respeito dos temas disponibilizados.

Nível 2 - Debate. Realização de fóruns de debates entre os participantes do curso conjuntamente ao professor responsável a respeito dos conteúdos estudados.

Nível 3 - Avaliação. O critério de avaliação dos participantes se dará em função da participação no curso, nos debates, na interação com os demais participantes, e nó cumprimento das tarefas específicas relativas a cada semana.

Avaliação

No final de cada semana, o participante será avaliado segundo o cumprimento de tarefas. Ao final do curso, o conceito da avaliação global corresponderá à média do rendimento do aluno durante o curso.

Páginas de Atividades

Relatórios: Espaço de colocação dos resultados das atividades do curso.
Lista de Discussão: Espaço de comunicação interna dos participantes do curso.
Fórum: Espaço de discussão e polemização a respeito da temática do curso.

 

 

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