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Programa do Semestre 2001.2
COM102 - Semiótica
Professor - José Benjamim Picado
I.Ementa
Aspectos históricos das teorias do signo (semiologia
e semiótica). Conceitos fundamentais da semiótica e
do conceito semiótico de comunicação (signo, significação,
interpretação, aspectos pragmáticos da significação,
símbolo, alegoria e metáfora). Fundamentos para a compreensão
do funcionamento de mensagens.
II.Apresentação
Devemos, antes de tudo reconhecer, no esforço de unificação
teórica que marca o lugar e a pertinência das investigações
semióticas, em nosso tempo, ao menos um mesmo propósito
comum (não obstante a variada origem de seus interesses
e marcações escolares), qual seja: a constituição de
um discurso sistemático que possa fazer referência ao
caráter de construtividade simbólica que demarca a existência
do mundo a nós circundante, no modo como o interpretamos,
falamos dele, o representamos e, até mesmo, simplesmente
o percebemos.
Do ponto de vista da história do campo
das teorias semióticas, podemos mapear as fontes deste
discurso a partir dos esforços de unificação de campos
disciplinares dedicados à inquirição sobre a natureza
e a estrutura do sentido e da linguagem: faremos emergir,
deste modo, os esforços seminais de Roland Barthes e
de Umberto Eco em uniformizar a investigação semiótica
(ou semiológica), uma vez esclarecidas suas respectivas
referências às bases fornecidas pela unidade do inquérito
linguístico (Barthes), ou pelo encontro de questões
de poética com problemas de hermenêutica (Eco).
Teríamos assim construído as condições
para alçarmos as mais importantes interrogações às origens
da semiótica, consistindo sobretudo numa investigação
sobre as relações entre as estruturas linguísticas do
sentido e da compreensão, e seus hipotéticos compromissos
com a dureza e a densidade do real: estaríamos alojados,
portanto, no âmbito das consequências (ou horizontes)
filosóficos da inquirição semiótica, de modo a convocarmos
uma extensa linhagem de discursos teóricos dedicados
a demonstrar (ou refutar) que tudo aquilo que atribuímos
ao mundo exterior (critérios de verdade, valores éticos,
materialidade) é recursivo às descrições que praticamos
sobre as estruturas do sentido.
Mas devemos ter cuidado ao penetrarmos
o universo especificamente teórico destes discursos,
de modo a não perdermos de vista o propósito que estas
investigações podem ter para um campo como o da Comunicação:
antes de mais nada, a introdução de um viés semiótico,
no contexto histórico das disciplinas do sentido, exibe
um diferencial que tem precisamente a ver com a interrogação
aos fenômenos e produtos que caracterizam uma cultura
profundamente marcada pela influência dos meios de comunicação
de massa (e, mais uma vez aqui, as primeiros primeiras
incursões dos escritos semiológico, especialmente com
Barthes e Eco, nos fornecerá as ilustrações e a algumas
das consequências teóricas e analíticas destes pontos).
Por outro lado, no contexto das engenharias
do sentido (que tipificam o trabalho diuturno das técnicas
e processos da comunicação mediática), o problema da
introdução de um viés semiótico é basicamente o do reconhecimento
das atividades que fundamentam a economia da expressão
e da interpretação semióticas: assim sendo, no caso
das práticas que tipificam o campo comunicacional, pouco
préstimo há em que nos detenhamos em demasia sobre os
aspectos mais especulativos da pesquisa semiótica; necessitamos,
isto sim, referir a parca unidade teórica deste campo
a determinadas categorias basilares (signo, inferência,
pragmática, conotação), confrontando-os de imediato
com os produtos plásticos, estéticos ou meramente significativos
que caracterizam os produtos de nossa época.
III. Conteúdo
Programático
Unidade I: A Unificação das
Investigações Semióticas: a Gênese das Modernas Teorias
da Significação: Semiologia e Linguística: de Saussure
a Levi-Strauss; Semiótica no contexto das teorias do
sentido e da linguagem: Semiótica e Filosofia da Linguagem;
Dos Mitos aos Signos: o caso-Barthes; Semiótica como
Teoria das Economias Interpretativas: o caso-Eco.
