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O termo blog
surgiu em 1998, criado pelo americano Jorn Barger, como uma abreviação
da expressão weblog, que significa algo como “diário
da rede”. Com a criação do Blogger.com, primeiro
site a oferecer construção e hospedagem gratuita de
blogs, milhares de internautas passaram a utilizar a ferramenta
como uma forma de expressão prática e barata. Para
os jornalistas, os blogs trazem inúmeras potencialidades,
desde a busca de fontes de informação até a
sua utilização como meio alternativo de divulgação
de idéias. Muitos profissionais vêem na ferramenta
uma oportunidade de exercer um jornalismo com mais independência
em relação ao praticado nas redações
dos grandes veículos.
Raphael Perret, jornalista e editor do Tá
na Tela, vê neste tipo de site a chance de produção
de conteúdo não submetido a linhas editoriais pré-estabelecidas,
o que resultaria numa maior liberdade de expressão e numa
linguagem também diferenciada. “É difícil,
porém, ver jornalistas efetivamente produzindo material em
blogs. Isto é, não conheço nenhum blog mantido
por um repórter que produza pautas, apure e redija matérias.
Em geral, os jornalistas que mantêm blogs apenas comentam
as notícias que saem nos jornais. Mesmo assim acho importante,
pois, em geral, eles têm muito conhecimento e podem produzir
conclusões interessantes a respeito das notícias”,
opina.
O que se verifica, entretanto, é que
alguns blogs que têm cumprido todas as etapas de cobertura
e apuração dos fatos, muitas vezes não são
de autoria de jornalistas. Um exemplo são os warblogs, publicados
por testemunhas de guerras e desastres, como o BuzzMachine,
publicado por Jeff Jarvis, sobre o atentado de 11 de setembro, que
obteve número recorde de acessos ao fornecer um relato
pessoal dos momentos que sucederam ao episódio.
Para Daniel
Pádua, criador do BlogChalking,
alguns tipos de blogs podem tornar-se as fontes de informação
número um dos jornais de grande distribuição,
porque possibilitam a contribuição descentralizada
das comunidades, trazendo relevância ao conteúdo e
capilaridade às redações. "Sem contar
que, na Internet, sempre haverá espaço para o surgimento
de um narrador ou outro que seja mais linkado, e por isso
mais valorizado, do que jornais inteiros".
A questão da credibilidade e legitimidade
do jornalismo praticado nos blogs é realmente polêmica.
Afinal, o simples relato de fatos em um blog, faria de qualquer
um jornalista? Para Paulo Rebêlo,
um dos editores do PontoJol,
a resposta é negativa, já que jornalismo requer responsabilidade.
“É difícil encontrar responsabilidade jornalística
nos blogs, excetuando-se uns poucos. É preciso lidar com
fatos, fontes fidedignas, bagagem cultural e embasamento teórico
e prático. Opinar qualquer um pode. E o blog é uma
ferramenta perfeita para opinar, além de ser versátil,
fácil e rápido”.
Outro aspecto útil para o jornalismo
seria a contribuição para a geração
de pautas, como lembra o jornalista André de Abreu, também
editor do Ponto Jol. Ele cita o caso do programa Vitrine,
exibido pela TV Cultura. “O apresentador Marcelo Taz criou
um blog no site do programa e já presenciei várias
reportagens que ele anunciou terem sido tiradas de mensagens enviadas
pelos telespectadores no blog”, observa. Os blogs também
já foram utilizados por jornalistas como instrumentos de
mobilização, como no caso do Gazeta
Sem Notícias que surgiu durante uma greve na Gazeta Mercantil,
servindo como canal de informação direta.
Os blogs já estão sendo utilizados
pelas mídias tradicionais. O Guardian Unlimited, versão
online do periódico inglês The Guardian, por exemplo,
lançou um blog
que comenta notícias de destaque na rede. O português
"Diário Digital" foi o primeiro daquele país
a fornecer gratuitamente espaço na internet para os seus
leitores escreverem e hospedarem um weblog.
Já a revista on-line americana Salon
também oferece o serviço, porém àquele
que esteja disposto a pagar por isso.
Tendo em vista a expansão do uso dos blogs,
a Rede Globo comprou os direitos para o Brasil da marca Blogger,
o maior ícone de disseminação da ferramenta
na web, colocando no ar a versão
brasileira. Dessa forma, a Globo.com, que disputa o ranking
de acessos brasileiro, pode estar prestes a ultrapassar os concorrentes
UOL e IG, primeiro e segundo lugares respectivamente. Aliás,
o IG foi o site brasileiro pioneiro em adaptar o modelo blog, oferecendo
o serviço Blig
desde novembro de 2001.
A influência dos blogs na produção
jornalística não pára por aí. Os alunos
de um novo
curso da Graduate School of Journalism da Universidade de Berkeley,
vão produzir um blog onde discutirão direitos autorais
na rede além de, é claro, debater as maneiras de criação
jornalística mediadas pela ferramenta. Os alunos terão,
uma vez por semana, aulas com John Batelle, um dos criadores da
revista Wired, e Paul Grabowicz, diretor do setor de nova mídia
da escola. Em pauta, a discussão sobre a validade dos blogs
como meio coerente de se fazer jornalismo. O surgimento de uma literatura
específica preocupada em analisar a sua correta aplicação,
é outro exemplo do reconhecimento dos blogs como possibilidade
de criação jornalística.
Mas, sejam considerados como veículo jornalístico
ou não, os blogs podem, em certos casos, reforçar
informações e notícias falsas e ruídos
de comunicação, funcionando contra a verdade dos fatos.
Um exemplo é o caso do artigo de Ananova,
que circulou amplamente na web, divulgando a criação
de uma suposta nova bandeira da União Européia. Antes
de ser desmentido, o boato se difundiu por toda a rede e foi divulgado
até em grandes sites de notícias. Esse potencial dos
weblogs para produzir falsas notícias vem sendo cada vez
mais notado, levando à criação de sites de
análise da sua relação com o jornalismo, como
por exemplo o Microcontentnews.
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