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Programa do Semestre 2005.2
COM112 - Oficina
de Comunicação Audiovisual
Professor - André Setaro
Turma - 02 (turma
01)
I. Objetivos
Ensinar a ver um filme como dotado de uma capacidade
significante que lhe permite recriar a realidade sob
a forma de uma linguagem, recorrendo, para isso, a uma
série de processos de reelaboração
poética que o transformam num gênero técnico-formal
mais virado para a "expressão" do que
para a "comunicação". O objetivo
é, também, o estudo da natureza de outras
linguagens áudio-visuais -televisão, vídeo...
- comparando-as com a expressão cinematográfica.
É uma disciplina que pretende introduzir o aluno
nas narrativas áudio-visuais, principalmente
aquela concernente à linguagem cinematográfica.
Se o cinema tem uma especificidade, a maioria das pessoas
que vê filmes se concentra, porém, nos
valores da fábula (da história, da trama,
da intriga...), desconhecendo a existência de
uma linguagem. E, muitas vezes, o discurso cinematográfico
tem seu significado veiculado por meio dos seus elementos.
Assim, o lugar onde se individualiza a poética
de um cineasta é representado pela esfera da
linguagem por ele utilizada.
II.Conteúdo Programático
1) A PRODUÇÃO AUTÔNOMA DE SENTIDOS
- A escalada do cinema enquanto linguagem
- Reprodução das realidades em movimento
- no princípio
- Linguagem artística baseada na reprodução
da realidade
- Reconstrução da realidade de modo inteiramente
original
- Transformação do mundo em discurso servindo-se
do próprio mundo
2) OS MODOS DE QUALIFICAÇÃO DO CINEMA
- MORFOLOGIA
- Morfologia
- Quando a câmera se movimenta
- A planificação
- Ângulos e seus significados
- O ponto de vista da câmera de filmar
3) OS MODOS DE QUALIFICAÇÃO DO CINEMA
- A EXPRESSÃO
- A interferência no plano da conotação
- Sem modificar o plano da denotação
- A linguagem como expressão
- O cinema como 'mise-en-scène'
- O plano da narrativa e o plano da fábula
4) OS MODOS DE QUALIFICAÇÃO DO CINEMA
- SINTAXE
- A montagem como organização do tempo
e do espaço
- A montagem invisível
- A fragmentação e a impressão
de fluxo contínuo
- Progressões e reticências
- Tempo e diegese
5) A ORGANIZAÇÃO DO REAL
- A montagem rítmica
- A montagem intelectual ou ideológica - Serguei
Eisenstein
- A montagem narrativa - David Wark Griffith:
- Linear, Invertida, Alternada e Paralela
- A montagem visual e a montagem sonora
6) RITMO E PONTUAÇÃO
- O 'timing' como pulsação
- A profundidade de campo 'versus' montagem
- O corte em movimento
- A montagem sincopada
- A perda de 'status' da montagem soberana
7) ORIGENS DO CINEMA MODERNO
- "Cidadão Kane" (1941), de Orson Welles
- A circulação incessante da câmera
'dentro' do enquadramento:
- "Festim Diabólico" ("The Rope"),
de Hitch, e "Hamlet", de Olivier - ambos de
1948
- A 'desdramatização' de Michelangelo
Antonioni e o domínio da anti-narrativa
- Os postulados de Rossellini e o 'cinema-verité'
8) DAS NARRATIVAS ÁUDIO-VISUAIS (1)
- Diferenças entre o celulóide e a fita
magnética
- A prática televisiva e a reprodução
de sentidos previamente organizados
- A expressão videográfica
- A estética do vídeo-clip
- O cinema como meio de 'expressão' e não
de 'comunicação'
9) DAS NARRATIVAS ÁUDIO-VISUAIS (2)
- A veiculação do filme pelo vídeo
- A via digital e suas possibilidades
- A imagem na contemporaneidade
- A tela que "não" se dá ao
olhar
- A "arqueologia" do processo imagético
10) PERCEPÇÃO E RECEPÇÃO
- O filme e sua 'aura'
- O filme como discurso orgânico e sistêmico
- A recepção do filme na contemporaneidade
- A influência da teledramaturgia televisiva no
processo receptivo
- As diferenciações da recepção
do filme no tempo
III.Bibliografia
MARTIN, MARCEL: 'A linguagem cinematográfica'.
Brasiliense. 1990
AUMONT, JACQUES: 'A imagem'. Papirus. 1994
COSTA, ANTONIO: 'Compreender o cinema'. Globo. 1987
MACHADO, ARLINDO: 'Sergei M. Eisenstein'. Brasiliense.
1981
XAVIER, ISMAIL: 'D.W. Griffith'. Brasiliense. 1984
SODRÉ, MUNIZ: 'O monopólio da fala'.Vozes.
1977
BRÉTTON, GERARD: 'Estética do cinema'
Martins Fontes. 1990
AGEL, HENRI: 'Estética do cinema'. Cultrix. 1986
BAZIN, ANDRÉ: O cinema (ensaios). Brasiliense.
1991
LABAKI, AMIR: 'Folha conta 100 anos de cinema'. Folha.
1995
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