Unidade II: Elementos de Semiótica:
Peceber é Interpretar: Signos e Inferência; Significar
é Conotar: Significação e Metáfora; As estruturas da
semelhança: as etapas de uma Semiótica das Imagens;
As regras da Semiose: Esquemas de Interpretação; quando
Significar é Fazer: elementos de Pragmática e Pragmatismo
Semiótico.
IV. Objetivos
1. Tornar reconhecível, de modo introdutório,
o horizonte histórico do campo das semióticas: a semiótica
no contexto das disciplinas do sentido e da linguagem;
as relações entre a Semiótica e a Filosofia da Linguagem,
assim como com a Linguística moderna e o estruturalismo;
2. Avaliar as relações entre o problema
dos signos, no âmbito de sua expressão e de sua interpretação:
o horizonte hermenêutico das teorias semióticas; as
relações entre a semiose e os processos de inferência
e de associação; a lógica da investigação científica
e a gênese das tipologias semióticas;
3. Identificar os fundamentos semióticos
do funcionamento expressivo da produção de mensagens:
as práticas figurativas e de simbolização semióticas;
as teorias dos atos de fala e os elementos de uma pragmática
da comunicação;
4. Referir as discussões teóricas que
tipificam o campo das semióticas aos produtos e processos
característicos de nossa época, sobretudo aqueles que
se vinculam à economia interpretativa das práticas mediáticas
(cinema, fotografia, publicidade, jornal, artes, dentre
outros).
V. Procedimentos didáticos
As atividades do programa envolverão
aulas expositivas sobre o enfeixamento conceitual das
tradições discursivas tratadas em cada unidade, discussões
e fichamentos sobre leituras da bibliografia básica
e/ou complementar, além de uma avaliação escrita, ao
fim de cada uma das duas unidades temáticas do programa;
durante o semestre, serão cobrados fichamentos das leituras,
sobre cujo montante incidirá igualmente uma nota de
avaliação.
VI. Bibliografia Básica
Unidade I:
BARTHES, Roland. Elementos de Semiologia (trad. Izidoro
Blikstein). São Paulo: Cultrix (1988); (*)
ECO, Umberto. "Introdução: rumo a uma teoria da cultura".
In: Tratado Geral de Semiótica (trad. Antônio de Pádua
Danesi e Gilson César Cardoso de Souza). São Paulo:
Perspectiva (1997): pp. 1,23;
Unidade II:
ECO, Umberto. "Signo e Inferência". In: Semiótica e
Filosofia da Linguagem (trad. Mariarosaria Fabris e
José Luis Fiorin). São Paulo: Ática (1991): pp. 15,
62;
JAKOBSON, Roman. "Dois Aspectos da Linguagem e Dois
Tipos de Afasia". In: Linguística e Comunicação (trad.
Izidoro Blikstein e José Paulo Paes). São Paulo: Cultrix
(1991): 34,62, pp;
PEIRCE, Charles Sanders. "Algumas Consequências de Quatro
Incapacidades". In: Semiótica, op.cit.: 259,282, pp.;
PEIRCE, Charles Sanders. "Questões Referentes a Certas
Faculdades Reivindicadas para o Homem". In: Semiótica
(trad. José Teixeira Coleho). São Paulo: Perspectiva
(1990): 241,258, pp.
SEARLE, John R. "A Referência como ato de fala". In:
Os Actos de Fala (trad. Carlos Vogt et al.). Coimbra:
Almedina (1984): p. 97,128; (*)
Obras de Referência (cuja leitura se
recomenda em paralelo a todos os itens das unidades):
BARTHES, Roland. "A Retórica da Imagem".
In: O Óbvio e o Obtuso (trad. Lea Novais). Rio: Nova
Fronteira (1990): 27,44, pp.;
DEELY, John. Semiótica Básica (trad. Júlio Pinto). São
Paulo: Ática (1991); (*)
DE HOLANDA, Aurélio. Novo Dicionário Aurélio da Língua
Portuguesa. Rio: Nova Fronteira (1986);
GREIMAS, A.J. e COURTÉS, J. Dicionário de Semiótica
(trad.Alceu Dias Lima et al.). São Paulo: Cultrix (1983);
(*);
JAKOBSON, Roman. "À Procura da Essência da Linguagem".
In: Linguística e Comunicação, op.cit.: 98,117, pp.
KRISTEVA, Julia. "A Semiótica". In: História da Linguagem
(trad. Maria Margarida Barahona). Lisboa: ed. 70 (1974):
pp. 409,448; (*);
LECHTE, John. 50 Pensadores Contemporáneos Esenciales
(trad. cast. Maria Luísa Rodrigues Tápia). Madrid: Cátedra
(1994); (*)
NOTH, Winfrid. Panorama da Semiótica. São Paulo: Anablume
(1996);
PEIRCE, Charles Sanders. "De Una Nueva Lista de Categorias".
In: Escritos Logicos (trad. Pilar Castillo Criado).
Madrid: Alianza (1968): 65,84, pp. (*)
PINTO, Júlio. 1,2,3 da Semiótica. Belo Horizonte: UFMG
(1995). (*);
RYLE, Gilbert. "A Teoria da Significação". In: Expressões
Sistematicamente Enganadoras e Outros Ensaios. (trad.
Balhazar Barbosa Filho). São Paulo: Abril (1984): 53,70,
pp.; (*)
(*) - livros não disponíveis na Biblioteca
da FACOM
VII. Cronograma das Aulas (sujeito
a alterações de percurso):
1. 14/01: apresentação e introdução
do programa
2. 16/01: notas enciclopédicas sobre significado e signos
3. 21/01: semiótica e filosofia da linguagem: a teoria
da significação no contexto das teorias do sentido
4. 23/01: a teoria dos signos como unificação da pesquisa
linguística (I): do estruturalismo linguístico à semiologia
5. 28/01: a teoria dos signos como unificação da pesquisa
linguística (II): a semiologia de Barthes
6. 30/01: discussão: Elementos de Semiologia
7. 04/02: rumo a uma lógica da cultura: signos e interpretação
na semiótica de U.Eco;
8. 06/02: a semiótica de Umberto Eco (continuação)
9. 18/02: pequena digressão: o lugar de uma semiologia
das imagens
10. 20/02: discussão: Tratado Geral de Semiótica
11. 25/02: prova/primeira unidade
12. 27/02: signos e inferência: a crítica semiótica
dos silogismos ("proposições são inferências")
13. 04/03: signos e inferência (continuação) - entrega
das fichas de "Signo e Inferência"
14. 06/03: pequena digressão: quando podemos afirmar
que nossas expressões são inferenciais?
15. 11/03: discussão: Umberto Eco. "Signo e Inferência"
16. 13/03: comentários dos fichamentos
17. 18/03: as regras da semiose: a teoria peirceana
dos interpretantes sígnicos
18. 20/03: signos e inferência (II): o anticartesianismo
de Peirce - entrega das fichas de "Algumas Consequências"
19. 25/03: pequena digressão: como reduzir nossas percepções
a inferências e associações?
20. 27/03: discussão de texto para exame: "Algumas Consequências
de Quatro Incapacidades"
21. 01/04: comentários dos fichamentos
22. 03/04: semiose e conotação (I): as teorias filosóficas
da significação
23. 08/04: semiose e conotação (II): os eixos do sentido
e as doenças da compreensão (Jakobson)
24. 10/04: semiose e conotação (III): a teoria semiótica
da metáfora (Eco) - entrega das fichas de "Dois Aspectos"
25. 15/04: discussão: Roman Jakobson. "Dois Aspectos
da Linguagem e Dois Tipos de Afasia"
26. 17/04: comentários dos fichamentos
27. 22/04: quando significar é fazer (I): significação
e performance, nas teorias dos atos de fala
28. 24/04: quando significar é fazer (continuação) -
entrega dos fichamentos de "A Referência enquanto ato
de fala"
29. 29/04: pequena digressão: quando é que pinturas
são atos de fala?
30. 06/05: discussão: John Searle. "A Referência Enquanto
Ato de Fala"
31. 08/05: comentários dos fichamentos
32. 13/05: avaliação/2a Unidade
33. 15/05: divulgação dos resultados finais
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